
O deputado federal Ricardo Salles (Novo), pré-candidato ao Senado pelo estado de São Paulo, foi sabatinado na tarde desta quarta-feira (20) pela BandNews TV, e exaltou o agronegócio, elogiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e classificou o centrão do Congresso como “o câncer do país”.
“Qual é o problema do centrão? É que ele se vende ora para a esquerda, ora para a direita. Ele fica entrando na política pública, entrando nos governos. Os mesmos apoiadores do Fernando Henrique depois foram apoiadores do Lula, depois foram apoiadores da Dilma Rousseff, do Michel Temer, do Bolsonaro e do Lula novamente. O centrão não tem ideologia, não tem postura", afirmou.
Advogado de formação, Salles tem uma trajetória política marcada por uma atuação focada em pautas conservadoras, críticas ao ambientalismo tradicional e uma forte proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ele ganhou projeção inicial como um dos fundadores e principal articulador do movimento Endireita Brasil, criado em 2006. O movimento tinha como objetivo promover pautas liberais na economia e conservadoras nos costumes, destacando-se pela organização de protestos contra o governo do PT em São Paulo.
Salles foi convidado pelo então governador Geraldo Alckmin para chefiar a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo em 2016, sendo sua passagem pela passagem pela pasta marcada por uma postura de "desburocratização", o que gerou intensos atritos com órgãos de fiscalização e ONGs ambientalistas.
Em 2019, Salles se tornou Ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro. Um dos seus momentos mais marcantes no cargo foi quando sugeriu, em uma reunião ministerial, que o governo aproveitasse a atenção da mídia voltada para a pandemia de Covid para "passar a boiada" --metáfora para desregulamentar e a simplificar normas ambientais sem repercussão.
Na sabatina desta quarta-feira, Salles exaltou o agronegócio, classificando-o como “o mais avançado do mundo”. “O agronegócio brasileiro não tem nada do que se envergonhar, muito pelo contrário. É o agronegócio mais sustentável do planeta. Nenhum país do mundo tem as regras que nós somos obrigados a cumprir. Por exemplo, o Código Florestal… nem em Europa, nem nos Estados Unidos tem.”
A BandNews TV faz nesta e na próxima semana uma série de sabatinas com os pré-candidatos ao Senado pelo estado de São Paulo. As entrevistas acontecem sempre às 13h, no programa No Meio do Dia.
Veja abaixo o que o pré-candidato Ricardo Salles falou sobre cada um dos principais assuntos debatidos no encontro.
Críticas e meio ambiente
"Olha, nós fomos a primeira gestão da história à frente do Ministério do Meio Ambiente, em que se reconheceu o valor do setor privado, do empreendedorismo, da atividade econômica como vetor de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, de preservação ambiental. O que a gente tinha antigamente --e temos inclusive agora com a gestão da Marina Silva-- é um Ministério do Meio Ambiente antissetor privado, antiprodutor, antiempreendedor, como se congelar o meio ambiente fosse uma forma de conservação. Não é!
Infelizmente, esta é uma área muito aparelhada ideologicamente, historicamente, inclusive no âmbito acadêmico, em determinados órgãos de imprensa, em vários lugares. Então, quando você entra num segmento tão aparelhado ideologicamente quanto esse e muda o paradigma de atuação, evidentemente existem críticas, é normal, mas acho que o trabalho mostra.
Inclusive, 100 milhões de pessoas não têm coleta e tratamento de água e 35 milhões de brasileiros não têm sequer água potável. Nós vamos, finalmente, resolver esse problema com algo feito na nossa gestão, que é o marco legal do saneamento, coisa que a esquerda nunca se preocupou, tanto que o Lula quis destruir o marco legal do saneamento e a Marina Silva sequer disse uma palavra quando foi feito o decreto. Nós tivemos que derrubar esse decreto lá na Câmara dos Deputados para poder restabelecer os avanços do marco legal do saneamento."
Agronegócio mais avançado do planeta
"A narrativa de flexibilização de regras [ambientais] caiu por terra, esse processo foi julgado, todas essas acusações foram julgadas pelo Judiciário e foi comprovado que não houve flexibilização. nenhuma. O que houve, na verdade, foi o respeito, como eu já disse aqui, ao setor produtivo, ao setor privado.
