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Lula diz que acabou com a fome 2 vezes no Brasil e não teme dívida pública

Presidente afirmou que seu 4º mandato vai focar desenvolvimento tecnológico e defesa de território

5 min

27/08/2026 22:46 • Atualizado há 58 dias

Lula diz que acabou com a fome 2 vezes no Brasil e não teme dívida pública

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) minimizou, nesta quinta-feira (27), os temores do mercado financeiro em relação ao endividamento brasileiro. O mandatário resgatou o legado social de suas gestões anteriores e foi categórico ao projetar a consolidação de sua agenda de reconstrução nacional: "Já acabei com a fome duas vezes. Quando voltei [ao cargo de presidente], esse país estava destruído".

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Em entrevista à TV Globo, o presidente disse que o debate sobre as contas públicas precisa ser pautado pela expansão da atividade econômica e não pela paralisia fiscal. Ao analisar o atual patamar de endividamento do país, próximo de 80% do Produto Interno Bruto (PIB), o presidente foi categórico ao minimizar o pânico fiscal: "A mim não preocupa a dívida pública".

80% não é um percentual elevado pra um país, olha os EUA. A divida deles é de 120% do PIB, US$ 40 trilhões. O importnte é que uma parte da dívida é da taxa de juros, vocês sempre defenderam um Banco Central independente e eu passei dois anos com o presidente [do BC] do Bolsonaro.

Para o mandatário, o verdadeiro antídoto contra o endividamento é o crescimento sustentado. Ele destacou que a expansão econômica acima de 2% retornou com a sua volta ao Palácio do Planalto e relembrou o vigor de suas gestões passadas, quando entregou o governo com o PIB crescendo a expressivos 7,5%.

Como prova de seu compromisso, Lula citou os oito anos consecutivos de superávit primário em seus mandatos anteriores e resgatou a estratégia adotada durante a crise financeira internacional de 2008, quando convocou a população, em um discurso de oito minutos, a consumir com responsabilidade, blindando o mercado interno.

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Questão Lulinha

Lula também falou sobre as recentes suspeitas e investigações sobre pessoas de seu círculo íntimo, incluindo seu filho (Lulinha), seu chefe de gabinete (conhecido como Marcola) e aliados históricos como o senador Jaques Wagner. Lula adotou um tom de distanciamento institucional rigoroso, ressaltando que, embora preze pela presunção de inocência, não interferirá nas investigações.

Sobre as suspeitas contra seu filho, o presidente desabafou: "Primeiro, não tem nenhuma acusação, são ilações tiradas de telefonemas. Eu fui vítima disso na Lava Jato, a maior mentira montada nesse país para eu não ser presidente. Com meu filho é a mesma coisa. Se ele cometeu o erro, ele vai pagar", disse o presidente, que completou: "Não haverá da Presidência um milímetro de movimento para proteger".

Lula aplicou a mesma lógica ao senador Jaques Wagner (PT), suspeito de envolvimento com o Caso Master e ao seu chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola, que admitiu ter pegado um empréstimo de R$ 249 mil de origem sob suspeita: "É uma pessoa da minha total confiança, mas se cometeu o erro vai pagar. Só não deixo me impactar por ilações".

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Eu não posso fazer política vivendo de ilações todos os dias. As pessoas são inocentes até que se prove o contrário. Um homem que tem relação comigo por 40 anos... Não posso colocar em dúvida a relação que tem comigo por causa de uma ilação. Eu não sou uma pessoa que muda de calçada quando encontra um amigo investigado.

Reestruturação do Estado: INSS e Correios

A agenda de reconstrução também se estende aos serviços públicos vitais que, segundo o governo, foram deliberadamente desestruturados. Na Previdência Social, Lula anunciou o combate a fraudes e o fim da fila do INSS.

"Quando cheguei tinha 3 milhões de pessoas na fila e vamos entregar a fila terminada da Previdência Social na semana que vem". O presidente projeta que o tempo de espera, que chegou a atingir 454 dias, será estabilizado em um contingente padrão de 45 dias de espera e 250 mil pessoas na fila.

No que tange aos Correios, estatal que enfrenta crises recorrentes desde 1985, Lula descartou terminantemente a privatização. A estratégia desenhada foca a modernização e na eficiência operacional por meio de parcerias: “Não considero vender, considero recuperar”, afirmou.

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Soberania Tecnológica, IA e Educação

Olhando para o futuro, Lula apresentou uma agenda ambiciosa de soberania tecnológica, visando posicionar o Brasil na vanguarda geopolítica e quebrar a dependência das superpotências globais. "Não queremos ficar subordinados à briga de EUA e China", alertou o presidente.

O plano governamental foca em três pilares estratégicos:

  • Inteligência Artificial Nativa: Desenvolvimento de uma IA soberana com modelo de linguagem treinado originalmente em português;
  • Controle de Minerais Críticos: Regulamentação e exploração nacional de terras raras --área em que o Brasil estima ser o segundo maior detentor de reservas do mundo, atrás apenas da China;
  • Educação Científica: Lula manifestou orgulho por ser o presidente que mais criou universidades e institutos federais na história do país.

Precisamos colocar muita gente pra fazer matemática, engenharia e no mundo digital e discutir IA. Não queremos ficar subordinados à briga de EUA e China. Quero que o Brasil seja exportador de inteligência.

PEC da segurança e facções

Encerrando as diretrizes de sua gestão, o presidente defendeu uma mudança estrutural no combate ao crime organizado através da proposta de emenda constitucional (PEC) da segurança. O objetivo é redefinir o pacto federativo de segurança e criar, de forma centralizada, o Ministério da Segurança Pública.

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Lula destacou a necessidade de investimentos inteligentes e inteligência integrada para recuperar a soberania territorial nas periferias e fronteiras, citando a criação de uma base integrada da Polícia Federal em Manaus. O presidente revelou, inclusive, ter apresentado uma proposta de cooperação por escrito aos Estados Unidos.

Primeiro tenho que estabelecer qual a participação de cada ente da federação. União, estado e município. Aí vamos trabalhar forte. Meu desejo é recuperar o território do povo. Aquela rua do Rio [onde facções incendiaram ônibus essa semana] é do povo, não do bandido. Estamos preparados para muitas operações.