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Política
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De vendedora no Pátio Batel, em Curitiba, à primeira deputada negra do PR

No Band Eleições, Miss Preta relatou ameaças racistas e defendeu um mandato popular com fiscalização do governo.

4 min

20/10/2026 00:44 • Atualizado há 4 dias

A primeira deputada estadual negra eleita no Paraná, Edna dos Santos Sousa, conhecida como Miss Preta, prometeu um mandato popular, com participação da população e fiscalização do governo de Sergio Moro (PL). Ela também relatou ameaças racistas e de morte, além de defender maior presença das mulheres na política.

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As declarações foram feitas durante entrevista ao Band Eleições, da Band Paraná, programa apresentado pelas jornalistas Alessandra Consoli e Bárbara Hammes.

Aos 33 anos, Miss Preta chega à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) com mais de 45 mil votos e uma trajetória que começou longe dos cargos políticos. Antes de se tornar vereadora de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, trabalhou como vendedora no Shopping Pátio Batel, na capital.

"Podem esperar uma deputada com muita coragem, uma deputada que vai ouvir, acolher e vai ser um mandato popular, participativo", afirmou.

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"Rede e rua": Miss Preta promete mandato próximo da população

Durante a entrevista, Miss Preta afirmou que pretende manter a forma de atuação que marcou sua trajetória política em Pinhais, combinando o trabalho nas ruas com a divulgação das ações nas redes sociais.

"Eu trabalho com duas formas: rede e rua. Gosto muito mais de estar na rua do que só nas redes", declarou.

A deputada eleita também criticou políticos que utilizam as redes sociais apenas para alimentar disputas ideológicas e conquistar popularidade, sem apresentar soluções para os problemas da população.

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Para ela, as plataformas digitais devem servir para dar visibilidade às necessidades das cidades e ampliar a fiscalização do poder público.

Deputada promete oposição ao governo Moro

Miss Preta também falou sobre o governo de Sergio Moro, eleito governador do Paraná, e garantiu que pretende cobrar resultados do Executivo.

Apesar das diferenças políticas, afirmou esperar seriedade da futura administração estadual.

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"Eu espero seriedade de um governador", declarou.

A deputada eleita também criticou a votação de projetos encaminhados aos parlamentares com pouco tempo para análise.

"Terá uma oposição lá muito potente, que vai cobrar", afirmou.

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Entre as principais preocupações do futuro mandato, Miss Preta destacou a saúde e a educação.

"O maior desafio do Paraná é a gente melhorar a educação e a saúde", disse.

Ameaças racistas e referência à morte de Marielle Franco

Um dos momentos mais fortes da entrevista foi o relato das ameaças recebidas quando Miss Preta ainda estava no início do mandato como vereadora de Pinhais.

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Segundo ela, os ataques começaram no segundo mês de atuação na Câmara Municipal, com ofensas racistas e ameaças de morte.

"A ameaça vem chamando de macaca, pedindo para eu sair do mandato, que aquele lugar não me pertencia, que iria furar de bala igual furou Marielle", relatou.

A deputada eleita afirmou que a situação provocou medo e preocupação na família, mas não a fez desistir da política.

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"É um tipo de ameaça que dá medo, dá medo. Mas o medo não me parou", declarou.

Miss Preta também defendeu maior participação feminina nas decisões políticas e lamentou a redução do número de mulheres eleitas para a Assembleia Legislativa.

"Eu esperava minimamente que aumentasse essa bancada", afirmou.

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Do interior do Rio de Janeiro à política paranaense

Natural de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, Miss Preta chegou ao Paraná entre 2016 e 2017.

Filha de uma trabalhadora que cortava cana para sustentar a família, ela contou que enfrentou dificuldades para conseguir emprego na área de formação e acabou trabalhando como vendedora no Shopping Pátio Batel, em Curitiba.

Em 2020, disputou a primeira eleição para vereadora de Pinhais e recebeu 531 votos. Não conseguiu se eleger, mas continuou participando de ações sociais e acompanhando os problemas do município.

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Quatro anos depois, conquistou uma cadeira na Câmara Municipal com votação histórica. Em 2026, recebeu mais de 45 mil votos e se tornou a primeira mulher negra eleita para a Assembleia Legislativa do Paraná.

Agora, Miss Preta afirma que pretende utilizar a conquista para incentivar outras mulheres, principalmente jovens negras, a ocupar espaços na política.

"Nada vai me parar, eu não tenho medo", declarou.

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