Simone Tebet sobre dialogo com a extrema-direita: 'Não entendem o que falo'

Pré-candidata ao Senado por SP foi sabatina nesta terça-feira (26) pela BandNews TV

Da redação

Por Da redação

Simone Tebet sobre dialogo com a extrema-direita: 'Não entendem o que falo'
Simone Tebet
Agência Brasil

Simone Tebet (PSB), pré-candidata ao Senado pelo estado de São Paulo, foi sabatinado, nesta terça-feira (26), na BandNews TV, e afirmou ter muito orgulho de ser uma figura política alinhada com o centro. Segundo ela, isso garante que mantenha diálogo com a direita e com a esquerda. 

Eu tenho dificuldade de dialogar com a extrema-direita, porque muitas vezes eles não conseguem nem entender o que eu estou falando. Mas mesmo assim eu tento, porque a política requer diálogo […] O problema é que, quando um não quer, o outro não dialoga, e é isso que a gente tem dificuldade com a extrema-direita no Brasil. --Simone Tebet

Tebet é apontava como um dos nomes mais fortes e estratégicos do campo progressista e de centro-esquerda para a disputa ao Senado por São Paulo. Com uma trajetória nacional projetada na última eleição presidencial e na Esplanada dos Ministérios, ela tomou a decisão de transferir seu domicílio eleitoral para o território paulista, encarando o maior teste de sua carreira política.

Nascida em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, em 1970, Tebet é advogada e professora universitária, além de ser filha do ex-presidente do Senado Ramez Tebet. Sua trajetória política começou em 2002, quando foi eleita deputada estadual em seu estado natal. Logo em seguida, fez história ao se eleger prefeita de sua cidade em 2004 --e, reeleita, com 76% dos votos. 

O divisor de águas de sua carreira ocorreu em 2022, quando disputou a Presidência da República pelo MDB e terminou em terceiro lugar, somando quase 5 milhões de votos. No segundo turno, seu apoio ativo foi considerado crucial para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que lhe garantiu o comando do Ministério do Planejamento e Orçamento, cargo que ocupou até março. 

Mudança de partido a pedido de Lula

"É uma mudança política! Nada mais que isso. Eu faço política há mais de 30 anos e sempre tive um único partido. Quando você olha, muita gente já teve cinco, seis, sete partidos. Eu fiz uma mudança porque, lamentavelmente, as portas do MDB, aqui em São Paulo, estavam fechadas. Mas acima de tudo eu clamo por democracia, por soberania, acho que a nossa bandeira não pode ser estrangeira, a nossa bandeira é brasileira, nós sabemos dos nossos problemas, mas nós temos a capacidade de resolvê-los de forma harmônica, internamente. 

Eu tive que fazer esse movimento [de mudança de partido], a exemplo de Geraldo Alckmin, que é o meu grande líder, sempre foi. Eu sempre estive ao lado do PSTB, que é o partido antigo de Geraldo Alckmin, nas candidaturas à presidência da República. Não é uma guinada ideológica, ao contrário, a democracia permite que a gente, embora pense diferente em muitas pautas, possa se unir naquilo que é essencial, que é estratégico. 

Para mim, o que é essencial num país tão rico, com a vergonhosa característica de ser o país mais desigual do mundo… o que é essencial, o que me une ao governo do presidente Lula, ao vice-presidente Geraldo Alckmin, é a luta pela diminuição da desigualdade social, fim da fome, pela geração de emprego e valorização do trabalhador, isso eu sempre tive comigo, além da pauta de soberania e democracia. Então eu me sinto muito confortável."

Taxa das blusinhas

"Nós estamos prejudicando a indústria brasileira, a indústria nacional e, portanto, esses empregos com esses grandes sites de compras, que estavam, de alguma forma, vendendo para a pessoa jurídica aqui e, portanto, eliminando concorrência como se fosse para a pessoa física. Então, vinha no desvio, evasão de divisa, para não se pagar imposto, mandando mercadorias importadas para serem vendidas aqui numa concorrência desleal com o comerciante nacional.

Por isso, foi importante o programa Receita Conforme, que durou um pouco mais de um ano, onde a Receita Federal detectou essas fraudes, essas grandes empresas, que eu não posso citar o nome, mas todo mundo já deve estar imaginando alguma na cabeça. Elas aceitaram entrar nessas regras, foi legalizado e, com isso, a concorrência, não digo que desapareceu, porque o crime, evasão de divisa, de contrabando e descaminho sempre acontece, mas isso caiu muito.

