Após desistir, Flávio fala em 'censura' ao comentar debate cancelado
'Nossa democracia está doente', afirmou o candidato à presidência em pronunciamento transmitido nas redes sociais
O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) realizou uma coletiva para lamentar o cancelamento do debate da TV Globo nesta quinta-feira (1º), mesmo tendo desistido de participar do confronto. Flávio transmitiu o pronunciamento em uma transmissão ao vivo aberta em seu perfil oficial do Instagram e falou em "censura".
Continua depois da publicidade
Após uma série de decisões judiciais em relação à participações e dinâmicas do debate, a emissora optou por cancelar a realização do debate presidencial, que seria realizado hoje no Rio de Janeiro e transmitido ao vivo.
A emissora tomou a decisão após ser intimada de duas decisões judiciais proferidas por ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) a poucas horas do início da atração (entenda mais abaixo).
Flávio Bolsonaro comentou a alegação de insegurança jurídica como "óbvia". "Todos percebem que vem acontecendo, chegou ahora no seu ápice", afirmou o candidato. "Milhões de pessoas aguardavam ansiosamente para comparar as propostas e escolherem seu candidatos para, daqui a 3 dias, comparecerem as urnas na maior festa da democracia. E vem varias decisões que corroboram com censura, interferência jurídica dentro das eleições, um desequilíbrio dessa disputa."
Continua depois da publicidade
Bolsonaro finalizou com uma frase de campanha: "Nossa democracia esta doente e o remédio é Flávio Bolsonaro".
Globo cita 'interferência indevida' ao cancelar debate
Em posicionamento oficial, a Globo argumentou que tem longa tradição na organização de confrontos eleitorais para promover a discussão de ideias e fortalecer a democracia, mas ressaltou que as sucessivas intervenções judiciais em cima da hora geram insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa possuem para organizar os debates.
Em razão desse cenário, a direção do canal optou por cancelar a realização do encontro. A emissora agradeceu aos candidatos convidados e prestou esclarecimentos ao público e aos eleitores.
A primeira intimação decorre de uma liminar da ministra Estela Aranha, do TSE, que atendeu a um pedido da coligação do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A determinação anulou o item do regulamento — assinado previamente por todos os partidos — que previa a manutenção de um púlpito vazio com o nome do candidato ausente e a formulação de perguntas a ele pelos demais postulantes em bloco de tema livre.
Continua depois da publicidade
A segunda ordem judicial partiu do ministro Gilmar Mendes, do STF, atendendo a uma solicitação do partido Solidariedade para garantir a participação de Renan Santos, candidato do Missão. A decisão determinou a presença do postulante no programa, embora sua legenda conte com apenas um parlamentar no Congresso Nacional. Pela regra legal, as emissoras são obrigadas a convocar apenas candidatos de partidos com representação mínima de cinco parlamentares.
Com base na legislação, a Globo havia convidado originalmente Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT). Na terça-feira (29), uma decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, já havia alterado o entendimento sobre a contagem das bancadas e assegurado a participação de Romeu Zema (Novo).