O agronegócio brasileiro não tem nada do que se envergonhar, muito pelo contrário. É o agronegócio mais sustentável do planeta. Nenhum país do mundo tem as regras que nós somos obrigados a cumprir. Por exemplo, o Código Florestal… nem em Europa, nem nos Estados Unidos tem.
O Brasil, por outro lado, é só 2,8% das emissões globais. Nós não somos os vilões das emissões globais. Os vilões são a China, com 30%, os Estados Unidos, com 18%, Europa com 17%. Portanto, o crédito de carbono, por exemplo, tinha que ser uma pauta de exportação do Brasil, para nós ganharmos dinheiro exportando o crédito de carbono para corrigir o que os outros países destruíram.
Nós sabemos que o Brasil tem problemas, mas os problemas em geral são da agenda urbana. A má gestão do resíduo sólido, ou seja, do lixo, a gestão do saneamento, essa grave chaga de um país. Como eu já disse, o agronegócio brasileiro não tem nada a esconder. Muito pelo contrário, ele é o orgulho nacional, é aquele que sustenta a nossa economia e precisa, aliás, não só precisa, como merece todo o apoio do governo e da sociedade brasileira."
Relação com Bolsonaro
"O presidente Bolsonaro e eu temos muitas coisas em comum. Ele é uma pessoa que a vida inteira brigou contra a corrupção, contra o aparelhamento estatal, contra essa visão que a esquerda tem de aparelhamento das universidades, das escolas, ele defende intransigentemente o direito de propriedade, o direito à legítima defesa, ele tem muitas coisas em comum.
Eu tenho orgulho de ter sido ministro dele, aliás, da primeira leva de ministro, daquelas que foram escolhidas por ele. Os outros foram sendo colocados por questões de políticas momentâneas e até de conveniência administrativa. Mas eu fui do primeiro grupo, eu posso dizer com muita tranquilidade, nós temos muitas afinidades, mas eu tenho algumas coisas um pouco diferentes, eu tenho uma verdadeira aversão ao Centrão."
“Centrão é o câncer do país”
"Acho que o centrão é o verdadeiro câncer do Brasil. Eu tenho grandes discordâncias ideológicas e programáticas em relação à esquerda, mas pelo menos você sabe o que eles pensam. A direita tem uma visão sobre as coisas, a esquerda tem outra, o eleitor escolhe, de certa forma, qual modelo que ele prefere. Eu entendo que o da direita é melhor, os países que se desenvolveram são aqueles que têm liberdade econômica, o liberalismo econômico, as posturas de os estados mais seguros são os estados mais conservadores, a esquerda tem a visão dela.
Qual é o problema do centrão? É que ele se vende ora para a esquerda, ora para a direita. Quem pagar mais, leva. E ele fica se miscuindo na política pública e fica entrando na política pública, entrando nos governos. Os mesmos apoiadores do Fernando Henrique depois foram apoiadores do Lula, depois foram apoiadores da Dilma Rousseff, do Michel Temer, do Bolsonaro e do Lula novamente. Então você vê que o centrão não tem ideologia, o centrão não tem postura.
O centrão é realmente o câncer do Brasil. Eu tenho, neste ponto, uma postura mais dura que o presidente. O presidente Bolsonaro, ele foi parlamentar por mais tempo que eu, ele talvez tenha tido mais jogo de cintura para lidar com isso. Eu, por outro lado, sou mais duro em relação ao centrão. Acho que essa é uma questão fundamental. Acho que o centrão, tanto quanto a esquerda é muito pernicioso para o Brasil, ou até mais, como eu já disse, porque ele se disfarça."
Áudios de Flávio e Vorcaro
"Obviamente, nós, da direita, não gostamos de ver nada que atrapalhe o plano de tirar o Lula do poder. Todos os quatro candidatos da direita à Presidência têm que ter como vetor principal do seu trabalho uma frase simples, que é: “Fora Lula”. Ou a gente tira o Lula do poder ou o Brasil vai quebrar. A incompetência, a má administração, a roubalheira, tudo que de ruim está no DNA do PT, voltou nesse governo do Lula.
