O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD-RJ) participou nesta quatra-feira da sabatina na BandNews TV com os pré-candidatos ao governo do Estado e fez duras críticas à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e à atual gestão da segurança pública no estado. Durante a entrevista, Paes defendeu a necessidade de uma reforma institucional profunda e distanciou sua imagem de uma dependência política exclusiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Críticas à Alerj e à gestão da segurança
O ex-prefeito do Rio por quatro mandatos não poupou palavras ao avaliar a atual composição da casa legislativa fluminense. “O mais importante hoje é a gente estabilizar a política fluminense nessas funções de Estado, como é o caso da segurança pública. Retirar as patas, as garras dos políticos das forças de segurança. Isso é um grande problema do Rio. As operações recentes mostram isso: um chefe da Polícia Civil, um Secretário de Polícia Civil foi nomeado pela Assembleia Legislativa. Eu não quero aqui generalizar, existem homens e mulheres de bem, mas acho que é a Assembleia Legislativa mais mafiosa do Brasil, não tenho a menor dúvida disso. O simples fato de ser presidido por quem foi presidida, tomaram de assalto o Estado do Rio de Janeiro”.
Mesmo diante do desafio, Paes acredita que o Rio de Janeiro tem conserto: “Tenho a absoluta convicção de que as coisas podem ser transformadas, que as coisas podem ser mudadas e que as práticas políticas não precisam permanecer as mesmas. Eu diria que a grande crise do Rio de Janeiro não é uma crise fiscal, não é uma crise de segurança pública, ela é consequência de uma crise político-institucional que chegou ao seu ápice agora”, disse.
O pré-candidato direcionou suas críticas ao ex-governador Cláudio Castro. “É curioso que a crise chegou ao seu ápice depois de uma eleição em 2018, que eu fui o candidato derrotado, em que as pessoas resolveram optar por um candidato supostamente de fora do sistema, que absolutamente ninguém sabia de onde vinha, o que representava, o que era, e gerou uma geração nova também. Quem tinha ouvido falar no Cláudio Castro, antes de 2018, quem tinha ouvido falar no Rodrigo Bacelar, o presidente da Alerj, que seria o meu adversário nessas eleições e que foi preso por relações com o Comando Vermelho? A gente descobriu que no fundo do poço do Rio de Janeiro existia uma caixa de gordura”.
"Não sou um boneco de Lula"
O candidato também abordou a relação com o presidente Lula e as críticas feitas ao ex-presidente Bolsonaro sobre as gestões anteriores no Rio. Paes destacou a importância de separar a eleição municipal e estadual da política nacional. “A eleição é de governador do Estado, não é o presidente da República que vai governar o Estado do Rio, é o governador que a gente elegeu. Se a culpa de quem governou for de quem indicou, o Bolsonaro indicou o Witzel, o Cláudio Castro, o Crivella para a prefeita aqui do Rio. Três tragédias para todos nós. Três tragédias que apareceram em desvios, roubos, todo tipo de coisas ruins. É culpa do ex-presidente Bolsonaro? Eu acredito que não. Ele deve ter outras culpas da vida, essa eu acho que não”.
Sobre as críticas de seus adversários quanto ao apoio que recebe de Lula, o ex-prefeito foi enfático: "O presidente Lula é uma pessoa que ajudou enormemente o Estado do Rio de Janeiro. Por isso merece a minha gratidão, meu apoio e eu acho que é a melhor alternativa para o Brasil. Mas eu não sou um boneco do presidente Lula, nem fico me agarrando no presidente Lula para me eleger a qualquer coisa no Rio de Janeiro".
Veja o que mais Paes falou na sabatina:
Críticas a conservadores na política
“Em relação à maioria na Assembleia Legislativa, são mesmo conservadores, são mesmo de direita. Você tem um monte de farsante que vai na onda que tiver que ir para sobreviver na política. A gente vai vendo todos esses cristãos aí, se autoproclamando cristãos, aqueles que se autoproclamam cristãos conservadores, a gente vai vendo o grau de envolvimento deles com o crime. Então eu acho que a gente tem um problema aqui que não tem a ver com conservador não tem a ver com direita ou com esquerda, a gente tem um problema: esses bandidos não podem ficar na política. Ela tem que ser diminuída muito nas próximas eleições”.
Credibilidade para resolver os problemas
"Aqui tem um homem que, durante quatro mandatos, governou a cidade do Rio de Janeiro, com orçamento grande, com responsabilidade grande, com o parlamento, com 51 vereadores, das mais variadas vertentes partidárias, linhas ideológicas de direita, de esquerda, de centro, e a gente sempre conseguiu ter maioria, aprovar as coisas sem necessidade de sair comprando o parlamento. Isso se chama ter política pública, ter meta, ter visão, capacidade de mostrar para a sociedade e para o Parlamento as mudanças que se quer fazer. Eu tenho absoluta convicção de que a gente constrói essa governabilidade e consegue avançar com as mudanças que o Estado do Rio de Janeiro precisa",
Déficit fiscal
“Eu nunca tive problema com o número de secretarias. O problema é como é que você gere essas secretarias. Eu sempre achei que questões de juventude, questões ligadas à mulher, a questão da pessoa com deficiência merecia ter suas secretarias. Enxugar por enxugar ou enxugar fake não é necessariamente um exemplo. Eu mantive as contas da prefeitura em dia, sem exageros, sem nada, com várias estruturas funcionando. A Prefeitura do Rio, quando eu governei, foi enxuta, eficiente, com entregas, independente do número de secretarias. Então, não me importa, não me assusta o número de secretarias”.
Levar investimentos ao Rio
"Como é que alguém vai investir em um Estado em que o presidente da Assembleia Legislativa é ligado ao crime organizado? E que toda hora, todo mundo sabe aqui no Rio, acho que essas coisas começam a se revelar. Toda vez que o empresário chega aqui, essa turma vai achacar. Quando não consegue achacar, abre uma CPI para criar história. Como é que alguém vai se instalar num lugar em que, no dia que você for abrir a sua fábrica, vai chegar um miliciano e cobrar uma taxa de segurança. Nós precisamos criar um ambiente econômico, isso começa pelo Poder Executivo, começa pelo governador, começa por essa crise institucional. A gente volta a ela também no campo da segurança jurídica, que a gente chama aqui de segurança institucional, para que as empresas".
Saúde: média e alta complexidade
"O Estado tem que cuidar mais de média e alta complexidade. O orçamento da prefeitura do Rio de Janeiro na saúde é maior do que o orçamento para todo o Estado do Rio de Janeiro. Isso é algo inaceitável. Houve uma redistribuição absurda dos recursos disponibilizados aqui nos diferentes entes municipais. Em repetidos anos, não repassa aquilo que deve ao município. Só que a prefeitura do Rio se toca a vida, se resolve. O problema são os demais municípios que sofrem muito com isso, especialmente os municípios da região metropolitana e do interior do Estado. A gente precisa de uma reorganização do sistema de saúde, em que o Estado cuide das suas funções, que os municípios fortaleçam a atenção básica, integração desses temas, principalmente, e aí tem a ajuda do governo federal para isso".
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