Eleições

Campanhas focadas em ataques e falta de propostas marcam reta final das eleições, apontam especialistas

Para os especialistas, a estratégia de comunicação política atual prioriza o desgaste do oponente

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13/10/2026 00:52 • Atualizado há 12 dias

Faltando apenas 13 dias para a decisão nas urnas, o tom das campanhas eleitorais e a qualidade dos debates continuam no centro das discussões. Especialistas apontam que, até o momento, a sociedade e o eleitorado sentem a "falta de conteúdo", resumida na ausência "de um debate real de propostas para contrapor ideias de dos dois candidatos tanto do presidente quanto do senador, sobretudo pra economia que fica um grande ponto de interrogação".

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Segundo a análise do cientista político Fernando Schüler, a expectativa inicial de que propostas mais aprofundadas surgissem ao longo do processo esbarra na própria dinâmica das campanhas modernas. Enquanto o debate televisivo e público representa "o espaço não controlado da campanha", o marketing tradicional opera em uma lógica distinta e controlada.

A estratégia de comunicação política atual prioriza o desgaste do oponente: "a lógica de você aumentar a rejeição do outro lado vale mais, é triste dizer isso, vale mais do ponto de vista puramente publicitário, do que apresentar uma ideia propositiva de governo", completou Schüler.

A dificuldade das propostas complexas

A preferência por ataques em vez de propostas detalhadas também encontra justificativa na recepção do eleitorado. Conforme apontado na discussão, as propostas programáticas costumam enfrentar barreiras de credibilidade e compreensão popular: "a ideia propositiva ela tem um aspecto, ela é menos crível porque as pessoas têm mais dificuldade em entender", além do fato de que "a promessa tem pouca credibilidade e é complexa".

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Com isso, as campanhas frequentemente recorrem a discursos genéricos: "então a chance é ficar na generalidade: 'vamos fazer um programa pros idosos', 'vamos melhorar a educação'. Aí você cai na falta de credibilidade e na generalidade".

Disputa de rejeições

O resultado prático desse cenário é uma eleição pautada pelo desgaste mútuo entre os concorrentes. Na avaliação final do cientista político, o processo eleitoral transformou-se em "uma disputa de rejeições", onde o foco publicitário é claro: "eles só falam mal um do outro, então eles querem que o outro seja mais rejeitado", configurando "uma campanha de ataque, cada candidato investindo na rejeição do outro, não na sua melhoria, é deixar o outro pior".

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