Eleições
Jornal da Band

Como 'exército' de Janones furou a bolha e moveu jovens em virada histórica

Estratégia coordenada por André Janones furou a bolha nas redes sociais

2 min

27/10/2026 05:30 • Atualizado há 1 hora

A mobilização digital promovida pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi apontada por especialistas como um dos fatores decisivos para diminuir a abstenção no segundo turno da eleição presidencial. A atuação nas plataformas virtuais conseguiu romper as bolhas dos algoritmos e atrair um contingente expressivo de jovens e idosos para as urnas.

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O impacto do trabalho na internet foi reconhecido pelo próprio presidente eleito logo após a confirmação da vitória. Durante a apuração, Lula discursou ao lado de aliados e afirmou que a comunicação digital terá papel central em sua gestão, com o objetivo de incentivar a participação popular nas decisões do governo federal.

Após o resultado do primeiro turno, o PT reestruturou a atuação nas redes sociais para disputar um território historicamente dominado pela direita. A coordenação dessa frente ficou a cargo do deputado federal André Janones (Avante-MG), que estruturou grupos de voluntários para impulsionar conteúdos e organizar a militância na reta final da disputa.

Estratégia furou filtros do algoritmo e convocou atos de rua

Em canal no aplicativo WhatsApp com mais de 10 milhões de integrantes, a equipe distribuía metas diárias aos apoiadores. As orientações incluíam compartilhamento de vídeos em massa, subida de temas de interesse aos assuntos mais comentados e busca ativa por eleitores indecisos.

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Para o consultor de marketing político Marcelo Vitorino, a organização orgânica foi fundamental para furar os filtros das plataformas. Ele avalia que os algoritmos tendem a confinar os usuários em seus próprios interesses e que uma atuação coordenada é o caminho para fazer a mensagem atingir novos públicos.

As ações virtuais também se desdobraram em atos de rua convocados fora da agenda oficial da campanha, conforme apuração de Roberta Scherer no Jornal da Band. As caminhadas e concentrações públicas reforçaram o apelo pelo comparecimento no dia da votação, revertendo o quadro histórico de desinteresse verificado em etapas anteriores.

Segundo a cientista política Deysi Cioccari, a campanha digital resgatou um sentimento de pertencimento que a esquerda havia perdido nos últimos anos. Ela explica que o engajamento conectou a juventude e estimulou o comparecimento de eleitores com mais de 70 anos que já não tinham obrigação legal de votar, consolidando uma participação recorde nas urnas.