Direita radical lidera votação e renova bancada federal do Paraná
Metade dos deputados eleitos é novata; cientista político aponta força de discursos conservadores de família e religião
Metade dos 30 deputados federais eleitos para representar o Paraná em Brasília nas eleições gerais deste ano é formada por novos parlamentares, em uma bancada puxada por Jeffrey Chiquini (NOVO), Guilherme Kilter (NOVO) e Sargento Fahur (PL), ligados à chapa de Sergio Moro ao governo e de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Continua depois da publicidade
Novos parlamentares e força da direita
Para os próximos quatro anos, metade da bancada federal paranaense será composta por estreantes na Câmara. Chiquini foi o mais votado, com pouco mais de 425 mil votos, seguido por Kilter, com quase 270 mil. Reeleito, Sargento Fahur obteve cerca de 242,6 mil votos.
Segundo o cientista político Luiz Domingos, os três mais votados integram 'um radicalismo de direita claramente identificado pelo próprio discurso' e foram amplamente recompensados nas urnas. Para ele, essa ala atua desde 2018 e agora se consolidou como força dominante no Paraná.
Distribuição das vagas e perda de espaço do centrão
A federação formada por PP e União Brasil conquistou seis cadeiras na Câmara dos Deputados. O mesmo número foi alcançado pela federação que reúne PT, PCdoB e PV, alinhada à candidatura de Lula à Presidência.
Continua depois da publicidade
O PL, partido de Moro, elegeu sozinho cinco deputados federais pelo Paraná, enquanto o NOVO, associado à figura de Deltan Dallagnol, garantiu quatro vagas. Ao todo, quinze deputados da atual legislatura não se reelegeram.
De acordo com Domingos, partidos do chamado centrão e nomes tradicionais perderam espaço para candidatos com discursos mais conservadores e ideológicos, que enfatizam temas como família e religião. Ele aponta que essa troca de perfil reforça a mudança em curso na representação paranaense.
Família, religiosidade e cenário de incerteza
Para o cientista político, a ascensão desse grupo está ligada a um contexto de insegurança global e descrédito em instituições políticas e na mídia. Nessa conjuntura, afirma, cresce a adesão a mensagens que associam valores religiosos à defesa da família tradicional.
Continua depois da publicidade
'Essa combinação de religiosidade com a família tradicional é o lugar onde muitos setores que vivem incertezas se agarram para atravessar esse novo ciclo de vida em sociedade', analisa Domingos. 'Como muitos não acreditam mais em partidos ou nos meios de comunicação, o que sobra é o pastor, o padre e a família', afirma.
Na avaliação dele, o resultado das urnas no Paraná tende a reforçar posições conservadoras na próxima legislatura federal e a influenciar o rumo de debates nacionais sobre costumes, religião e papel do Estado.
