2026

Eleições 2026: os destaques de Augusto Cury no 1º debate presidencial

Candidato do Avante tratou de temas como economia, relações externas, educação, agronegócio e segurança durante o encontro transmitido pela emissora. Antes de ocupar o púlpito, protestou contra ausência de Lula e Flávio Bolsonaro

9 min

23/08/2026 21:35 • Atualizado há 61 dias

Eleições 2026: os destaques de Augusto Cury no 1º debate presidencial

O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) apresentou propostas de governo e respondeu aos questionamentos dos adversários durante o primeiro debate presidencial das Eleições 2026, realizado pela Band neste domingo (23).

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Além de Cury, também estiveram presentes Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não compareceram.

Protesto na chegada e críticas à polarização

Antes de entrar nos estúdios, Cury organizou uma manifestação contrária às ausências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O escritor chegou a anunciar que não participaria do encontro, mas reverteu o posicionamento após conversar com o jornalista Fernando Mitre.

"Eu estou aqui fazendo um protesto, colocando meu coração em frente à TV Band, com muito respeito à TV Band, mas estou profundamente magoado, consternado pela ausência do debate de duas pessoas que adoeceram essa nação devido à polarização", declarou o candidato na entrada do prédio.

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Para o postulante, o não comparecimento dos adversários representou um "desrespeito à nação brasileira". Cury enfatizou a urgência de interromper disputas partidárias acirradas no país.

"Precisamos pacificar essa nação, pois nenhuma nação se desenvolve com essa guerra de egos, com essa polarização insana. Eu queria estar discutindo com você, Lula da Silva, e com você também, Flávio Bolsonaro", completou o escritor.

Reformulação no ensino e intoxicação digital

Ao iniciar sua participação no palco, Cury diagnosticou um quadro de colapso nas instituições de ensino e defendeu o foco prioritário no desenvolvimento do raciocínio lógico dos estudantes por meio da matemática.

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"Quem não aprende matemática não desenvolve o raciocínio lógico. E, consequentemente, isso pode condená-los a vida toda a não ter gestão financeira e a debater ideias adequadamente", argumentou o presidenciável, que também alertou para a dependência de celulares e redes sociais entre os jovens.

"Nós precisamos revolucioná-la [a educação]. Os professores são cozinheiros do conhecimento que preparam alimento para uma plateia que não tem mais apetite. Devido ao quê? Devido à intoxicação digital e também devido a uma educação cartesiana e racionalista em que o professor, através da orientação do MEC, é cartesiano, um expositor seco e frio", ponderou.

O autor ainda defendeu o acolhimento a alunos neurodivergentes e o estímulo à empatia entre os neurotípicos, prometendo capacitar professores para a construção de "um ecossistema emocional" nas salas de aula.

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Diplomacia com Estados Unidos e China

Questionado sobre as diretrizes para a política externa em meio aos atritos comerciais com o governo Donald Trump, Cury sustentou que o país precisa manter postura firme diante da cobrança de alíquotas cumulativas de 37,5% sobre produtos brasileiros.

"Os Estados Unidos estão passando por alguns problemas e quase ninguém fala. Devem cerca de 40 trilhões de dólares, cerca de 122% do PIB. Por detrás desse tarifaço, há um desespero enorme em resolver as contas públicas federais americanas", avaliou.

O postulante assegurou que sua experiência em mediação ajudará a construir um diálogo sólido com Washington e Pequim, descartando qualquer submissão de ordem diplomática.

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"Eu sempre fui um homem da pacificação. Inclusive, tem um livro, Solução Pacífica de Conflitos, com grandes juristas desta nação. Eu sei como pacificar. Pacificação em primeiro lugar. Subserviência, servidão, jamais", pontuou.

Metas para o campo e apoio à saúde emocional

Em resposta a Ronaldo Caiado (PSD), Cury apresentou a meta de elevar a produção nacional de grãos de 350 milhões para 700 milhões de toneladas em dez anos, o que permitiria alimentar até 2,5 bilhões de pessoas no planeta.

