Eleições

Marina Silva diz que preocupações com economia e ambiente caminham juntas

Pré-candidata ao Senado por São Paulo, a ex-ministra do Meio Ambiente foi sabatinada pela BandNews TV

7 min

27/05/2026 14:11 • Atualizado há 151 dias

Marina Silva diz que preocupações com economia e ambiente caminham juntas

A ex-ministra Marina Silva (Rede), pré-candidata ao Senado pelo estado de São Paulo, foi sabatinada nesta quarta-feira (27) pela BandNews e afirmou que as preocupações com economia e com ambiente devem caminhar juntas.

Continua depois da publicidade

Esse é o debate desse século, não tem como sair dele, mas eu posso te dizer, toda a minha trajetória tem sido fazer com que tenhamos uma política ambiental que assegure prosperidade, combata a desigualdade, com democracia e sustentabilidade. --Marina Silva

Marina Silva é conhecida por seu ativismo ambiental. De origem humilde, ela cresceu no Acre, onde trabalhou como seringueira e empregada doméstica, aprendendo a ler e escrever apenas aos 16 anos. Apesar das barreiras iniciais, se formou em história e foi uma das fundadoras da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no estado.

Foi eleita ao Senado em 1999 e foi reeleita em 2002. Como ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, no primeiro governo Lula, liderou políticas que se tornaram marcos na redução do desmatamento da Amazônia, embora sua gestão tenha sido marcada por divergências com alas desenvolvimentistas do governo, levando à sua saída.

Em 2010, foi candidatura à Presidência pelo PV e teve quase 20 milhões de votos. Fundadora do partido Rede Sustentabilidade, ela voltou à Esplanada dos Ministérios em 2023, sob o atual governo Lula, reassumindo o desafio de liderar a política climática global do país.

Continua depois da publicidade

Ambiente x crescimento econômico

"O primeiro desafio é não fazer essa separação entre o interesse econômico e o interesse ambiental. As duas coisas fazem parte da mesma equação. E sempre que eu estou na agenda ambiental, é assim que tenho trabalhado. Já em 2003 eu disse, não basta dizer o que não pode, é preciso criar o como pode.

Foi assim que nós viabilizamos os investimentos das hidrelétricas de Santo Antônio em geral, foi assim que nós concedemos a licença para a BR-163, foi assim que nós fizemos o licenciamento mais complexo de toda a história do Brasil até hoje, que foi a transposição do Rio São Francisco. Agora, para isso, é preciso você entender que é uma equação em três níveis, viabilidade econômica, viabilidade social e viabilidade ambiental.

Quem faz a dicotomia entre as duas coisas acaba fazendo esse tipo de crítica, mas ela não tem base na realidade. O problema da mudança do clima exige cada vez mais que façamos uma integração entre economia e ecologia, por isso que eu falei muito dos instrumentos econômicos que criamos para a transição energética, infraestrutura verde, adensamento tecnológico.

Continua depois da publicidade

E São Paulo já é uma cidade com alto adensamento tecnológico, com uma agricultura tecnológica que não precisa destruir para poder ser potente, que é inclusive grande produtor de biocombustível. Esse é o debate desse século, não tem como sair dele, mas eu posso te dizer, toda a minha experiência tem sido de fazer com que tenhamos uma política ambiental que assegure prosperidade, combata a desigualdade, com democracia e sustentabilidade."

Preservação da Mata Atlântica

"A Mata Atlântica já foi 1 milhão e 300 mil hectares, mas hoje tem apenas algo em torno de 10 a 12% disso. Graças aos movimentos ambientais e à comunidade científica, tivemos um processo de recuperação da Mata Atlântica, mas o grande desafio é continuar restaurando, preservando.

Aliás, a Mata Atlântica é fundamental para o equilíbrio hídrico do estado de São Paulo, que está vivendo mais uma ameaça de crise hídrica, em função do El Niño e de não terem feito investimentos adequados para evitar o que aconteceu em 2014.

Continua depois da publicidade

Então, preservar a Mata Atlântica é a certeza de que nós vamos manter o nosso regime hidrológico, que nós vamos manter reservatórios e vamos equilibrar o microclima. Sem ela, a situação das ondas de calor fica bem pior.

Os que desmatam e que são contra a lei é algo em torno de 1%. Os 99% já entenderam que têm que fazer certo. O problema é que os que fazem errado eles têm uma capacidade de vocalização, de generalizar como se fossem todos. São Paulo, por exemplo, como eu disse, é um estado de uma agricultura altamente tecnológica.

Não é aumento de produção por expansão predatória da fronteira agrícola, é aumento de produção por ganho de produtividade. Isso ficou comprovado agora. Nessa minha terceira gestão, onde tivemos uma queda do desmatamento de 32% em todo o país, de 40% na Mata Atlântica, os últimos dados que nós temos, e uma queda de 50%."

