
Debate na Band: Haddad e Tarcísio durante o primeiro debate para o governo de SP
Renato Pizzutto/Band
Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) participaram, na noite deste domingo (9), do primeiro debate de candidatos ao governo de São Paulo nas eleições 2026, promovido pela Band.
Os dois são os únicos que, pela lei eleitoral, precisam ser obrigatoriamente convidados para debates. A legislação prevê a obrigatoriedade para candidatos filiados a partidos, federações ou coligações que tenham ao menos cinco representantes no Congresso.
A Lupa acompanhou o debate e checou as declarações dos candidatos ao vivo, com atualização em tempo real. As assessorias dos participantes foram avisadas e as respostas enviadas serão incluídas no texto.
Confira a checagem abaixo:
O Tarcísio herdou o estado de São Paulo na terceira colocação em termos de qualidade do ensino médio e tá entregando o estado na décima posição. --Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
VERDADEIRO
A qualidade do ensino médio da rede estadual de ensino em São Paulo regrediu nos últimos quatro anos sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas.
Em 2021, a rede estadual registrou uma nota de 4,4 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que colocava o estado atrás apenas de Paraná e Goiás naquele ano.
Já em 2025, a nota caiu para 4,3, enquanto outros estados melhoraram o ensino. Apesar de pequena, a queda fez o estado regredir 7 posições no ranking, para o 10º lugar.
Em 2023 a gente tinha um ano só de governo. Nós tínhamos sido o 3º no ensino fundamental 1, o 5º no ensino fundamental 2 e o 8º no ensino médio. E a situação de hoje, qual é? Nós somos o 3º no Fundamental 1, nós somos o 5º no Fundamental 2 (…) e quando a gente considera a nota dos alunos que estão no ensino profissional, a gente vai para 4.5. Isso significa que a gente continua no 8º lugar. O Brasil todo cresceu, nós crescemos também. --Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
FALSO
O governador errou ao citar as posições da rede estadual de ensino em São Paulo no Ideb. Em 2023, primeiro ano de seu mandato, escolas da rede estadual dos primeiros anos de ensino fundamental ficaram em 4º lugar no ranking, com uma nota de 6,2. Já em 2025, apesar de aumentar a nota, para 6,6, o estado ficou na 7ª posição.
Já nos anos finais do ensino fundamental, o estado estava em 6º lugar em 2023, com uma nota de 5,1, e caiu para 7º lugar em 2025. Também no ensino médio, mesmo considerando o ensino técnico, São Paulo regrediu da 6ª posição em 2023 para a 8ª posição em 2025.
Nós temos o menor indicador de latrocínios de toda a história. --Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
VERDADEIRO
No primeiro semestre de 2026, entre janeiro e junho, o estado de São Paulo registrou 44 latrocínios --roubos seguidos de morte--, o menor número para o período desde o início da série histórica da Secretaria da Segurança Pública (SSP), em 2001, segundo dados obtidos pela Veja, publicados em 30 de julho de 2026.

Tarcísio de Freitas durante debate eleitoral na Band (Renato Pizzutto/Band)
São Paulo tá com 61% das crianças alfabetizadas na idade certa contra uma média nacional de 66%. --Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
VERDADEIRO
De acordo com dados do Indicador Criança Alfabetizada, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) este ano, o estado de São Paulo registrou 61% de crianças alfabetizadas na idade certa ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2025.
O percentual nacional registrado em 2025 foi de 66%, segundo dados do mesmo indicador.
A gente sabe que São Paulo já pagou essa dívida há muito tempo, aliás, os estados endividados pagaram. Por isso eles procuraram o Ministério da Fazenda para procurar desenhar o Propag, que foi aprovado no congresso, vetado pelo presidente da República. Nós tivemos que derrubar o veto do presidente da República. --Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
FALTA CONTEXTO
Em dezembro de 2024, o Senado aprovou o Projeto de Lei Complementar (PLP 121/2024), que criava o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), cujo objetivo era o de repactuar o endividamento de estados por meio de novas condições de refinanciamento, com prazos mais amplos e taxas de juros reduzidas.
Entretanto, em janeiro de 2025, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou o projeto, porém com 13 vetos parciais, e não total, como afirmou Tarcísio em sua fala. Um dos vetos foi ao artigo que trazia a possibilidade de os estados usarem verbas do novo Fundo de Desenvolvimento Regional (FNDR), criado com a Reforma Tributária, para abatimento dos juros.
Os integrantes do governo afirmaram na ocasião que o essencial do projeto aprovado no ano passado seria mantido, como a redução dos juros, alongamento da dívida e uso de ativos dos Estados para o abatimento da dívida. Lula sancionou, por exemplo, a possibilidade de os Estados oferecerem estatais para a União em troca do abatimento.
