Campanhas avaliam que debate da Band foi conflituoso e não teve vencedor
Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações sobre corrupção e familiares

Flávio Bolsonaro durante debate na Band
Renato Pizzutto/Band
As campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) encerraram o primeiro debate do segundo turno, realizado pela Band neste domingo (18), com argumentos para sustentar que seus candidatos conseguiram marcar pontos, mas sem um resultado que permita apontar um vencedor incontestável.
Continua depois da publicidade
O encontro foi dominado por ataques pessoais, acusações de corrupção e provocações envolvendo familiares, com pouco espaço para a apresentação de propostas concretas.
Do lado de Flávio, a avaliação passa pela exploração das suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e a lobista Roberta Luchsinger, investigada em inquéritos relacionados ao caso. O senador também buscou associar Lula a problemas econômicos, ao custo de vida e à segurança pública, além de questionar os resultados do governo.
Continua depois da publicidade
Já a campanha petista apostou na defesa do legado do governo e nos ataques à relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Um dos principais momentos do confronto ocorreu quando Lula cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões associados ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
O presidente também desafiou o adversário a abrir os sigilos bancário e telefônico dele e de seus familiares, numa tentativa de deslocar a discussão sobre corrupção para o campo bolsonarista.
Integrantes da campanha de Lula consideram que o presidente cumpriu uma missão importante: evitar que o debate reforçasse a percepção de envelhecimento ou falta de disposição para enfrentar o adversário. A avaliação, porém, não é de vitória sem ressalvas.
Continua depois da publicidade
O início do programa teve momentos de hesitação, e o uso da expressão “malandro carioca” para se referir a Flávio é visto com preocupação por petistas, pelo risco de a fala ser explorada negativamente nas redes sociais e mobilizar eleitores em favor do senador.
Na campanha de Flávio, por sua vez, há preocupação de que algumas escolhas de postura possam produzir efeito contrário ao desejado. A movimentação do senador pelo palco, aproximando-se de Lula durante o confronto, foi apontada por aliados como um possível fator de desgaste, caso seja interpretada como arrogância.
Ao mesmo tempo, a equipe bolsonarista considera que os ataques sobre Lulinha, economia e segurança pública ajudam a manter sob pressão o presidente na reta final da disputa.
Continua depois da publicidade
Embora o debate tenha começado com temas como economia e segurança pública, a troca de acusações acabou dominando a discussão. Os candidatos também divergiram sobre propostas para o combate ao crime, a maioridade penal e a saída temporária de presos.
Com a disputa acirrada e a votação marcada para o próximo domingo (25), as duas campanhas tentam transformar os momentos mais favoráveis em recortes para as redes sociais e conquistar os eleitores que ainda podem mudar de posição.
Lula deve insistir nos questionamentos sobre Vorcaro, defesa de programas sociais e dos resultados de seu governo, enquanto Flávio tende a manter o foco em corrupção, custo de vida e segurança pública.
Continua depois da publicidade
