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Haddad e Tarcísio nacionalizam pautas e focam economia no primeiro debate

Candidatos ao governo de São Paulo se enfrentaram em encontro promovido pelo Grupo Bandeirantes

Da redação
DA REDAÇÃO

09/08/2026 • 22:45 • Atualizado em 10/08/2026 • 01:49

Os primeiros debates das eleições 2026 aconteceram na noite deste domingo (9), realizado pelo Grupo Bandeirantes, com os principais candidatos aos governos dos estados. Em São Paulo, o evento colocou os dois principais candidatos, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), frente a frente.

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Em um encontro mediado por Rodolfo Schneider, os candidatos utilizaram o espaço para confrontar dados sobre a gestão estadual e discutir a influência das políticas federais no desenvolvimento de São Paulo, estabelecendo o tom de uma disputa que deve ser pautada pela comparação direta entre modelos de governo.

No embate, as discussões concentraram-se em temas estratégicos que dividem as campanhas: o desempenho educacional e a introdução de novas tecnologias nas escolas; as estratégias de segurança pública, incluindo o combate ao crime organizado e a situação da cracolândia; a agenda de privatizações; entre outros.

Além disso, a economia e as relações federativas ganharam destaque através da discussão sobre a renegociação da dívida estadual (Propag) e a disputa pela "paternidade" de grandes obras de infraestrutura financiadas em parceria com a União. Veja abaixo os principais pontos discutidos no debate deste domingo:

Educação: IDEB e o Futuro do Ensino

A educação abriu o debate com divergências sobre os resultados do IDEB. Fernando Haddad criticou a atual gestão, afirmando que São Paulo caiu da 3ª para a 10ª posição no ranking de qualidade do ensino médio. Ele atacou a substituição de livros didáticos por "aulas de slides" e a falta de conectividade nas escolas.

Já o governador Tarcísio de Freitas defendeu seu modelo, destacando que o ensino profissionalizante agora atinge 42% dos alunos e que a alfabetização na idade certa avançou de 40% para 61%. Tarcísio também prometeu o lançamento de programas educacionais baseados em inteligência artificial.

Segurança Pública e Crime Organizado

A segurança foi um dos temas mais tensos, com Haddad acusando o governo de permitir a infiltração do crime organizado na cúpula da Polícia Militar e citando o crescimento de 10% nos casos de feminicídio no estado. O ex-ministro da Fazenda defendeu a criação de um gabinete institucional presidido pelo governador para integrar polícias e órgãos de inteligência.

Tarcísio rebateu alegando que o estado atingiu os menores indicadores de homicídios e latrocínios da história. Ele celebrou a inauguração da Praça do Triunfo como um marco da "vitória sobre a cracolândia" e destacou o uso de tecnologias como o Muralha Paulista para prender foragidos.

Privatizações e infraestrutura

As estratégias de gestão da estatal geraram um embate ideológico claro. Haddad criticou a "onda privatista", mencionando falhas nas linhas da CPTM e a venda da Sabesp por um valor que considerou 20% abaixo do mercado.

Tarcísio justificou a privatização da Sabesp como o caminho para garantir a universalização do saneamento até 2033, citando que regiões como Cajamar e Franco da Rocha agora possuem tratamento de esgoto.

No campo das obras, ambos discutiram a "paternidade" de projetos como o túnel Santos-Guarujá e o Trem Intercidades, com Haddad ressaltando o papel dos financiamentos federais do BNDES e Tarcísio apontando que o estado arca com a maior parte da contrapartida.

Relação federativa e gestão fiscal

A renegociação da dívida paulista e o repasse de recursos federais dominaram parte das discussões econômicas. Haddad acusou o governador de ser irresponsável ao demorar para aderir ao programa Propag, o que teria custado bilhões aos cofres públicos.

Tarcísio defendeu que a adesão tardia foi para proteger os interesses de São Paulo e reclamou de financiamentos internacionais que estariam "travados" pelo governo federal na Casa Civil. O governador enfatizou que o estado está investindo cerca de R$ 30 bilhões por ano graças a reformas administrativas e revisões de benefícios tributários.

Saúde e considerações finais

Na saúde, Tarcísio destacou a criação da Tabela SUS Paulista, que multiplicou os repasses às Santas Casas, resultando no dobro de cirurgias eletivas realizadas. Haddad, por sua vez, atribuiu a disponibilidade desses recursos ao aumento do orçamento federal repassado ao estado.

O Grupo Bandeirantes promove no dia 23 de agosto, com o debate entre os candidatos à Presidência da República.