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Eleições

Caiado defende polícia transnacional e diz que Brasil é 'resort do tráfico'

Candidato propõe polícia conjunta de dez países com livre trânsito, promete anistia ampla no 1º dia

5 min

25/08/2026 22:20 • Atualizado há 59 dias

Caiado defende polícia transnacional e diz que Brasil é 'resort do tráfico'

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) falou sobre suas propostas para a segurança pública, caso seja eleito presidente nas eleições de outubro, e defendeu a criação de uma força de segurança conjunta internacional, com países vizinhos. Em meio a críticas à gestão atual, o ex-governador de Goiás classificando o Brasil como "nicho para traficante na América Latina" e "resort do narcotráfico".

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Durante sabatina na TV Globo, na noite desta terça-feira (25), Caiado afirmou que, apesar de o Brasil não ser produtor de cocaína, o país transformou a região amazônica no maior hub de narcotráfico do continente, abrigando facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), ao lado de cartéis do México e da Colômbia.

O que precisamos, agora, é que um presidente tenha a estatura de um presidente, que ele saiba a função dele e, mais do que nunca, entender que estamos sediando na Amazônia o maior hub de narcotráfico, com facções do PCC, CV, México, Colômbia, colocando em risco as produções brasileiras, a ponto de Itália e EUA colocarem como algo inadmissível que essa estrutura continue. --Ronaldo Caiado

Como resposta a esse cenário, a sua principal proposta para o setor é a criação de uma polícia conjunta de dez países da América Latina governados pela centro-direita. Essa força policial de cooperação transnacional teria autorização para entrar livremente no território brasileiro, o que o candidato garante não comprometer a soberania nacional, pois, segundo ele, o que compromete a soberania é o não poder ir e vir, em referência à ação de facções em áreas carentes.

O modelo proposto funcionaria de forma semelhante à Europol, segundo ele, com as polícias coordenadas por uma central de inteligência sob o comando do Ministério da Segurança Pública, preservando-se o comando supremo das Forças Armadas nas mãos do Presidente da República. Adicionalmente, Caiado planeja uma forte parceria com o Judiciário para o confisco de bens de criminosos, canalizando os recursos diretamente para financiar o combate ao crime.

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Anistia e "pacificação" nacional

Apesar da retórica rígida contra o crime, Caiado adota um discurso conciliador para a arena política nacional. O candidato anunciou que o seu primeiro ato de governo será encaminhar ao Congresso uma proposta de anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados pela tentativva de golpe de estado em 8 de janeiro de 2023. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é um dos condenados e está cumprindo pena de 27 anos e 3 meses de prisão.

O objetivo é pôr fim à extrema polarização e ao clima de "ódio e revanche" que, segundo ele, paralisaram o país e fizeram com que 82 milhões de brasileiros deixassem de ir às urnas no último pleito. Caiado chegou a comparar a anistia que pretende aprovar com a libertação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da prisão, em novembro de 2019, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou descumprimento de normas no julgamento dele.

Primeiro, tenho essa responsabilidade, sim... tenho uma formação, sou democrata na essência. Jamais transgredi as regras da democracia. Já ganhei, perdi eleições, nunca contestei eleições e posso dizer que o traço do brasileiro não é de construir o ódio ou essa revanche eterna. Desde o império já tivemos a anistia. --Ronaldo Caiado

Ajuste fiscal e ataque a salários

No campo econômico, Caiado propõe uma mudança radical no modelo de governabilidade, afirmando que a atual gestão não tem capacidade para aprovar emendas no Congresso. Ele promete substituir o arcabouço fiscal por uma emenda constitucional rigorosa que limitará as despesas do governo federal, corrigindo-as apenas pela inflação, para que atinjam o teto máximo de 50% do PIB.

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O candidato assegura que o ajuste fiscal não atingirá os beneficiários de salário mínimo ou aposentados. O foco do corte de gastos será a eficiência administrativa, o combate a desvios de verba e a eliminação de salários abusivos no serviço público. Sobre o equilíbrio da Previdência, ele preferiu não fixar parâmetros de antemão, comprometendo-se a ouvir "as melhores cabeças" para formular um plano de sustentabilidade técnica.

Choque de autoridade moral

Ao analisar a situação de endividamento dos brasileiros --com quase 84% de inadimplência--, o candidato atacou severamente o programa de renegociação de dívidas do governo federal, o "Desenrola". Caiado classificou o presidente Lula como o "verdadeiro agiota do Brasil" por incentivar o uso do FGTS e do crédito consignado para pagar juros elevados ao mercado financeiro.

Eu não vou mentir para vocês... vocês tinham que perguntar para o Lula sobre o Desenrola. Ele que se enrolou, e virou o verdadeiro agiota do Brasil. Ele impõe essas regras e você ficou com taxa de juros de 20%, gastou tudo no consignado, agora ele fala: ‘pega seu FGTS e vai pagar o agiota’. --Ronaldo Caiado

Como contrapartida, propõe um "choque de autoridade moral" liderado por um presidente de "mãos limpas", o que ele afirma ser suficiente para reconquistar a confiança do mercado, derrubar as taxas de juros para a faixa de 6% e fixar a inflação em 3%. "O divisor de águas nesta eleição é a moral", resumiu.

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Transparência eleitoral e apelo

Visando a lisura do pleito eleitoral, Caiado fez um apelo público ao STF para que suspenda o sigilo de investigações em andamento de grande repercussão, citando os casos do INSS, o Caso Master e a operação Carbono Oculto, para evitar que candidatos envolvidos em crimes graves consigam se eleger.

O governador de Goiás, que afirma ostentar 89% de aprovação no estado e destaca a evolução na educação estadual, concluiu fazendo um apelo de voto de confiança aos eleitores com mais de 60 anos, apresentando-se como uma liderança com a independência moral e intelectual necessária para governar o país.

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