Continua depois da publicidade

Por que em SP, e não Acre

"Eu fui eleita duas vezes pelo estado do Acre. Eu fui vereadora, fui deputada estadual e duas vezes senadora. Mas sempre que eu eu tive os meus mandatos de senadora, eu sempre trabalhei pelo Acre e pelo Brasil. Se você olhar durante o governo do presidente Fernando Henrique, mesmo sendo de um partido de oposição, eu contribuía para para que a agenda ambiental avançasse no Brasil inteiro.

E eu tenho uma relação, digamos assim, orgânica, em termos da minha história pessoal de vida com o estado de São Paulo, seja porque quando eu fui desenganada pela primeira vez, em função de uma hepatite que quase, enfim, me levou a óbito, foi no estado de São Paulo que eu encontrei o abrigo para salvar a minha vida, seja pelo meu marido que é paulista.

Isso é a beleza da democracia, independente da minha condição social, de tantas diferenças que nós temos, a democracia possibilita que as pessoas possam exercitar sua generosidade e agora tudo que eu faço é também retribuir porque a minha causa é do Brasil. Quando a gente já foi candidato por três vezes à Presidência da República, pode ter certeza, o domicílio da gente é o lugar que chegamos no país."

Continua depois da publicidade

Preocupação com Segurança Pública

"Com certeza, eu tenho uma aterrissagem profunda nos problemas sociais e nas necessidades de saúde, de segurança, de educação de um estado como São Paulo. Aliás, quando você vive o extremo da escassez e chega num estado com a quantidade de recursos financeiros, tecnológicos e humanos de São Paulo, fica até difícil entender como é que determinadas questões ainda não foram resolvidas. E eu tenho o compromisso de ajudar a encontrar soluções para esses problemas.

Por exemplo, no caso da Segurança Pública, você não pode ter uma avaliação seletiva da segurança, porque diminuiu a questão do crime contra o patrimônio, de determinadas formas de letalidade e, ao mesmo tempo, aumentou a violência em relação às mulheres, o feminicídio, casos de estupro com vulnerável. Precisamos combinar ações que nos levem a ter uma segurança pública que faz o enfrentamento da criminalidade, do crime organizado, mas também vai prover meios necessários para que uma política transversal viabilize condições de vida melhor para a população, principalmente as pessoas que mais pagam o preço dessa falta de segurança.

Porque segurança é ter uma polícia bem treinada, com formação continuada, equipada com todos os meios necessários, mas é também prover transporte de qualidade, iluminação na rua, segurança para a mulher que vai trabalhar e tem que passar num beco escuro, para a juventude que vai estudar, trabalhar ou se divertir e, de repente, é abordada violentamente só em função da cor da pele ou da indumentária que usa. Então, pensar segurança pública é estratégico."

Continua depois da publicidade

PEC do fim da 6x1

"Eu sou favorável e acho interessante quando vejo alguns políticos dizendo que essa é uma agenda eleitoral. Eu ajudei a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) lá no Acre na década de 1980, em 1984, e ali nós já colocávamos a redução da jornada de trabalho exatamente nos termos em que está sendo proposta. Isso não é nenhuma pauta, digamos, de revolução radical, isso é uma pauta da social democracia.

Quando você dá pelo menos dois dias de descanso, obviamente que se puder ser três dias de descanso, é muito melhor para o trabalhador e para o empregador, você eleva o índice de produtividade dentro das empresas, reduz os pedidos de licença por questão de saúde, aumenta capacidade de interação, deixa a criatividade mais aguçada."

Mulheres no Supremo

"A escassez de mulheres em processos de tomada de decisão é lastreada em toda a sociedade, dentro das empresas, na própria Academia, no Congresso Nacional, tanto na Câmara como no Senado. Na verdade, é 18%.

Continua depois da publicidade

Com certeza, as mulheres estão capacitadas para ocupar qualquer função. Nós temos quantidade e qualidade, e nós lutamos muito para que as mulheres possam estar nesses espaços, porque ninguém pode falar por nós, dizer por nós, sentir por nós. Então, é legítima a defesa de que tenhamos mulheres em todos os espaços.

A indicação [ao Supremo Tribunal Federal, STF] cabe ao presidente Lula. Ele indicou o ministro Messias, que é uma pessoa comprometida. Infelizmente, essa visão de polarizar tudo, rejeitou o nome do ministro Messias, numa forma de negar o direito do presidente Lula de fazer essa indicação.

Todas nós, principalmente as pioneiras —pessoas como eu, Marta Suplicy, Benedita da Silva, Jandira Feghali—, e as mulheres que estão nessa luta, Erundina, de segunda geração, trabalhamos e dedicamos as nossas vidas para aumentar a representação das mulheres nos lugares de tomada de decisão. No Judiciário, no Legislativo, no Executivo, dentro das empresas, em todos os lugares."

Tópicos relacionados

Marina Silva diz que preocupações com economia e ambiente caminham juntas