Política

Caso Master: PGR diz que investigará interferência em relatório da PF

Órgão informou nesta sexta (4) que determinou apuração após pedido de explicações de Fachin, presidente do STF

3 min

04/09/2026 22:07 • Atualizado há 10 horas

Caso Master: PGR diz que investigará interferência em relatório da PF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou nesta sexta-feira (4) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que iniciou uma apuração sobre possibilidade de interferência no relatório da Polícia Federal (PF) que apontou uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

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Em nota, a PGR informou que determinou a instauração de um "Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial" e que o "resultado será, em tempo adequado, noticiado à Corte". A nota foi assinada pelo procurador-geral da República Paulo Gonet, também mencionado no relatório.

O órgão afirmou ainda que não foi comunicado sobre a determinação de Mendonça: "No trâmite analisado, não foi dado espaço à manifestação da Procuradoria-Geral da República. Ao revés, a decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, que foi assim impedido de realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação".

A determinação é uma resposta ao pedido de Fachin emitido hoje para que fossem prestados esclarecimentos em cinco dias. O caso era relatado pelo ministro André Mendonça, que também foi envolvido no caso. Agora, a relatoria foi para o presidente da Corte.

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Entenda a crise do Master no STF

O relatório da Polícia Federal anexado às investigações sobre o Banco Master revelou uma série de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, exposto no centro de um esquema de articulações políticas e jurídicas.

Os diálogos detalham contatos com figuras de peso do poder público, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria.

A aproximação e as cobranças em torno do escritório de advocacia

De acordo com as investigações, a aproximação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes começou em dezembro de 2023, quando Fábio Faria compartilhou o contato do magistrado com o dono do Banco Master. Nos meses seguintes, o ex-ministro atuou como interlocutor em negociações e cobranças de agilidade em repasses.

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Em março de 2024, uma mensagem em que Faria afirmava que "o careca não pode atrasar" gerou cobranças internas de Vorcaro. Na mesma data, o banqueiro ordenou o pagamento ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, resultando em uma transferência de R$ 3.422.268,14. Questionado, Fábio Faria declarou que apenas sugeriu a banca para atuar em um caso em São Paulo, sem participar de reuniões ou ter ciência dos valores.

Conexões com a PGR e encontros sob escrutínio

As apurações também apontam ramificações na Procuradoria-Geral da República. Em março de 2025, o advogado de Vorcaro, Ciro Soares, enviou ao cliente uma foto ao lado de Paulo Gonet em ambiente de lazer, acompanhada da frase "ele quer falar com você". Semanas depois, conversas indicaram tratativas cordiais entre o PGR e o empresário, incluindo assuntos sobre uma viagem internacional.

O cerco em torno de outras autoridades também se estreitou com a confirmação de que o ministro André Mendonça se encontrou com Daniel Vorcaro em março de 2025, na sede do Instituto Iter. Embora Mendonça tenha afirmado que o teor da conversa tratou de créditos de precatórios no STF e não do Banco Central, a repercussão o levou a deixar a sociedade do instituto e doar suas cotas.

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Reação do STF e novas cobranças de explicações

Diante da repercussão e da revelação das peças do processo que haviam sido tornadas públicas, o presidente do STF Edson Fachin determinou que Moraes, Mendonça, a PGR e a Polícia Federal prestem esclarecimentos formais no prazo de cinco dias úteis. O procedimento busca elucidar o cumprimento de regras de prerrogativa de função, o controle da atividade policial e eventuais acessos e vazamentos de dados sigilosos no âmbito das investigações.