A oficialização da candidatura de Jaques Wagner (PT) ao Senado pela Bahia, que deve ocorrer na convenção do partido que acontece neste sábado (1º), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), traz consigo potenciais riscos políticos para a chapa presidencial, segundo análise da colunista Deysi Cioccari.
Para a especialista, o envolvimento do senador em novas investigações da Polícia Federal (PF) tem o potencial de "respingar" na campanha de Lula, a depender da estratégia adotada pela oposição.
Deisy destaca que o discurso de corrupção é uma arma política historicamente utilizada contra o PT e que a renovação de casos envolvendo o "núcleo duro" do partido --citando especificamente Lulinha e Jaques Wagner-- pode afastar o eleitor independente.
Principalmente entre o eleitor intermediário que acompanha isso mais de perto que, é mais responsivo a esse tipo de de questão… Quando você fala de escândalos políticos e de corrupção, aquele que vai votar no PT, que a gente estima que seja uns 25 a 30%, não vai mudar o voto de forma alguma. Mas o eleitor independente pode sim [mudar].
A colunista observa ainda que candidatos ao Senado costumam ser nomes muito conhecidos, o que aumenta a visibilidade tanto de sua trajetória quanto de eventuais controvérsias.
Contexto das investigações
O receio de um desgaste na imagem da campanha baseia-se em relatórios recentes da Polícia Federal, que apontam uma relação de proximidade entre Jaques Wagner e executivos do Banco Master desde 2019. A investigação apura se o senador teria recebido vantagens indevidas em troca de articulações políticas no Congresso, como a defesa de emendas para elevar o teto do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Entre as supostas contrapartidas listadas pela PF estão:
- Viagens em aeronaves privadas para propriedades de luxo, como a "Ilha da Paixão";
- Recebimento de garrafas de vinho e ingressos para o show da cantora Taylor Swift em 2023;
- Relações comerciais envolvendo imóveis e movimentações financeiras.
Apesar do cenário de pressão, Jaques Wagner mantém um discurso de confiança. O senador declarou publicamente ter certeza de que provará sua inocência, comparando a situação atual ao período eleitoral de 2018, quando enfrentou episódios semelhantes ao concorrer pela primeira vez ao Senado.
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