Defesa de Lulinha classifica suspeita da PF como 'quebra-cabeça de ilações'
Mensagens indicariam que lobista gastou cerca de R$ 100 mil por mês com filho de Lula

O advogado Marco Aurélio Carvalho, responsável pela defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, contestou as suspeitas da Polícia Federal (PF) de que ele teria tido despesas pagas pela lobista Roberta Luchsinger. A manifestação da defesa ocorre após a divulgação de diálogos transcritos em um inquérito policial obtido pelo jornal Estadão e que sugerem que Lulinha seria beneficiário de vantagens indevidas.
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De acordo com as investigações da PF, Luchsinger gastaria cerca de R$ 100 mil por mês para manter uma casa de uso de Lulinha. O inquérito policial, que investiga suposto tráfico de influência na Dataprev e em outros órgãos federais, levanta a suspeita de que despesas pessoais e passagens aéreas de Lulinha teriam sido custeadas pelo empresário Cléber Ribas, interessado em fechar negócios com o governo.
Em vídeo enviado à Band, o advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a condução do caso. Segundo ele, o que se apresenta até o momento é um verdadeiro "quebra-cabeça de ilações" promovido por setores da Polícia Federal que estariam instrumentalizados por interesses políticos e eleitorais para interferir no cenário das eleições de 2026.
Defesa questiona integridade das provas
Carvalho argumentou que a defesa técnica ainda não possui condições de atestar a autenticidade das mensagens interceptadas, pois desconhece se a cadeia de custódia das supostas provas está hígida e íntegra. Ele assegurou que "não há nada nos autos que comprove ou que apenas sugira pagamento de despesas comuns" e ponderou que os gastos parecem ser, na realidade, de uma residência ocupada especificamente pela própria empresária Roberta Luchsinger.
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Outro ponto destacado pelo defensor em resposta ao jornal Estadão foi a ausência de provas financeiras. Carvalho enfatizou que, embora o sigilo bancário de Lulinha tenha sido quebrado e vazado, a perícia não localizou nenhuma transferência ou repasse de recursos das empresas investigadas para as contas dele. "Fábio nunca foi sócio da Roberta e a própria Polícia Federal diz que não pode atestar que haja vínculo formal", ressaltou o advogado.
Ademais, a defesa argumentou "por amor à verdade" que, na época dos diálogos mencionados pela reportagem, Fábio Luís já morava em Madri, na Espanha, onde vive com sua família e educa seus filhos. De acordo com Carvalho, a frequência de Lulinha na referida casa em Brasília ocorreu de maneira estritamente "episódica e pontual".
Outro lado
Procurada pela reportagem do Estadão, a defesa de Roberta Luchsinger informou que não irá comentar o teor dos diálogos vazados, sob a justificativa de preservar o sigilo decretado pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça.
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A defesa do empresário Cléber Ribas também contestou, ao Estadão, a divulgação de trechos vazados, apontando-os como vagos, selecionados e descontextualizados, o que prejudicaria o pleno exercício da defesa. A nota de Ribas reiterou que todos os contratos de suas empresas com o governo federal seguiram os ritos legais com total transparência e sem qualquer tipo de favorecimento.
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