
A definição da disputa ao Senado por São Paulo não é mais de hipótese, mas de construção concreta de chapa. O nome de André do Prado passou a ocupar o centro dessa engenharia após uma rodada decisiva de conversas que envolveu Valdemar Costa Neto e Eduardo Bolsonaro, realizada nos Estados Unidos.
A saída de Eduardo Bolsonaro da disputa, após sua permanência fora do país, reconfigurou o tabuleiro, mas não eliminou sua influência, que segue sendo determinante para o fechamento político.
O movimento não acontece isoladamente. Ele está diretamente conectado ao desenho eleitoral do governador Tarcísio de Freitas, que busca reeleição e já sinalizou manter Felício Ramuth como vice, reduzindo o espaço de rearranjo na majoritária e empurrando a disputa para o Senado como eixo principal de composição.
Nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, a avaliação é pragmática. Interlocutores próximos ao governo apontam que o critério principal não é apenas identidade ideológica, mas capacidade real de entrega eleitoral, especialmente fora dos grandes centros. A relação de André do Prado com prefeitos e lideranças municipais é vista como um ativo estratégico para ampliar capilaridade no interior.
Preferência de Jair Bolsonaro não prevaleceu
Ao mesmo tempo, o movimento expõe um desalinhamento dentro do próprio campo conservador. A preferência de Jair Bolsonaro por Mello Araújo não prevaleceu até aqui, gerando incômodo entre aliados mais próximos. Há, inclusive, conversas paralelas sobre alternativas fora do partido, como o nome de Ricardo Salles, o que indica que o processo ainda produz ruído interno.
Apesar disso, a combinação entre direção nacional do partido e governo estadual cria uma força difícil de ser revertida no curto prazo. O desenho que se forma aponta para uma chapa com alto nível de coordenação política e foco em competitividade.
Na avaliação do estrategista político Davi Morgado, a decisão segue uma lógica clara de eficiência eleitoral
“Em eleição majoritária, quem entende de voto sabe que não basta ter discurso. É preciso ter estrutura que entregue voto onde ele nasce, que é na base. André do Prado não é apenas competitivo, ele opera capilaridade. A presidência da Alesp não representa só visibilidade, representa rede, presença real em dezenas de municípios através de prefeitos e lideranças que confiam nele. No fim, não é uma escolha de preferência. É uma escolha de quem fecha a conta eleitoral. Quem ajuda a ganhar, não apenas quem aparece", diz o especialista