O presidente Bolsonaro é uma pessoa e o Flávio, filho dele, é outra pessoa. Esse caso do Banco Master, do Vorcaro, merece e deve ser, sim, explicado à exaustão e cabe ao próprio candidato Flávio Bolsonaro dar as explicações que ele entender cabíveis e, obviamente, enfrentar o questionamento público que é legítimo.
O candidato do meu partido, Romeu Zema, que é um grande candidato, foi um governador excepcional, reeleito em primeiro turno em Minas, um cara honestíssimo, preparado, discreto. Então, acho que o Zema tem todo direito de se indignar com questões de corrupção ou com aparência de corrupção ou de, pelo menos, um envolvimento indevido.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro deve ter toda oportunidade de se explicar e o eleitor vai acompanhando isso. Eu fico muito tranquilo, a minha relação não é com o Flávio, a minha relação foi com o presidente Bolsonaro ao longo do período em que nós tivemos um governo juntos e eu tenho muito orgulho de ter sido ministro dele e acho que o Brasil poderia estar muito melhor se ao invés de ter eleito o Lula, tivesse reeleito o presidente Bolsonaro."
“Senado virou balão de negócios”
"Acho que grande parte do problema do aumento dessa preponderância do Judiciário decorre da fragilidade do comportamento do próprio Legislativo. O Legislativo não está, em especial o Senado, à altura do seu papel constitucional. Ele não está à altura da sua função institucional, inclusive. Quando você tem um Senado composto em grande parte por gente que tem ‘rabo preso’, que tem contas a dever, que não sabe se comportar à altura do cargo, você acaba perdendo.
É preciso legitimidade e a respeitabilidade para fazer valer algo que a Constituição determina, que é o equilíbrio e a harmonia entre os poderes. O Senado, em grande medida, hoje, virou um balcão de negócios. A gente vê como as coisas acontecem, mas são interesses privados acima do interesse público, uma postura que não condiz com a relevância da Casa Maior, da Casa Alta, que é o Senado da República.
A Constituição atribuiu uma série de prerrogativas ao Senado, e você vê que essas prerrogativas não são executadas, não são cumpridas, não são exercidas da maneira correta, exatamente por este motivo. Os membros da Casa Alta não estão à altura, na sua maioria, do papel constitucional, histórico e institucional que lhes cabe."
Redução da maioridade penal
"Eu sou favorável. Hoje você vê jovens de 16 anos cometendo crimes, a gente lembra do Champinha, mas vários outros crimes bárbaros. Se a pessoa de 16 anos já pode votar, por que ela não pode ser responsabilizada criminalmente? Eu sou totalmente favorável à redução da maioridade penal. Mas ela, por si só, não resolve o problema. Existem vários outros passos que precisam ser tomados. Mudança da legislação de saidinha, audiência de custódia, progressão de pena, visita íntima.
O que aconteceu é que essa visão que a esquerda foi incutindo em matéria penal no Brasil nos últimos 20, 30 anos, foi fragilizando os instrumentos legais, com os quais tanto o Judiciário quanto o Ministério Público são obrigados a lidar. Então, quando a gente vê o preso voltando para as ruas, é a audiência de custódia que solta o preso. E solta o preso porque a legislação assim determina. Precisamos acabar realmente com essas brechas todas.
Repito, a redução da maioridade penal é necessária, mas ela não é suficiente. Nós temos várias outras formas, várias outras regras, progressão de pena, visita íntima, saidinha, audiência de custódia, enfim, tudo isso precisa ser rapidamente mudado para que as coisas aconteçam no Brasil."
Segurança Pública
"E, por outro lado, estruturalmente, nós precisamos fazer uma limpa no sistema de segurança pública brasileiro. Rudolf Giuliani [ex-governador de Nova York] criou aquele movimento do tolerância zero, e dizia que só pôde fazer aquilo porque, antes de aplicar as políticas públicas, ele fez uma limpa nos diversos órgãos da cidade, tirando gente corrupta, incompetente, acabando com práticas que não deveriam acontecer.
Nós precisamos fazer essa mesma limpa nos órgãos de segurança pública para, aí sim, poder aplicar como se deve a legislação."
