
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou nesta quinta-feira (28) a desistência de sua candidatura ao Senado. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Castro afirmou que tomou "a decisão mais difícil" de sua vida e que pretende concentrar esforços em sua defesa.
"Resolvi retirar a minha candidatura ao Senado Federal para que eu possa me focar completamente na minha defesa", disse. Castro enfrenta dois inquéritos conduzidos pela Polícia Federal e afirmou que não tem "a menor dúvida da lisura" de seus atos, mas reconheceu precisar de tempo para apresentar a defesa.
O anúncio ocorre dois dias após Castro ser alvo, pela segunda vez em menos de quinze dias, de operações da PF. Na última terça-feira (26), agentes federais cumpriram dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Brasília no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a transferência de quase R$ 3 bilhões do governo do Estado para fundos ligados ao Banco Master. Os mandados foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 15 de maio, Castro já havia sido alvo da Operação Sem Refino, que apura a atuação de um conglomerado do setor de combustíveis suspeito de ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. Na ocasião, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal.
No vídeo, o ex-governador citou a família como fator central na decisão. "Foram dias de dor, dias de exposição, dias de mentiras", afirmou, acrescentando que os últimos dias foram marcados por "meias verdades" que, em sua avaliação, tentaram criminalizar atos que considera corretos.
Castro disse que sua equipe jurídica já apresentou defesa no primeiro processo e que, até a próxima terça (2), uma nova petição será protocolada para explicar os limites legais da atuação do cargo de governador. "Não tenho dúvida que a verdade será esclarecida. Não tenho dúvida que as meias verdades cairão", afirmou.
A candidatura de Castro tinha pouca chance de vingar pelo fato do ex-governador do Rio ter sido condenado à inelegibilidade pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE) em março por abuso dos poderes político e econômico nas eleições de 2022.
Na ocasião, a Corte Eleitoral o condenou pelo uso eleitoral das estruturas da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Segundo o documento, houve descentralização orçamentária de cerca de R$ 600 milhões, com crescimento exponencial dos repasses às duas entidades em 2021 e, principalmente, no ano eleitoral de 2022.
