Band Eleições: 'o que vai definir essas eleições é o bolso', avalia Mitre
O cenário eleitoral caminha para uma definição pragmática em que o bolso do eleitor ditará o resultado final das urnas. Durante debate no programa Band

O cenário eleitoral caminha para uma definição pragmática em que o bolso do eleitor ditará o resultado final das urnas. Durante debate no programa Band Eleições desta segunda-feira (7), o jornalista Fernando Mitre cravou que "o que vai definir essa eleição é o bolso", apontando que o endividamento e a percepção econômica do brasileiro comum serão as forças motrizes para a aprovação ou rejeição dos candidatos.
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A análise ocorre em um momento em que a pesquisa eleitoral mais recente aponta para uma estabilidade na superfície, mas com tendências profundas de mudança no cenário da disputa. A jornalista Adriana Araújo aponta que a vantagem de oito pontos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sustentava sobre Flávio Bolsonaro (PL) em julho desapareceu, culminando em um empate numérico que acendeu o sinal de alerta na campanha governista.
Mitre aponta que a alta anterior do atual presidente corrobora sua leitura de que o bolso será determinante. Isso por que coincide com o programa governamental Desenrola, que teria reduzido temporariamente a oposição ao governo por questões financeiras. Agora, no entanto, a situação dos endividados --que atinge dramaticamente 44% das famílias brasileiras-- voltou ao patamar anterior, anulando um dos principais trunfos da campanha situacionista.
Essa realidade econômica reflete-se diretamente nos índices de popularidade do governo Lula. A desaprovação na pesquisa Quest subiu de 48% para 50%, enquanto a aprovação caiu de 45% para 43%. Mitre sublinha que este comportamento destoa do padrão histórico de reeleições.
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Normalmente, incumbentes registram uma trajetória de crescimento consistente nesta altura da campanha, com média de alta de 13%. Lula, contudo, cresceu apenas 5% no acumulado até agosto --um desempenho abaixo do obtido por Jair Bolsonaro em 2022, que mesmo perdendo o pleito final, acumulou crescimento expressivo de 18% a 20% no período inicial.
O supermercado e os eleitores independentes
Complementando a visão econômica do debate, o jornalista Marco Antonio Sabino ressaltou que o cotidiano imediato do cidadão é ainda mais simples e direto do que os grandes índices de endividamento. Para ele, embora as dívidas sejam um drama nacional histórico, são "os preços do supermercado que podem decidir as eleições".
Essa percepção de bem-estar diário será o fator de desempate para um grupo muito restrito, mas crucial, de eleitores independentes. Trata-se de um eleitorado pragmático, sem amarras ideológicas ou partidárias fixas, que decide o seu voto exclusivamente pela qualidade de vida do momento.
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Estes eleitores independentes foram os responsáveis por definir a última eleição presidencial por uma margem estreitíssima de apenas 1,78% dos votos --uma diferença que, segundo Mitre, pode ser ainda menor neste pleito. Este cinturão de eleitores indecisos é composto por pessoas que votaram em Bolsonaro em 2018, migraram para Lula em 2022 e que, diante do atual cenário de empate e inflação, continuam sem saber em quem depositar seu voto.
