
No Dia da Mentira, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) reforça o combate à desinformação ao esclarecer mitos recorrentes que costumam circular com maior intensidade às vésperas das Eleições 2026. O órgão alerta que notícias falsas sobre a segurança das urnas eletrônicas e o funcionamento do sistema de votação representam danos severos à democracia e buscam confundir o eleitorado.
Entre as mentiras mais comuns está a afirmação de que os votos em branco seriam transferidos para o candidato vencedor. Na realidade, tanto votos brancos quanto nulos são descartados e não possuem validade para a contagem final nem para o cálculo do quociente eleitoral.
Da mesma forma, é falso que uma eleição possa ser anulada se mais de 50% dos eleitores votarem nulo; a legislação prevê a nulidade do pleito apenas em casos de fraudes comprovadas ou irregularidades jurídicas graves, e não por manifestação de vontade dos votantes.
Auditoria e segurança do sistema eletrônico
A tese de que a urna eletrônica não é auditável é um dos pontos centrais da desinformação combatida pelo tribunal. O TRE-SP destaca que o equipamento passa por diversas camadas de fiscalização, como o Registro Digital do Voto (RDV), o Teste Público de Segurança (TPS) e a auditoria dos códigos-fonte. Esses processos permitem que partidos e instituições verifiquem a integridade dos dados sem violar o sigilo do voto.
Outro mito frequente é a suposta necessidade do voto impresso para garantir transparência. Relatórios das Eleições 2002, quando módulos de impressão foram testados, apontaram que o sistema físico aumentou o tempo de filas, gerou mais defeitos nas urnas e abriu brechas para fraudes mecânicas, como a inserção ou retirada manual de cédulas. Atualmente, o Brasil utiliza um hardware de segurança autossuficiente e sem conexão à internet, o que impede ataques de hackers.
Alerta contra golpes e canais oficiais
Além das notícias falsas, a Justiça Eleitoral alerta para o crescimento de casos de phishing — golpes digitais onde criminosos enviam mensagens falsas sobre multas ou cancelamento de títulos para roubar dados bancários. O Tribunal esclarece que não utiliza intermediários para cobranças e que qualquer pendência deve ser resolvida exclusivamente pelo aplicativo e-Título ou pelo portal de Autoatendimento Eleitoral.
Para as Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) endureceu as normas contra o uso de Inteligência Artificial (IA) para desinformação. A divulgação de conteúdos sintéticos (deepfakes) de candidatos está proibida nas 72 horas que antecedem o pleito. Perfis que utilizarem robôs para espalhar mentiras sistemáticas poderão ser removidos imediatamente por decisão judicial, visando preservar a lisura do processo democrático.
