Campanha de Lula aciona TSE contra a Meta por queda de alcance nas redes
Ações contestam uso de criptomoeda pró-Flávio, vídeos manipulados e conteúdos desinformativos

O presidente Lula exibe uma bandeira do Brasil após votar em escola de São Bernardo do Campo, em São Paulo
REUTERS/Brian Snyder
A Coligação Brasil Pronto Pra Mais acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em uma série de representações relacionadas à disputa do segundo turno das eleições de 2026. As ações apontam irregularidades que envolvem a suposta redução do alcance de publicações favoráveis ao presidente Lula, um esquema de remuneração com criptomoedas para divulgação de propaganda pró-Flávio Bolsonaro, além de vídeos manipulados ou gerados por inteligência artificial e conteúdos considerados desinformativos.
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Alcance nas redes e denúncia contra a Meta
Uma das representações contesta a Meta devido a uma suposta redução ou interrupção do engajamento em publicações favoráveis a Lula ou contrárias a Flávio Bolsonaro. A iniciativa atende a relatos públicos de queda ou zeramento de interações em conteúdos com esse perfil político. A chapa Lula-Alckmin solicita que o TSE determine à empresa o tratamento isonômico na distribuição dos conteúdos, alegando que eventuais restrições afetam o equilíbrio da disputa.
Criptomoedas por propaganda eleitoral
Na quinta-feira (8), a coligação ajuizou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar, Pablo Marçal e os responsáveis pelo token "Brasil 22 Token" (B22). A suspeita é de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação por meio de um esquema financeiro para impulsionar a campanha no segundo turno.
O site do B22, no ar desde 6 de outubro, oferece 30 mil tokens às primeiras mil pessoas que divulgarem o projeto nas redes sociais. Em transmissão ao vivo com Nahuel Medina, o idealizador do projeto, Kevim Flores, afirmou: "a gente vai conseguir com que várias pessoas que votaram no 13 compartilhem em suas redes sociais o B22".
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A petição aponta a declaração como indício de tentativa de mobilização de eleitores de Lula. O processo cita ainda o perfil estrangeiro @hyperskidsafrica, de 12,9 milhões de seguidores, que recebeu 120 milhões de tokens e publicou um vídeo de crianças ugandenses com camisetas do projeto pedindo votos no 22.
Embora o site do B22 afirme que a entrega dos ativos independe de voto ou propaganda, a coligação contesta a versão e pede a suspensão do domínio, o encerramento da distribuição sob multa diária de R$ 50 mil e a remoção das postagens em até duas horas. Na Aije, pede-se a cassação do registro ou diploma de Flávio e Gaspar, além da inelegibilidade de ambos e de Marçal por oito anos. Paralelamente, notícias de fato foram enviadas à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para apurar crimes do Código Eleitoral.
Vídeo editado e peças com inteligência artificial
Outra ação aciona Pablo Marçal por publicar no Instagram um vídeo simulando um telejornal que utiliza áudio de 2016 entre Lula e o então prefeito do Rio, Eduardo Paes. Na montagem, a frase "é um bando de filho da p*, Eduardo" aparece deslocada para parecer uma resposta sobre o Ministério Público, exibindo o texto "ele não gosta de evangélicos". Na gravação original, Lula referia-se aos procuradores e disse "é uma coisa absurda". A peça vinha acompanhada da legenda "vídeo de antes de existir IA". A representação pede remoção do conteúdo em até três horas, proibição de republicações e multa de R$ 30 mil.
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A coligação também contestou vídeos de IA no TikTok publicados pelos perfis @ptpartidodastrevas e "Voz do Seu Zé" (@vozdoseuze), que usam imagens digitais para induzir eleitores a erro sobre o número de urna de Lula, trocando-o pelo 22. A chapa solicitou a remoção das peças, identificação dos responsáveis e multa de R$ 30 mil em cada caso.
Publicações sobre aposentadorias e e-book
Na quarta-feira (7), o TSE foi acionado contra o senador eleito Carlos Bolsonaro e o vereador Fernando Emílio dos Santos Machado por publicações afirmando que o governo "estuda desvincular o salário-mínimo da aposentadoria". A ação contrapõe os posts a declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, à GloboNews, ressaltando que "não está colocada a desvinculação do salário-mínimo dos benefícios". O pedido exige remoção das mensagens, direito de resposta nas redes e multa de R$ 30 mil.
Por fim, uma ação contra o Facebook Serviços Online do Brasil e o autor do e-book "Os Podres de Lula" pede que o WhatsApp notifique usuários sobre a falsidade do material, remova reproduções e bloqueie a circulação do link de venda.