O escritor criticou a defasagem entre o lucro reduzido do produtor e os juros bancários cobrados no setor, associando a pressão do mercado aos transtornos psicológicos entre os trabalhadores rurais.

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"Vocês, agricultores, infelizmente têm uma lucratividade de 5% a 7% e pagam um custeio de 20% ao ano. Não é possível. Isso é uma afronta contra vocês. O índice de depressão entre os agricultores é o dobro da média da população em geral, cerca de 30% a 36%. Vamos abraçar vocês", prometeu.

Na visão de Cury, a expansão da colheita e o aproveitamento de recursos estratégicos recolocarão o país no centro das decisões mundiais.

"Nos próximos 10 anos vamos sentar de igual para igual com a China, com a Índia e com os Estados Unidos. Vem comigo, agricultor, vem comigo vocês que trabalham e produzem, porque o Brasil tem cura", declarou.

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Defesa da divergência e apoio a microempresas

Durante embate direto com Renan Santos (Missão), Cury condenou os ataques desferidos contra figuras públicas e eleitores, destacando que a agressividade sufoca a convivência democrática.

"Olha, Renan, você tem um nível de agressividade que me assombra. As ideias podem ter fundamento, mas a agressividade asfixia a capacidade de pessoas terem as suas próprias opiniões. Nós estamos numa democracia, e a beleza dela está na divergência", rebateu.

Na área econômica, o médico prometeu conceder crédito para mais de 10 milhões de microempresas por meio da reestruturação do BNDES em duas frentes independentes.

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O candidato explicou que abrirá postos do Banco do Empreendedor e da Escola do Empreendedor em colégios públicos e comunidades para preparar a população para as mudanças decorrentes da robótica e da inteligência artificial.

Transição para escala 5x2 e estresse profissional

Ao avaliar a jornada de trabalho semanal, Cury defendeu a implementação do modelo 5x2 como mecanismo de proteção à saúde física e mental da classe trabalhadora.

"Tem um problema, Renan. 30% dos trabalhadores do Brasil estão com síndrome de burnout, estresse profissional, dores de cabeça, dores musculares, autocobrança, cobrança excessiva", alertou o psiquiatra.

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O candidato apontou que o descanso adequado amplia a produtividade no ambiente corporativo, embora tenha ponderado a necessidade de adequações técnicas para atividades que exigem plantões ou regimes contínuos.

"A escala 5x2 atende à necessidade dos trabalhadores. Eles vão poder ter mais tempo com a família, mais qualidade de vida e, consequentemente, produzirão mais. A escala 6x1 atende determinados setores da economia. O que nós temos que fazer é ajustar para atender às necessidades dos trabalhadores e também das empresas", sustentou.

Julgamento rápido de corrupção e impacto da dívida

Ao comentar episódios de corrupção e citar o caso do Banco Master, o postulante propôs equiparar fraudes e desvios praticados no poder público a crimes hediondos e violentos, com limite de seis meses para a sentença judicial.

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"A dívida brasileira tem rosto: tem o rosto do seu filho, de cada criança e cada adolescente. Uma criança já nasce no Brasil devendo R$ 50 mil, pagando no mínimo 20% de juros ao ano: 14% da taxa Selic, mais o spread de 5% a 6%", explicou Cury.

O autor ressaltou sua independência financeira em relação aos cargos públicos ao justificar o endurecimento das penas.

"A corrupção vai ser tratada como crime violento, porque é um crime contra o seu filho, a sua família e o seu futuro", destacou o postulante do Avante.

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Reestruturação policial e projeto FATO

No bloco sobre segurança pública, Cury apresentou o programa FATO (Força de Alerta Total) para integrar os trabalhos da Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal.

"O FBI tem 38 mil policiais. A nossa polícia tem menos de 15 mil e faz todo o trabalho que tem de maneira heroica, mas não pode ter interferência política como está tendo", frisou o candidato.

