Alunos de Medicina da Positivo denunciam ataques após apoiar Lula
Alunos de Medicina em Curitiba relatam ofensas, intimidação e medo de frequentar aulas após as eleições.
Estudantes do curso de Medicina da Universidade Positivo, em Curitiba, denunciam ter sido vítimas de ofensas, intimidações e ataques virtuais de colegas após declararem apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo os relatos, as mensagens começaram a circular depois do resultado das eleições presidenciais de 2026 e provocaram medo entre os universitários.
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A situação foi revelada em reportagem da Band Paraná. Os estudantes afirmam que colegas insatisfeitos com o resultado das eleições passaram a compartilhar mensagens ofensivas em um grupo, incluindo ataques à aparência física e à condição financeira de alunos que manifestaram apoio ao presidente.
Segundo os denunciantes, chegou a ser elaborada uma lista com nomes e turmas de estudantes apontados como eleitores de Lula. Alunos bolsistas estariam entre os principais alvos.
Estudantes relatam ofensas e mensagens interpretadas como ameaças
Entre as mensagens apresentadas à reportagem estão comentários como "Lembrem do amor de vocês pra atender pobre" e "Se treinasse na mesma intensidade que defende o Lula já estaria magra".
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Em outra conversa, um dos participantes teria ironizado a possibilidade de ser processado pelas ofensas. Outro respondeu: "Eles não têm dinheiro pra processar".
Uma das situações que mais preocupou os estudantes envolveu uma mensagem direcionada a uma colega, na qual alguém escreveu: "Nem vá na segunda-feira".
O episódio aconteceu no período posterior às eleições e foi interpretado pelos denunciantes como uma ameaça.
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Alunos dizem ter medo de frequentar aulas na universidade
A situação provocou insegurança entre os estudantes que afirmam estar sendo perseguidos por suas posições políticas.
Uma das pessoas ouvidas pela Band, que teve a identidade preservada e a voz distorcida, relatou que alguns alunos passaram a ter receio de circular pela instituição.
"Nós temos medo de assistir aulas em algumas salas, a gente tem medo de cruzar com determinados colegas no meio da universidade", afirmou.
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Segundo o relato, os estudantes criaram um grupo de apoio para evitar que colegas precisem frequentar determinados espaços sozinhos.
A iniciativa permite que alunos combinem de acompanhar uns aos outros durante as aulas, principalmente quando alguém se sente intimidado.
Universidade Positivo diz não ter recebido denúncias pelos canais oficiais
Procurada pela reportagem, a Universidade Positivo informou, por meio de nota, que até o momento não havia recebido relatos sobre o caso pelos canais oficiais da instituição para que os fatos pudessem ser formalmente apurados.
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Os estudantes, por outro lado, afirmam que já fizeram o registro das denúncias.
A reportagem também apurou que os universitários procuraram o Ministério Público para formalizar os relatos.
Especialista alerta para os efeitos da polarização política
Para o doutor em Psicologia Clínica Paulo Cesar Porto Martins, a polarização política pode estimular comportamentos coletivos de hostilidade, especialmente quando as pessoas passam a enxergar quem pensa diferente como um adversário.
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O especialista compara esse comportamento ao chamado efeito manada, em que indivíduos acabam reproduzindo atitudes do grupo ao qual pertencem.
"Acho que você tem o direito de defender o seu ponto de vista e você ter um debate e ele pode até ser acalorado, mas nunca agressão, nunca falta de respeito", afirmou.
Segundo o psicólogo, o ambiente universitário deve permitir a convivência entre diferentes opiniões.
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"Porque a universidade tem que ser um lugar de você debater e de construir e não de destruir", destacou.
Universidade pode ser responsabilizada se não agir diante de denúncias?
O especialista em direito educacional Paulo Bandeira explica que instituições de ensino podem ser responsabilizadas civilmente caso sejam formalmente comunicadas sobre situações que exijam providências e deixem de agir.
"Uma vez que a instituição de ensino seja comunicada e não tome nenhuma atitude em relação ao que foi denunciado, aí sim, civilmente pode ser que ela seja responsabilizada pela omissão", explicou.
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A eventual responsabilidade depende da análise das circunstâncias e das medidas adotadas pela instituição.
Os relatos apresentados pelos estudantes ainda precisam ser apurados para esclarecer a participação dos envolvidos e verificar possíveis responsabilidades.
