
A janela partidária, encerrada na última sexta-feira (3), finalizou com um saldo positivo para o Partido Social Democrático (PSD) no estado de São Paulo. O partido de Gilberto Kassab se consolidou como a terceira maior bancada da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), atrás apenas do Partido Liberal (PL), que manteve a liderança com 22 parlamentares, e do Partido dos Trabalhadores (PT), com 18 cadeiras.
O prazo que permite aos deputados trocarem de partido sem perder o mandato por infidelidade partidária resultou no esvaziamento quase total do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). A sigla que governou o Estado de São Paulo por 28 anos e tinha 10 deputados, agora conta com apenas um representante no Legislativo paulista.
A ascensão da legenda comandada por Kassab foi fruto de uma estratégia iniciada meses antes do prazo legal para trocas partidárias. Em fevereiro, o ex-secretário de Tarcísio de Freitas (Republicanos) já havia anunciado a adesão de sete deputados estaduais que pertenciam ao PSDB.
Com a formalização das transferências, o PSD saltou de 4 para 11 parlamentares. Analice Fernandes, Maria Lúcia Amary, Mauro Bragato, Rogério Nogueira, Barros Munhoz, Carlão Pignatari e Carla Morando migraram do PSDB para o PSD. A legenda também recebeu Dirceu Dalben, do Cidadania.
Legendas em crise
Os tucanos, que chegaram a ser a terceira força na Alesp, agora sobrevive com apenas uma cadeira. A única remanescente é a deputada Ana Carolina Serra que, curiosamente, se filiou ao PSDB vinda do Cidadania – realizando o movimento inverso de seus antigos colegas.
A crise não se limitou ao avanço do PSD. Bruna Furlan, outra parlamentar de peso na legenda, também deixou o partido, mas optou pelo Republicanos, a mesma legenda do governador paulista.
A redução drástica da bancada traz consequências imediatas para o dia a dia legislativo. Com apenas um parlamentar, o PSDB perde o direito de ter uma liderança própria na Casa, o que limita seu poder de articulação e participação em decisões estratégicas da Mesa Diretora e das comissões.
Enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) permaneceu intacto com seus 18 parlamentares, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) registrou crescimento com a chegada de Marina Helou, vinda da Rede Sustentabilidade e agora soma 4 representantes. Por outro lado, Cidadania, Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Rede perderam toda a sua representação na Casa Legislativa.
As mudanças ocorrem pelo contexto eleitoral. A tendência é que grande parte da atual legislatura tente garantir mais quatro anos no Palácio 9 de Julho. O presidente da Casa, André do Prado (PL), é cotado para ser um dos candidatos ao Senado na chapa de Tarcísio.