Feito isso, a Receita deu o sinal verde de que estava tudo organizado e caiu a taxa das blusinhas, porque se fez desnecessário. Você me faz uma pergunta absolutamente coerente, que também nós temos preocupação. Como compensar? Agora, a não cobrança mais do imposto de importação desses produtos e garantir ainda assim a concorrência dos nossos --principalmente pequenos-- comerciantes e empresários."

Executivo x Legislativo

"Esse é um grande problema mesmo do Brasil. E não é deste governo, foi também de todos os governos que passaram. E a culpa não é do Executivo apenas. Nós tivemos quantas vezes tentativa de diminuir os gastos tributários? O Brasil renuncia da receita que falta lá no posto de saúde, depois falta para garantir segurança pública, para construir casas populares… no final renunciamos em torno de R$ 600 bilhões, não são milhões, são bilhões por ano. 

E toda vez que a gente tenta levar para o Congresso ou discutir, isso fica estacionado por conta de lobbies. Não estou contra muitos lobbies que são legítimos, mas fica parado e a gente não consegue. Depois que se dá um benefício tributário para alguns setores ou mesmo empresas, a gente não consegue depois, mesmo quando esses benefícios não se justificam mais, tirá-los. Temos muita dificuldade em relação a isso. 

O problema maior do Brasil não é gastar muito, o problema maior do Brasil é gastar mal, porque quando você gasta muito, mas você investe em educação, em saúde pública de qualidade, você tem o retorno lá na frente, você tem o retorno do trabalhador, ganho de produtividade, ele rende, ele ganha melhor salário, ele torna a empresa onde ele trabalha competitiva e o Brasil cresce com isso. O parceiro certo é o Congresso Nacional."

"Tenho orgulho de ser do cento" 

“Eu tenho muito orgulho de ser uma pessoa de centro. Se é uma coisa que eu tenho orgulho é de falar o seguinte: ‘’Eu consigo dialogar e dialogo com a esquerda, com o centro, com a direita. Eu tenho dificuldade de dialogar com a extrema-direita, porque muitas vezes eles não conseguem nem entender o que eu estou falando. Mas mesmo assim eu tento, porque a política requer diálogo. 

E aqui eu faço uma homenagem aos grandes líderes que já passaram pela política brasileira. Posicionamentos absolutamente distintos, mas quando uma bomba atômica caía no Brasil, quando alguma coisa muito séria acontecia, uma seca avassaladora, uma crise econômica, eles tinham a capacidade de sentar à mesa, deixar as diferenças de lado e falar: ‘Nós vamos resolver’. O problema é que, quando um não quer, o outro não dialoga, e é isso que a gente tem dificuldade com a extrema-direita no Brasil."

Fim da escala 6x1

"Se a gente for analisar, essa pauta ressurgiu dentro do Congresso Nacional com o apoio, obviamente, do Executivo, mas ela surgiu dentro do Congresso Nacional. O meu ministério tinha um grande instituto, que é o IPEA, todo mundo conhece… Eu pedi esse estudo, e ele mostra que o setor do agronegócio, por exemplo, tem impacto de 1% no faturamento, porque a maioria hoje da mão de obra está mecanizada. O setor da indústria, inclusive lembrando da reforma tributária, tem um impacto mínimo. 

Quem realmente tem um impacto maior é o setor de serviços e o micro e pequeno empreendedor. E aí entra o papel do Estado como indutor do desenvolvimento. O Estado tem instrumentos para não dar um cavalo de pau e para proteger, seja nessa transição, seja em forma de subsídio, esse micro e pequeno empresário, comerciante que tem dois , oito, dez empregados. O Brasil não vai quebrar, nem a classe política vai dar um cavalo de pau.

Se houvesse alguma chance de setores da economia quebrarem ou terem dificuldade em competitividade com o fim da escala 5x2, ela não aconteceria, até porque o Congresso Nacional é plural, tem várias posições ideológicas e representa vários setores. Eu mesma fui da Frente Parlamentar do Agronegócio, da Frente da Micro e Pequena Empresa, eu era da Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa, enfim. A gente sabe como é que trabalha o Congresso Nacional, com muito diálogo. A escala 5x2 ela é necessária."

Assista à sabatina na íntegra

 

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