Política

'Dark Horse': produtora pede que inquérito sobre desvios fique com STF

Defesa de Karina Ferreira da Gama quer que investigação da Polícia Civil de SP seja encaminhada à Corte

3 min

27/08/2026 15:23 • Atualizado há 4 dias

'Dark Horse': produtora pede que inquérito sobre desvios fique com STF

Os advogados de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelas filmagens de "Dark Horse", pediram ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que a investigação sobre supostas fraudes em contratos com a Prefeitura de São Paulo seja suspensa ou remetida ao Supremo.

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A defesa argumenta que a apuração estadual teria como objetivo final investigar se o longa sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso desde março.

No dia 1º de junho, a Polícia Civil desencadeou a Operação Wi-Fi para investigar a suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB). O instituto é uma ONG de propriedade de Karina Ferreira da Gama. Ela e a prefeitura negam irregularidades.

Na ocasião, a Polícia Civil requisitou à Justiça acesso às análises do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações financeiras feitas pelo ICB, pela Go Up e por Karina. Entre as hipóteses investigadas está a de que parte dos recursos possa ter ido aos cofres da Go Up durante a produção de "Dark Horse".

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Os advogados de Karina reforçaram ao ministro André Mendonça que a principal reivindicação da defesa é a suspensão imediata do inquérito da Operação Wi-Fi, conduzido pela 2ª Delegacia de Investigações sobre Crimes contra a Administração do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

O filme "Dark Horse" teve mais de 90% de seu orçamento bancado com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro. O financiamento foi tratado entre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro mesmo depois da primeira prisão de Vorcaro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal em um dos celulares do banqueiro.

Os advogados de Karina argumentam ao ministro que "a investigação de primeiro grau tem como verdadeiro objeto: a aplicação de recursos financeiros por parte do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse".

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Tal objeto atrai a competência absoluta desse Supremo Tribunal Federal. E isso pois, em verdade, tais fatos já estão sendo apurados no âmbito dos presentes autos (Inquérito nº 5.070/DF), sendo, ainda, fatos conexos com as investigações realizadas no Inquérito nº 5.026/DF, ambos de relatoria do Exmo. Min. André Mendonça. --advogados de Karina Ferreira da Gama

Os defensores afirmam que o próprio delegado responsável pela investigação deixou claro que a apuração busca identificar a origem do financiamento privado de "Dark Horse".

Segundo a defesa, o delegado escreveu que seria necessário descobrir a "origem do financiamento privado, que até o momento não teria sido devidamente declarada ou identificada" e apontou "consistentes suspeitas de confusão patrimonial", além da possibilidade de recursos do programa WiFi Livre SP terem sido desviados para custear a produção do filme.

A defesa de Karina também critica o que chama de "desmembramento processual relacionado a investigados sem foro por prerrogativa de função" promovido pela Polícia de São Paulo. A referência é a investigação sobre supostos desvios de recursos públicos, sobretudo de emendas parlamentares, envolvendo a produtora.

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O roteiro de Dark Horse é assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que, em 2024, destinou R$ 2 milhões em emendas para uma ONG ligada à produção do filme. Ele nega irregularidades.

Há três dias, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal dos dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo na Operação Wi-Fi. A reportagem apurou que a extração dos dados do celular de Karina ainda não foi concluída e que o aparelho permanece sob perícia. Os federais também foram informados de que, até o momento, não foi possível acessar os dados do telefone do tesoureiro ligado à produtora.

Com Estadão Conteúdo

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