O ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao cargo, Wilson Witzel (Democratas-RJ), atacou membros da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em entrevista à BandNews TV. Na declaração, ele justificou falas polêmicas de seu mandato e detalhou sua política de segurança.
“A minha política de enfrentamento foi uma política de combate, polícia na rua, 24 horas. Eu aumentei o orçamento da Polícia Militar, aumentei o programa de segurança presente para as áreas que tinham mais movimentação de pessoas e nós não demos trégua ao crime organizado. Não tinha barricada porque o bandido não tinha espaço. Se ele iniciasse uma ação de barricada, ele seria neutralizado”, disse.
Wiztel defendeu sua gestão, que durou de 2019 a 2020. “Minha política de segurança pública foi vitoriosa e muita gente me criticou. Gente que me criticou, partidos que me criticaram e que agora estão fazendo o mesmo discurso meu”. O pré-candidato explicou a origem da polêmica declaração sobre o "tiro na cabecinha". Segundo ele, a frase surgiu após questionamentos do público sobre a possibilidade de falhas nas operações policiais.
Aí surgiu aquela frase do 'tiro na cabecinha' porque as pessoas me perguntavam: 'Ah, mas pode ter erro?' Não, porque o atirador de elite não erra, ele faz um tiro de precisão. E ficou claro que o bandido de fuzil é terrorista. Então, o que aconteceu depois da minha saída é que o crime se fortaleceu.
“Eu sou o único que tem condições de enfrentar, porque conheço os problemas, conheço a máquina pública e não preciso ficar buscando soluções. Eu já tenho as soluções e tenho conhecimento”, disse o pré-candidato.
Crime organizado infiltrado na política
O ex-governador culpou uma aliança entre facções criminosas e o Poder Legislativo pelo processo que resultou no seu impeachment em 2020. Ele avalia que o crime recuou durante o seu período no comando do Estado.
“Não é só o crime organizado do morro, não é só o crime organizado da favela, mas é o crime organizado também dentro do poder da Assembleia Legislativa, que agora está aí claramente com provas contundentes de envolvimento dos deputados com o crime organizado, Comando Vermelho, com lavagem de dinheiro da milícia”, disse.
Para o político, a reação dos criminosos ocorreu quando perceberam que não haveria espaço para negociações: “Quando o crime organizado percebeu que comigo não haveria recuo, não haveria negociação, não haveria arrego, eles se articularam junto ao braço que eles tinham na Assembleia Legislativa para me tirar. De lá para cá a gente viu o que aconteceu. O Rio de Janeiro sucumbiu completamente. O crime se fortaleceu financeiramente, ele acusou o golpe que nós demos em 2019 e 2020. Foi um trabalho de redução sensível dos índices de criminalidade", afirmou.
Independência policial e combate à corrupção
Witzel prometeu agir com rigor contra parlamentares envolvidos com facções caso retorne ao cargo. Ele garantiu que buscará blindar o trabalho policial de interferências políticas.
"Se tiver que prender deputado, nós vamos prender e eu vou estar atento a isso para que não haja interferências do Poder Legislativo. E se tiver que ir ao Supremo Tribunal para blindar o trabalho da Polícia Civil, nós vamos fazer."
Segundo o ex-governador, a Assembleia Legislativa pretendia controlar as ações policiais por meio da nomeação do secretário de Segurança Pública, da chefia da Polícia Civil e do comando da Polícia Militar. Como especialista, juiz federal e professor de direito penal e processo penal, ele defendeu a extinção da pasta de Segurança Pública.
“A Assembleia Legislativa queria nomear o secretário de Segurança Pública, para que ele pudesse controlar as nomeações, ações, dar a chefia da Polícia Civil e dar o comando da Polícia Militar e, para baixo, comandar tudo. Quando eu acabei com a Secretaria de Segurança Pública eu acabei com esse viés político porque é um equívoco que muita gente vem falando e eu posso dizer porque eu sou especialista. A Secretaria de Segurança Pública não integra absolutamente nada em lugar nenhum. É um órgão político para controlar o que as polícias fazem. E é um equívoco imaginar que isso pode funcionar em algum lugar do Brasil. E não está funcionando”.
“Vamos dar independência aos comandantes de batalhão, porque hoje esses comandantes que estão aí são todos politicamente indicados. Sabe-se lá o que eles estão fazendo. Sabe-se lá com que viés eles foram nomeados, com interferência até do Comando Vermelho. O crime organizado se fortaleceu dentro do Poder Legislativo e nós precisamos agora asfixiar, não só financeiramente, o crime organizado, mas também identificar aqueles que estão envolvidos com o crime organizado".
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