Congresso dos EUA questiona se Trump foi comunicado sobre ações da Meta no Brasil
Membros do Congresso dos Estados Unidos enviaram uma carta nesta quinta-feira (22) ao CEO da Meta, Mark Zuckerberg, pedindo explicações detalhadas sobre a

Congresso dos EUA questiona se Trump foi comunicado sobre ações da Meta no Brasil
Reuters
Membros do Congresso dos Estados Unidos enviaram uma carta nesta quinta-feira (22) ao CEO da Meta, Mark Zuckerberg, pedindo explicações detalhadas sobre a atuação da empresa durante as eleições no Brasil. Os legisladores americanos fixaram prazo até 4 de novembro para que a companhia apresente respostas por escrito, além de solicitarem uma reunião imediata para tratar das instruções de moderação adotadas nas plataformas.
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A iniciativa dos 13 parlamentares, entre eles Bernie Sanders e Pramila Jayapal, ocorreu dois dias após cinco organizações civis solicitarem ao Legislativo norte-americano a abertura de investigação formal. Os representantes exigem transparência sobre as diretrizes técnicas das plataformas e o cumprimento de determinações judiciais.
"Em eleições democráticas, cabe às empresas de redes sociais garantir que os candidatos recebam tratamento e acesso equitativos em relação à distribuição, moderação e recomendação de conteúdos relacionados à campanha em suas plataformas. Estamos, portanto, profundamente preocupados com relatos credíveis de que as plataformas da Meta estão restringindo ou suprimindo conteúdos associados à campanha de Lula, enquanto amplificam ou recomendam conteúdos associados à campanha de Bolsonaro, criando assim condições visivelmente desiguais no ambiente digital."
Possível contato com governo dos EUA
Entre as exigências encaminhadas ao comando da Meta, os congressistas questionam formalmente se a empresa manteve comunicações com o governo de Donald Trump relacionadas ao Poder Judiciário do Brasil, às iniciativas de regulamentação governamentais, ao pleito eleitoral de 2026 ou à diplomacia bilateral.
Caso essas conversas tenham ocorrido, os parlamentares demandam a divulgação integral de todos os conteúdos trocados, compreendendo atas de reuniões, telefonemas, cartas, e-mails e mensagens de texto.
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O diretor executivo do Washington Brazil Office e doutor em direito, Paulo Abrão, pontua que a movimentação visa à cobrança regulatória das empresas de tecnologia.
"Isso não comprova qualquer articulação política, mas coloca sob escrutínio a possível relação entre interesses governamentais, poder das grandes empresas de tecnologia e soberania eleitoral brasileira. O princípio democrático é simples: uma empresa privada não pode exercer um poder invisível sobre as condições da competição eleitoral."
Bloqueios em anúncios e falhas algorítmicas
O documento enviado a Zuckerberg detalha episódios registrados na propaganda eleitoral na internet, como a desativação da conta de anúncios do Partido dos Trabalhadores (PT) em setembro e bloqueios operacionais no Instagram que barraram publicidades petistas por quase 24 horas em outubro, afetando cerca de 1,3 milhão de pessoas.
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Os parlamentares também cobraram esclarecimentos sobre mensagens internas da empresa, nas quais funcionários indicam saber de algoritmos que favoreciam a página de Flávio Bolsonaro (PL) – prática vetada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A carta cita ainda a atuação assimétrica da ferramenta Meta AI, acusada de gerar peças de suporte ao senador do Partido Liberal e bloquear comandos da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A empresa enfrenta contestações de autoridades no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral impôs multas financeiras à Meta e exigiu conformidade em relação ao tratamento entre os postulantes ao Planalto. Ao mesmo tempo, a coordenação jurídica de Lula ajuizou ação pedindo a cassação da chapa adversária sob alegação de benefício digital. A Meta nega favorecimento.
Transparência e auditoria independente
Os congressistas cobram dados sobre as 17 medidas adotadas pela empresa para atender às exigências do tribunal eleitoral brasileiro, além de esclarecimentos sobre a regra que obriga a revisão manual de contas restringidas em até duas horas.
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O grupo de legisladores solicita que a Meta informe se autorizará a entrada de um auditor externo para fiscalizar métricas de distribuição e regras de moderação no país. Para Paulo Abrão, a pressão internacional pode funcionar preventivamente na votação do segundo turno, além de inaugurar parâmetros de responsabilização algorítmica a longo prazo.
