
A política paulista registrou um movimento sísmico neste sábado (28). O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, confirmou sua saída do PSD para se filiar ao MDB. A decisão, tomada após uma reunião estratégica com o prefeito da capital, Ricardo Nunes, encerra semanas de incerteza e marca o rompimento definitivo com Gilberto Kassab.
A movimentação foi precipitada pela disputa interna pela vaga de vice na chapa de reeleição de Tarcísio de Freitas. Kassab, presidente nacional do PSD, articulava para ocupar o posto pessoalmente, visando repetir a estratégia de 2004, quando foi vice de José Serra e acabou herdando o comando da capital.
Em vídeo nas redes sociais, Ramuth justificou a mudança. "A política é dinâmica e exige clareza de rumo. Decidi seguir um novo caminho, sempre alinhado ao projeto liderado pelo governador Tarcísio."
Embora o PL de Valdemar Costa Neto tentasse emplacar o presidente da Alesp, André do Prado, e Kassab fizesse pressão pelo PSD, o governador Tarcísio de Freitas blindou seu atual vice.
Tarcísio já havia sinalizado a aliados que a escolha do vice seria uma "decisão pessoal". Para fortalecer Ramuth, o governador chegou a indicar o marqueteiro Pablo Nobel — artífice de sua vitória em 2022 — para assessorar o agora emedebista.
O novo tabuleiro político
Com a entrada de Ramuth no MDB, a sintonia entre o Palácio dos Bandeirantes e a prefeitura de Ricardo Nunes ficam mais fortalecidas. No entanto, Gilberto Kassab perde o controle direto sobre a vice, embora mantenha seu projeto pessoal de chegar ao governo paulista no futuro. Já o PL, partido de Jair Bolsonaro, agora deve focar esforços em emplacar André do Prado na disputa pelo Senado, enfrentando a resistência da ala mais ideológica da legenda.
A mudança de legenda de Felício Ramuth garante a manutenção da "dobradinha" que venceu a última eleição, agora sob uma nova arquitetura partidária que privilegia o equilíbrio entre o Republicanos e o MDB.
Com informações da Agênicia Estado