A proposta inclui a criação da Polícia Foco, destinando 5% do quadro de funcionários dos municípios para tarefas de segurança após treinamento com tropas de elite.

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Cury lembrou sua atuação na International Policy Association e os cursos voluntários ministrados a juízes e promotores para defender a modernização das instituições: "Pior do que o crime organizado é o Estado desorganizado. Assim, de fato, vamos ter um ecossistema tão poderoso que vamos chegar antes do crime".

Trajetória familiar e formação de equipe técnica

Nas considerações finais, Cury resgatou a própria história de superação desde a infância humilde e a formação médica na rede pública de ensino, reforçando o casamento de 43 anos e as publicações distribuídas internacionalmente.

"Eu não apenas sou escritor. Escrevi mais de 70 livros, mas sou gestor de empresas e também agricultor com vários projetos. Eu quero usar toda a minha experiência que tive fora da política para chamar os melhores profissionais: os melhores governadores sem histórico de corrupção, os melhores economistas e também os melhores gestores", afirmou.

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Ao concluir seu discurso, o presidenciável pediu o apoio direto dos eleitores para divulgar suas propostas na campanha eleitoral.

"O Brasil merece se desenvolver não com grito, não com agressividade, não diminuindo as pessoas, mas de fato formando um time de ouro. Se você achar que eu mereço o seu voto, faça um vídeo de apoio, porque furar essa bolha só depende de você", finalizou.

Chegada dos candidatos à sede da Band

Os candidatos à Presidência começaram a chegar na sede da Band a partir das 18h. Renan Santos (Missão) foi o primeiro, e fez críticas às ausências de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo). O postulante também exibiu fraldas com os nomes dos dois adversários.

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O segundo candidato que chegou à emissora foi o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que também citou as ausências de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). “Infelizmente dois fujões não estão presentes”, disse Caiado.

Já Augusto Cury (Avante) fez um protesto pela ausência dos candidatos, e anunciou que não participaria do evento. No fim, Cury voltou atrás em sua decisão e optou por participar do debate.

Regras do debate

Os candidatos podem caminhar pelo estúdio e gerenciar o próprio tempo sob o controle de um cronômetro na tela. Aqueles que optaram por não comparecer são representados no palco por uma cadeira e um púlpito vazio.

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  • 1º Bloco: Início com perguntas dos mediadores Adriana Araújo e Eduardo Oineg (respostas de 2 minutos por candidato). Em seguida, primeiro confronto direto: quem perguntou tinha 1 minuto; quem respondeu administrou um banco de 4 minutos entre a resposta e a tréplica; e o autor da pergunta tinha 1 minuto para réplica. Cada candidato só pôde ser escolhido para responder uma vez nesta rodada.
  • 2º Bloco: Momento para perguntas de jornalistas do Grupo Bandeirantes. O candidato sorteado para responder tinha 4 minutos para dividir entre resposta e réplica. Outro candidato foi escolhido para comentar a fala em 1 minuto.
  • 3º Bloco: O modelo de confronto direto do primeiro bloco (perguntas de 1 minuto, respostas de 4 minutos e réplicas de 1 minuto) foi repetido. Por fim, considerações finais com 1 minuto e meio para cada candidato.

Os candidatos têm direito de resposta a ofensas de cunho pessoal ou moral, que serão avaliadas em tempo real por uma comissão jurídica e jornalística da emissora. Caso o pedido seja aceito, o candidato ofendido ganha 1 minuto exclusivo para se posicionar no mesmo bloco.

Quando será o próximo debate eleitoral?

Serão três debates presidenciais antes do primeiro turno das Eleições 2026. Confira o cronograma:

  • 14 de setembro: Debate organizado em formato de pool por um consórcio de veículos de imprensa que inclui CNN Brasil, SBT e revista VEJA.
  • 27 de setembro: Encontro promovido pela Record.
  • 1º de outubro: TV Globo encerra debates antes do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.
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