À época, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Planalto vetaria todos os pontos do texto com impacto no resultado primário. Especialistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) afirmaram, em texto publicado no site da instituição, que, do ponto de vista técnico, “o veto é correto”.
Em novembro do ano passado, o Congresso derrubou os vetos do presidente em um acordo negociado pelo governo com governadores e parlamentares.
O crime organizado nós combatemos com a Operação Carbono Oculto, que é exemplar no país. Segundo especialistas, a maior operação de combate ao crime organizado. Uma história teve como um dos grandes protagonistas a Receita Federal. --Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
FALTA CONTEXTO
A Carbono Oculto foi uma operação conjunta realizada por diferentes órgãos. Embora a Receita Federal tenha sido fundamental na investigação de esquema criminoso bilionário envolvendo o setor de combustíveis e integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo fizeram parte da força-tarefa.
As polícias Civil e Militar também participaram das apurações e da execução dos mandados de busca, apreensão e prisão dos investigados.
A operação foi deflagrada em agosto de 2025 em vários estados do Brasil. Segundo as apurações, o grupo sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais.
A Receita Federal contribuiu para a identificação de ao menos 40 fundos de investimentos, com patrimônio de R$ 30 bilhões, controlados pelo PCC. As operações eram realizadas no mercado financeiro de São Paulo por membros infiltrados na Avenida Faria Lima.
O indicador de São Paulo [de segurança pública] é o menor indicador do Brasil. --Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
EXAGERADO
Apesar de ter reduzido muitos índices de criminalidade, São Paulo não tem o melhor indicador do Brasil em muitas das métricas medidas na última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Com relação à mortes violentas intencionais, o estado possui a segunda menor taxa do país – com 7,8 a cada 100 mil habitantes – atrás apenas de Santa Catarina (p.28). Além disso, também possui a segunda menor taxa de latrocínios e lesão corporal seguida de mortes (p.48 e 49). São Paulo aparece com o menor indicador somente na taxa de homicídio doloso (p. 47).
Com relação a crimes contra o patrimônio, o estado registra índices acima da média do país: tem a quarta maior taxa de roubo e furtos de celulares do país (p. 95), a quinta maior incidência de roubos e furtos de veículos (p. 94) e a segunda maior taxa de roubos de carga, atrás apenas do Rio de Janeiro (p. 101).
O Roberto Campos, que foi nomeado pelo Bolsonaro, ele entregou no último mês de gestão dele […] uma taxa de juro de 14,25 para ser administrada pelo seu sucessor. --Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
EXAGERADO
A taxa básica de juros (Selic) encerrou a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central em 12,25%, após aumento de um ponto percentual na reunião que ocorreu em dezembro de 2024. O patamar mais elevado na gestão de Campos Neto foi de 13,75% ao ano, mantido inalterado por um ano, entre agosto de 2022 e agosto de 2023.
No comunicado publicado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), em dezembro de 2024, o Banco Central previa um aumento de um ponto percentual na taxa de juros em março de 2025, caso o cenário econômico fosse desafiador, o que de fato aconteceu – e elevou a taxa de juros para 14,25%.
“O Copom então decidiu elevar a taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual, para 14,25% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz trecho do comunicado de março de 2025, que confirmou a elevação. Na ocasião, Gabriel Galípolo era o presidente da instituição.

Fernando Haddad durante debate eleitoral na Band (Renato Pizzutto/Band)
A capital do estado de São Paulo responde por 20% dos roubos de celulares de todo o país. --Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
FALTA CONTEXTO
O percentual de 20% mencionado por Haddad corresponde à soma de roubos e furtos de celulares registrados na cidade de São Paulo, e não apenas a roubos, como afirmou o candidato. O dado consta no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (página 113).
O Anuário não apresenta dados de roubos de celulares separados por município, apenas por estado. Em 2025, o estado de São Paulo, que reúne 645 municípios, registrou 96.955 ocorrências de roubo de celular, número que corresponde a 31,4% das 308.723 ocorrências registradas no país (página 95).
Vale pontuar que o número de roubos de celulares na cidade de São Paulo caiu em 2026. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), divulgados pelo Poder360, a capital registrou 8.430 roubos de celulares no primeiro bimestre de 2026 contra 10.587 nos dois primeiros meses de 2015. O dado representa o menor número para o período desde o início da série histórica da SSP, em 2001.
Por que é que você não colocou a delegacia da mulher para funcionar 24 horas? --Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
FALTA CONTEXTO
São Paulo possui 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e 19 funcionam 24 horas (sete na capital, duas na Grande São Paulo e dez no interior). A Lei Federal nº 14.541/2023 determina o funcionamento de Delegacias da Mulher 24 horas todos os dias.
Porém, o Estado possui 235 Salas DDM 24 horas (espaços instalados em delegacias com plantão) para atendimento a vítimas de violência doméstica e familiar. Desde 2023, foram implantadas 173 Salas DDM 24 horas em São Paulo.
