A urna eletrônica é segura? Entenda como ela funciona

Entenda os mecanismos de criptografia, fiscalização e auditoria usados nas eleições brasileiras

Da redação

Por Da redação

A urna eletrônica é segura? Entenda como ela funciona
A urna eletrônica é segura? Entenda como ela funciona
Reprodução/Brasil Urgente

Responsável pela apuração das eleições em todo o país, a urna eletrônica usa sistemas de criptografia, isolamento de rede e auditorias públicas para garantir a integridade e o sigilo da escolha do eleitor. 

O brasileiro ainda tem dúvidas sobre a segurança das urnas. Segundo uma pesquisa feita pela Quaest em fevereiro de 2026, 53% dos brasileiros afirmam que urnas são confiáveis. Outros 43% discordam dela, enquanto 1% não concorda, nem discorda. Sobram ainda 3% que não sabem ou não respondem à pergunta.  

Equipamento não se conecta à internet

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a urna eletrônica funciona de forma totalmente isolada, sem qualquer tipo de conexão com a internet ou redes de computadores.

O equipamento não possui componentes de hardware para conexões com fio ou sem fio, como placas de rede, Wi-Fi ou Bluetooth. Além disso, o sistema operacional é configurado para bloquear qualquer mecanismo de acesso remoto.

Na prática, isso significa que, durante a votação, a urna trabalha como um sistema fechado, o que afasta a hipótese de invasões externas por hackers para adulterar votos ou resultados.

Criptografia e cadeia de confiança

O TSE informa que o sistema da urna utiliza tecnologias de criptografia, assinatura digital e resumo digital para proteger dados e programas.

Esses recursos formam uma espécie de “cadeia de confiança”: a urna só executa o software oficial da Justiça Eleitoral em um hardware certificado.

Se alguém tentar rodar um programa não autorizado, o equipamento detecta a alteração e bloqueia o funcionamento.

Informações de eleitores, candidatos e o Registro Digital do Voto (RDV) também recebem assinaturas digitais. Segundo o tribunal, isso impede que arquivos sejam modificados sem deixar rastro, preservando a autenticidade dos resultados.

Desenvolvimento controlado e equipes separadas

O software da urna é o mesmo em todo o Brasil e passa por controle rigoroso de versões, que registra quem realizou cada alteração ao longo do desenvolvimento.

Na Justiça Eleitoral, o conhecimento técnico é segmentado: a equipe responsável pelo programa da urna não é a mesma que cuida do sistema de totalização dos votos.

Funcionários externos, fornecedores e mesários não têm acesso ao código-fonte. Para o TSE, essa separação reduz o risco de que uma única pessoa ou grupo consiga manipular o processo de ponta a ponta.

Auditorias, testes públicos e fiscalização

Todo o processo pode ser acompanhado por partidos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e eleitores.

Um dos principais mecanismos é a votação paralela. Na véspera da eleição, autoridades sorteiam urnas já instaladas em seções, retiram os equipamentos e os levam ao Tribunal Regional Eleitoral.

No dia do pleito, essas urnas recebem votos simulados, registrados ao mesmo tempo em cédulas de papel e no sistema eletrônico, em procedimento público e filmado. Ao final, os resultados impressos e eletrônicos são comparados.

Outro instrumento é o Boletim de Urna. Assim que a votação termina, cada equipamento imprime o seu resultado, que se torna documento público.

Qualquer cidadão pode coletar esses boletins nas seções e confrontá-los com a totalização divulgada no site do TSE.

Durante o desenvolvimento dos sistemas, partidos, OAB e Ministério Público também podem inspecionar o código-fonte.

Além disso, o tribunal realiza Testes Públicos de Segurança, em que especialistas tentam encontrar falhas. Segundo a Justiça Eleitoral, até hoje nenhuma tentativa conseguiu alterar votos ou resultados.

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