Política
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Edinho vê Lula é "maior líder do mundo democrático" e aponta sucessão no PT

Dirigente petista defende modernização, renovação de quadros e projeto coletivo para manter a legenda protagonista

5 min

08/11/2026 17:57 • Atualizado há 45 min

Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, que vai ao ar neste domingo (8), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Lula é "o maior líder do mundo democrático" e defendeu que a sucessão do petista, em 2030, passe por um partido mais moderno, aberto à renovação de lideranças e a novas agendas da sociedade.

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Ao tratar do papel do presidente, Edinho rebateu que a figura de Lula impede o surgimento de novos quadros do partido e da esquerda de modo geral. "Quem cria o PT é o Lula. Se nós existimos, nós devemos ao Lula. Ele é, na minha avaliação hoje, é o maior líder do mundo democrático. É um patrimônio do Brasil, é um patrimônio do mundo democrático e é um patrimônio do PT", afirmou.

Aos 81 anos, prestes a começar seu quarto mandato, Lula já avisou que se despedirá da política em 2030 e planeja fazer seu sucessor para manter a esquerda no poder. Questionado sobre quem pode ser esse nome, Edinho despistou, mas apontou um caminho para o partido.

"Nós temos que entender que o sucessor do Lula não é um nome, que não tem nenhuma liderança dentro do PT ou no campo democrático que seja capaz de substituir o Lula. O que nós temos debatido é que o sucessor do Lula tem que ser o PT, um partido forte, organizado, um projeto coletivo, um projeto que dialogue com a sociedade brasileira, que esteja aberto e em sintonia com a sociedade brasileira. Aí o nome vai aparecer, esse nome vai emergir".

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No entanto, Edinho reconhece que é impossível substituir Lula no comando do partido. "Nós não vamos conseguir oferecer nenhum nome, nem para debate com a sociedade, nem para debater com os aliados", disse. "Porque o Lula é muito grande, não há esse nome que vai emergir naturalmente. O PT vai ter que construir um nome, nem se for para debater com os aliados ou apresentar a candidatura própria. Não há outro sujeito histórico nesse processo", reconheceu.

"Temos que entender o que as ruas nos falaram"

Ao longo da entrevista, Edinho insistiu na necessidade de o partido se conectar a novas pautas sociais e econômicas, e principalmente ouvir o recado que veio das ruas com a mobilização em massa do primeiro para o segundo turno. "Nós temos que entender o que as ruas falaram para nós. Por isso que eu tenho defendido tanto que o PT tem que se modernizar, que o PT tem que se abrir para a mudança, que o PT tem que dialogar com essa agenda que vem da rua", declarou.

Segundo ele, parte desse sentimento está ligada ao novo mundo do trabalho e ao avanço do empreendedorismo. "Muitas vezes o empreendedor é um instrumento de sobrevivência para lutar contra a precarização do trabalho, porque muitas profissões estão sendo precarizadas. Como que ele luta para impedir que o seu salário seja precarizado ou que ele não esteja numa profissão precarizada? Ele vai empreender. Mas ele está preferindo empreender, essa é a diferença. Porque ele tem mais instrumentos para lutar. Aí abre o salão de cabeleireiro, aí vai ser o motorista aplicativo, aí muitas vezes ele monta um e-comércio nas redes sociais", afirmou.

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"Ou nós mudamos o PT, ou vai perder o protagonismo"

Para o presidente nacional da legenda, essa construção de um novo quadro para 2030 deve vir acompanhada de um processo de renovação interna, com o surgimento de novas lideranças, a exemplo do que ocorreu na direita nos últimos anos, especialmente no Congresso Nacional. Segundo ele, a sigla precisa formar novos nomes capazes de dialogar com diferentes segmentos da sociedade.

Na entrevista, o dirigente disse estar em "briga" interna para que o partido se abra a essas mudanças. "Eu estou brigando para que o PT se abra, para que o PT entenda esse sentimento que vem das ruas e para que o PT supere uma estrutura burocrática que vai nos impedir de nós sermos esse partido da mudança, o partido da transformação dessa quadra do século XXI, que é o sentimento de mudança que veio das ruas e garantiu a reeleição do presidente Lula", declarou.

Para Edinho, a burocratização e a distorção do papel dos mandatos podem comprometer o caráter coletivo da legenda. "Nós não podemos ser uma junção de projetos pessoais, nós não podemos ser uma junção de mandatos que têm mais peso que as instâncias partidárias, que é o processo de construção coletiva. Você não pode ter um mandato mais importante que um coletivo de 20 pessoas que sentam, que debatem o partido, que formulam o partido", disse.

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Agora, evidente, ou nós mudamos o PT, evidente o PT tende a perder o protagonismo, como muitos partidos no mundo perderam quando não entenderam o processo histórico

Edinho afirmou que o cenário atual oferece uma oportunidade dupla: a de um governo voltado ao legado e a de uma reorganização interna da legenda. "Nós estamos diante da possibilidade do presidente Lula fazer um mandato de legado, de desenhar o Brasil como uma potência do século XXI para o mundo. E nós estamos diante de uma oportunidade de nós termos um partido que efetivamente tenha um programa e que tenha práticas partidárias que dialoguem com esse sentimento de mudança. Nós não podemos perder essa oportunidade", concluiu.

Canal Livre neste domingo

A entrevista de Edinho Silva ao Canal Livre vai ao ar neste domingo (8), às 20h, na BandNews TV, na BandNews FM e na Rádio Bandeirantes, e às 23h na Band. O programa também será transmitido no YouTube de Band Jornalismo, em Band.com.br e no Bandplay. Participam da conversa os jornalistas Fernando Mitre, Thays Freitas e Felipe Vieira. A apresentação é de Rodolfo Schneider.