Em carta, Bolsonaro declara apoio a deputado da polêmica dos R$ 15 milhões

Carta divulgada por Michelle cita lista do PL ao Senado e ocorre após polêmica sobre suposto pedido de R$ 15 milhões

Da redação com Estadão Conteúdo
Em carta, Bolsonaro declara apoio a deputado da polêmica dos R$ 15 milhões
Deputado federal Marcos Pollon (PL-MS)
Agência Câmara de Notícias/Divulgação

Em carta divulgada neste sábado (28) pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, declarou apoio à pré-candidatura do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) ao Senado por Mato Grosso do Sul.

O que diz a nova carta

No texto, Bolsonaro afirma que "brevemente" vai tornar pública uma lista com os pré-candidatos do Partido Liberal ao Senado em todo o país. Segundo ele, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, delegou a ele a responsabilidade de organizar essa relação.

Ao tratar do Mato Grosso do Sul, o ex-presidente indica o nome de Pollon como seu preferido na disputa pela vaga. "Adianto que, por Mato Grosso do Sul, pelo seu caráter, honra e dedicação enquanto deputado federal, o meu candidato será Marcos Pollon", escreveu.

Michelle Bolsonaro afirma que publicou a carta a pedido do marido e reforça o apoio ao aliado. A mensagem foi divulgada após visita da ex-primeira-dama ao 19.º BPM da PM do Distrito Federal, onde Bolsonaro cumpre pena desde que foi condenado, em setembro do ano passado, a 27 anos e três meses de prisão por comandar uma tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

Polêmica dos 'R$ 15 milhões'

O gesto de apoio ocorre na esteira da repercussão de anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, em um documento interno intitulado "situação nos Estados". No trecho referente ao Mato Grosso do Sul, o senador escreveu: "Pollon pediu 15 mi p/ não ser candidato".

O material, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, tem caligrafia do próprio Flávio, como ele confirmou na quarta-feira (25). Na saída de uma visita ao pai, no presídio da Papudinha, em Brasília, o senador negou que a anotação seja um relato de pedido de dinheiro por parte de Pollon.

"Em uma das anotações no Estado do Mato Grosso do Sul, o deputado Pollon… fiz uma anotação que já está sendo distorcida como se ele tivesse pedido alguma coisa para deixar de ser candidato a governo ou candidato ao Senado. Estava escrito 'Pollon pediu R$ 15 milhões' para não ser candidato. Aquilo nunca aconteceu", declarou Flávio.

Segundo o senador, alguém o alertou de que essa acusação circulava nos bastidores, e ele registrou a frase apenas para lembrar de avisar o deputado. "O que aconteceu foi uma pessoa que conversou comigo que estavam dizendo isso do Pollon. Anotei para não esquecer de avisar a ele que estavam vinculando essa mentira criminosa contra ele", completou.

Em publicação no X (antigo Twitter), Pollon agradeceu a manifestação de Flávio e voltou a negar qualquer negociação. "Plantaram algo que nunca existiu para tentar manchar meu nome. Eu nunca pedi dinheiro para não ser candidato, e isso não vai acontecer", escreveu.

Defesa de Michelle e apelo por união

Na mesma postagem em que divulgou a carta deste sábado, Michelle Bolsonaro reiterou o apoio à pré-candidatura de Pollon e exaltou a relação com a família do deputado. Ela escreveu que sempre teve "carinho e respeito muito especiais" pelos parentes do parlamentar.

"Sua esposa, Nay, é uma mulher cristã, íntegra e dedicada, que esteve ao meu lado na construção do PL Mulher, um trabalho sério e muito bem organizado. Sou grata por conhecer essa família de perto e testemunhar seus valores", registrou a ex-primeira-dama.

O novo movimento de Bolsonaro ocorre após outra carta escrita na prisão, divulgada no domingo (1.º) pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Nela, o ex-presidente lamenta críticas feitas por integrantes da direita a aliados e à própria Michelle, e defende a necessidade de união no campo conservador.

Na mensagem, ele afirma que pediu à mulher para voltar a se envolver na política apenas depois de março, alegando que ela está dedicada à recuperação da filha Laura, recém-operada, e aos cuidados com ele no presídio.

Bolsonaro também faz um apelo direto pela pacificação das disputas internas no PL e em outras siglas alinhadas a ele. "Numa campanha majoritária, bem como às cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados", escreveu.

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