2026

Eleições: veja 5 viradas históricas na disputa pela Presidência do Brasil

A quatro dias do segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo (25), as pesquisas eleitorais mostram um cenário acirrado na reta final da disputa.

6 min

21/10/2026 06:00 • Atualizado há 4 dias

Eleições: veja 5 viradas históricas na disputa pela Presidência do Brasil

Band TV

A quatro dias do segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo (25), as pesquisas eleitorais mostram um cenário acirrado na reta final da disputa. O pleito, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), tem projeções inconclusivas, com cenário de empate técnico em algumas pesquisas eleitorais. Com isso, a eleição deste ano já se consagra como uma das mais disputadas da República brasileira.

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Mas não é a primeira vez que uma disputa eleitoral conta com tantas reviravoltas. As projeções de uma eleição acontecem muito antes do período eleitoral, e conseguem mapear a mudança de interesse do eleitorado e o impacto de acontecimentos —de ordem política, econômica ou mesmo pessoal— que balançam a percepção pública.

Independentemente do resultado, as eleições de 2026 já terão conclusão histórica. Se Flávio Bolsonaro vencer, será o primeiro filho de um ex-presidente da República a alcançar o mesmo posto. Caso a vitória seja de Lula, ele será o primeiro a ter quatro mandatos presidenciais na história do país, além de marcar a primeira virada de um candidato no segundo turno.

Além de concluir a disputa presidencial, concentrada entre Lula e Flávio, outros cinco estados, além do Distrito Federal, também finalizam as disputas ao governo estadual neste segundo turno. São eles: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins.

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Relembre viradas históricas de eleições presidenciais no Brasil

1989: Fernando Collor x Lula x Leonel Brizola

Fernando Collor não tinha força política e era praticamente um desconhecido nas pesquisas eleitorais do início de 1989. Em fevereiro e março pontuou, respectivamente, 5% e 7% das intenções de voto pela pesquisa Ibope.

Afiliado ao PRN na época, partido de composição inexpressiva e sem força política, ele era, contudo, presença constante no noticiário brasileiro pelo discurso moderno, de renovação política (com forte apelo à juventude). Em 1988, tornou-se oficialmente o "Caçador de Marajás", alcunha dada pela revista Veja para ilustrar a postura combativa contra privilégios e a corrupção.

Collor liderou o primeiro turno com 30,47% das intenções de voto. No segundo turno, contra Lula, a popularidade de ambos oscilou, e havia edições em que Lula aparecia em primeiro e conseguia ultrapassar Collor. Mas o candidato do PRN acabou levando o pleito com 53% dos votos. A diferença entre ambos foi de pouco mais de 35 milhões de votos.

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1994: Fernando Henrique Cardoso x Lula

Entre 1993 e 1994, Lula estava novamente na disputa e era o favorito para vencer, chegando a mais de 40% das intenções de voto. A popularidade expressiva era uma resposta ao escândalo de corrupção envolvendo Collor. No período, Fernando Henrique Cardoso (MDB) era ministro da Fazenda de Itamar Franco, que assumiu a Presidência com o impeachment de Collor, e idealizava a implementação do Plano Real.

Nas pesquisas eleitorais, FHC apareceu inicialmente com 12% a 17% das intenções de voto, mas o sucesso do Plano Real em controlar uma altíssima inflação, devolver o poder de compra e estabilizar a renda dos brasileiros fez sua popularidade explodir. Entre julho e agosto, FHC começou a ultrapassar Lula e, nas urnas, acabou levando a melhor. Ele venceu o segundo turno com 54,2% dos votos contra 25% recebidos por Lula.

2006: Lula x Geraldo Alckmin

A eleição presidencial de 2006 é um dos episódios mais intrigantes da história política recente porque contrariou a lógica tradicional da dinâmica do segundo turno. A surpresa neste cenário não foi o resultado em si, mas o comportamento registrado pelo eleitorado frente à candidatura de Alckmin no segundo turno. Entre um turno e outro, Lula ganhou 11,6 milhões de votos, enquanto Alckmin perdeu 2,4 milhões de votos.

