
Lupa: É falso que pesquisa AtlasIntel suspensa pelo TSE apontou 75% para Lula no 1° turno
Reprodução
Circula no Facebook, X, YouTube e Instagram uma imagem que atribui à pesquisa AtlasIntel/Bloomberg – suspensa por decisão liminar do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques – um resultado que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 75% das intenções de voto no primeiro turno das eleições, contra 25% do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). É falso.
Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

Os dados utilizados no gráfico são falsos. A pesquisa de intenção de voto AtlasIntel/Bloomberg suspensa pelo TSE não apontou os percentuais apresentados.
O levantamento, divulgado em 19 de maio e suspenso por Nunes Marques no dia 8, mostra o presidente Lula com 47% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34,3% de Flávio Bolsonaro. A diferença entre os dois era de 12,7 pontos percentuais, e não 50 pontos, como sugere a publicação enganosa.
O que aconteceu?
A decisão de Nunes Marques, relator do caso no TSE, determinou a suspensão da divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg após representação apresentada pelo Diretório Nacional do Partido Liberal (PL).
Segundo o PL, a metodologia adotada pela AtlasIntel teria induzido a percepção negativa sobre o pré-candidato Flávio Bolsonaro. O partido argumenta que a pesquisa extrapolou a função de aferir a opinião pública ao incluir perguntas relacionadas ao envolvimento do senador com o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Entre as alegações, o PL cita a utilização, durante a pesquisa, de um áudio entre Flávio e Vorcaro. Divulgada pelo Intercept Brasil em maio, a gravação mostra o senador pedindo recursos ao banqueiro para a produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em nota, a AtlasIntel afirmou que respeita a decisão do TSE, mas negou que tenha havido indução dos entrevistados. Segundo o instituto, as perguntas sobre intenção de voto foram aplicadas aos participantes sem a reprodução do áudio que motivou a contestação do PL.
“O questionário principal foi integralmente concluído antes de qualquer contato do participante com o conteúdo audiovisual. Não houve qualquer tipo de indução aos entrevistados”, afirma.
Segundo o instituto, o áudio foi apresentado aos participantes após estes responderem o questionário da pesquisa, em um processo separado e não relacionado à pesquisa. “Os participantes eram redirecionados para uma página completamente separada do questionário, onde eram convidados a registrar suas reações enquanto ouviam o áudio por meio da ferramenta Atlas VRC”, acrescenta a nota.
A ferramenta, afirma a AtlasIntel, tem finalidade de medir, segundo a segundo, a reação de uma amostra representativa da população a conteúdos audiovisuais. Enquanto assistem, os participantes usam uma interface visual para registrar o nível de aprovação ou desaprovação em relação ao que estão vendo ou ouvindo.
Julgamento segue em andamento
No dia seguinte à decisão de Nunes Marques, dia 9, o plenário do TSE iniciou a análise do referendo da liminar que suspendeu a pesquisa. O julgamento foi interrompido depois de a ministra Estela Aranha pedir vistas do processo. Com isso, a decisão continua em vigor e o levantamento permanece suspenso. Não há data definida para a retomada da análise.
Como funciona o registro de pesquisas eleitorais
A legislação eleitoral determina que empresas e institutos que realizam pesquisas de opinião pública sobre eleições ou candidatos registrem os levantamentos na Justiça Eleitoral até cinco dias antes da divulgação dos resultados.
A exigência está prevista no artigo 33 da Lei das Eleições (Lei n. 9.504, de 30 de setembro de 1997) e na Resolução nº 23.600, de 12 de dezembro de 2019. O registro deve ser feito por meio do Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle), que reúne informações como metodologia, plano amostral, período de realização, contratante e valor da pesquisa.
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