O Estado também conta com o aplicativo SP Mulher Segura, que permite registrar boletim de ocorrência, solicitar medida protetiva de urgência e, para quem já possui a proteção judicial vigente, acionar um botão do pânico. A funcionalidade comunica simultaneamente a polícia e um contato de emergência previamente cadastrado.
A gente tá buscando os agressores, levando para os grupos reflexivos, atuando preventivamente, e nós estamos já no segundo mês consecutivo com redução dos indicadores [de feminicídio]. Isso mostra que a política pública tá funcionando. --Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
FALTA CONTEXTO
Os feminicídios no estado recuaram em maio e junho na comparação anual, mas São Paulo encerrou o primeiro semestre com 141 casos, alta de 10% em relação aos mesmos meses de 2025 e recorde para o período. Além disso, os casos de estupro também aumentaram no primeiro semestre deste ano, totalizando 7,7 mil ocorrências (aumento de 6% em relação ao ano anterior).
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 [pg. 16], o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica, iniciada em 2015, e uma alta de 4% em relação ao ano anterior.
Como prefeito […] da cidade de São Paulo [Fernando Haddad], tinha que entregar UPAs, não entregou. --Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
FALSO
Fernando Haddad entregou três Unidades de Pronto Atendimento (UPA) quando foi prefeito de São Paulo. A primeira foi entregue em abril de 2014, em Campo Limpo. Em janeiro de 2015, Haddad entregou a unidade na Vila Santa Catarina. A terceira e última UPA foi inaugurada em agosto de 2016, em Itaquera (zona leste).
A administração do petista também deixou 12 obras de UPAs em andamento. Elas foram inauguradas nas gestões de João Doria (2017-2018) e Bruno Covas (2018-2021), conforme comunicado da prefeitura de São Paulo enviado à Lupa em checagem produzida em 2021.
As contas [de água], logo depois da privatização [da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp)], elas baixaram. A gente teve um desconto de 10% para os consumidores vulneráveis, 1% para o consumidor residencial e 0,5% para o consumidor industrial. --Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
VERDADEIRO
Em 23 de julho de 2024, quando a privatização da Sabesp foi concluída, a concessionária anunciou reduções diretas em três modalidades de tarifas: redução imediata de 1% na tarifa residencial padrão; 0,5% nas tarifas comercial e industrial e 10% na Tarifa Social e Vulnerável.
Nós fizemos os dois maiores concursos da Polícia Civil da história. --Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
FALTA CONTEXTO
Tarcísio se refere a dois conjuntos de concursos da Polícia Civil. O primeiro teve os editais publicados em 2021, durante o governo de João Doria (PSDB). Eles ofereciam inicialmente 2.939 vagas, mas Tarcísio ampliou as convocações e empossou 4.017 aprovados em maio de 2024 (considerada a maior nomeação da história da corporação).
O segundo conjunto reúne cinco concursos para 3.500 vagas. A abertura das vagas foi autorizada em setembro de 2022 pelo então governador Rodrigo Garcia (Republicanos), enquanto os editais foram publicados em 2023, já na gestão Tarcísio.
Logo, o governo Tarcísio conduziu etapas, ampliou convocações e nomeou aprovados. Contudo, as seleções começaram ou foram autorizadas na gestão anterior.
Cajamar, Franco da Rocha, Francisco Morato, tratavam zero de esgoto em 2022. --Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
EXAGERADO
Os índices não eram zerados, mas estavam abaixo de 5%. De acordo com dados do relatório do SNIS com data-base do ano de 2022, os municípios Cajamar, Franco da Rocha e Francisco Morato possuíam percentuais, respectivamente, de 0,72%; 3,41% e 0,19% de tratamento de esgoto.
Os dados do SNIS são referentes ao processo de tratamento do número de domicílios registrados nos municípios. A Lupa checou frase similar dita por Tarcísio em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, em 1º de junho de 2026.
Nós estamos tendo que rever o contrato com o [Rubens] Ometto, que, aliás, foi o maior doador da tua campanha em 2022. --Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, em debate no dia 9 de agosto de 2026 na Band
FALSO
O empresário Rubens Ometto, fundador do grupo Cosan, doou R$ 200 mil à campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo em 2022. O valor, no entanto, não foi o maior recebido pela candidatura, segundo dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral.
De acordo com a plataforma DivulgaCand de Contas Eleitorais, os maiores doadores individuais da campanha de Tarcísio naquele ano foram os também empresários Fabiano Zettel e Otto Medeiros de Azevedo Júnior, que destinaram R$2 milhões cada.
O grupo Cosan, de Ometto, é responsável pela concessão da Malha Ferroviária Paulista há mais de 30 anos. O contrato com a União estava previsto para finalizar em julho deste ano, mas foi prorrogado por 180 dias, até que haja nova licitação.
Veja a íntegra do debate:
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