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Na época, o governo Lula começava a ser visto de forma desgastada pelo eleitorado devido a escândalos políticos, como o do Mensalão, que estouraram pouco antes do primeiro turno. Assim, a expectativa era de que Alckmin conseguisse concentrar com mais força os votos antipetistas e dos insatisfeitos com o atual governo. Lula liderou o primeiro turno com 48,61% dos votos contra 41,64% recebidos por Alckmin.

As pesquisas eleitorais mostravam vitória certa para Lula, que abriu as pesquisas com 60% das intenções de voto contra 40% de Alckmin. Alckmin tentou adotar tom duro contra as acusações de privatização de estatais e de ameaça aos programas sociais, como o Bolsa Família e contra o aumento do salário mínimo. Paralelamente, Alckmin não conseguiu engrenar uma boa imagem com os indecisos. O resultado foi uma vitória esmagadora do petista por 60,83% dos votos contra 39,17%.

2014: Dilma Rousseff x Aécio Neves x Marina Silva

Os ânimos das eleições de 2014 estavam aflorados desde a pré-campanha por um cenário atípico: em agosto daquele ano, o terceiro colocado nas pesquisas eleitorais, Eduardo Campos (PSB), sofreu um acidente aéreo e morreu. Ele tinha entre 8% a 10% das intenções de voto e foi substituído por Marina Silva.

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Ao assumir a chapa, ela chegou a bater 30% das intenções de volta devido à comoção popular, ultrapassando o segundo colocado, Aécio Neves (PSDB), e até Dilma Rousseff (PT) em projeções de segundo turno. O resultado no primeiro turno de votação teve Dilma na liderança (41,5%), seguida de Aécio (33,5%) e Marina (21,3%).

O cenário de incerteza perdurou do início ao fim e resultou na vitória de Dilma com 51,6% dos votos contra 48,3%. A diferença de votos entre eles foi de 3,28 pontos percentuais, considerada até então a menor diferença entre os dois candidatos em um segundo turno.

2018: Jair Bolsonaro x Fernando Haddad x Lula

As eleições presidenciais de 2018 foram marcadas por uma série de reviravoltas. A começar pela candidatura de Lula, que já era incerta pela chance de ser preso e tornar-se inelegível —o que realmente aconteceu. Antes disso, o petista liderava as intenções de voto com 30%.

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Jair Bolsonaro pontuava entre 18% e 20% na época, mas foi ganhando popularidade pela postura direta e defesa do conservadorismo, além de ter se tornado o rosto da insatisfação com a política brasileira.

Com a prisão de Lula, o PT escolheu Fernando Haddad (PT) para substituí-lo no pleito a menos de um mês da realização do primeiro turno.

Em setembro, outra reviravolta ocorreu quando Jair Bolsonaro sofreu uma facada durante um comício em Juiz de Fora, em Minas Gerais. O ataque e a postura do candidato nas redes sociais fizeram com que ele saltasse nas pesquisas: ele venceu a eleição no segundo turno com 40,03% dos votos válidos.

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2022: Lula x Jair Bolsonaro

A eleição de 2022 entrou para a história como a disputa mais acirrada da República. A polarização levou a marcas inéditas: Lula consagrou-se como o presidente mais votado da história do Brasil e o primeiro a se eleger a um terceiro mandato. Enquanto isso, Bolsonaro atingiu a maior votação já obtida por um candidato derrotado.

O momento mais marcante foi a apuração minuto a minuto. Nas primeiras horas de apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro abriu vantagem e manteve-se à frente até alcançar mais de 60% das urnas apuradas, impulsionado pela contagem mais rápida no Sul, Centro-Oeste e Sudeste.

No entanto, com a entrada maciça das urnas do Nordeste e das periferias, a distância encurtou rapidamente. Às 18h45, com quase 70% da apuração concluída, Lula assumiu a liderança e manteve-se assim até o fim da contagem.

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Lula venceu com 50,90% dos votos válidos (60,3 milhões de eleitores), enquanto Bolsonaro alcançou 49,10% (58,2 milhões de votos). Essa diferença de apenas 1,8 ponto percentual, equivalente a 2,1 milhões de votos, superou o recorde de 2014 e tornou o pleito o mais apertado já registrado no país.