Eleições

Eduardo Bolsonaro contesta resultado de eleições no Brasil: 'Impossível'

Ex-deputado vai contra votação conquistada por Lula e Flávio e espalha desinformação sobre extensão de horário para voto

4 min

26/10/2026 01:23 • Atualizado há 1 hora

Eduardo Bolsonaro contesta resultado de eleições no Brasil: 'Impossível'

O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, usou seu perfil no X (antigo Twitter) para contestar o resultado das urnas e a derrota de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), no fim do segundo turno realizado neste domingo (25).

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Em publicação feita em inglês após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-parlamentar voltou a lançar suspeitas sobre o sistema eletrônico de votação e o processo de apuração conduzido pela Justiça Eleitoral.

Na mensagem veiculada na plataforma, Eduardo colocou em xeque a lisura do pleito e manifestou inconformismo com a margem de votos declarada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no encerramento da contagem. A manifestação ocorre na esteira de declarações dadas por ele nos últimos dias em transmissões nos Estados Unidos, nas quais defendeu abertamente o questionamento do resultado do segundo turno.

Nas postagens, Eduardo soma o número de votos obtidos por outros candidatos no primeiro turno e os considerada "desproporcional" ao número de votos que Lula ganhou entre os turnos.

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"É como se ele tivesse conquistado cada único voto dado a esses candidatos, nenhum dos quais é de esquerda, mais outros 1.320.602 votos, tornando-se o presidente mais popular de toda a história do Brasil. Isso é impossível. Inaceitável", escreveu.

O ex-deputado menciona ainda que "a vontade de votos foi interrompida por duas horas". A informação, contudo, é falsa (veja mais adiante).

O que explica número de votos recebido por Lula?

O crescimento na votação de Lula pode ser explicado por alguns fatores. Lula alcançou a marca recorde de 64.239.788 votos (51,78%), tornando-se o presidente mais votado da história do país desde a redemocratização.

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A marca é explicada pelo avanço no comparecimento das urnas e pela capacidade de atração de novos eleitores. A abstenção no segundo turno despencou para 19,22%, atingindo a menor taxa registrada em eleições presidenciais desde 2014 e trazendo milhões de eleitores de volta às seções.

O próprio candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, obteve a segunda maior votação da história para um único candidato, somando 59.818.160 votos (48,22%). Apesar dos números consolidados pelo TSE, Flávio repetiu a estratégia adotada por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), em 2022, ao anunciar que pedirá a anulação do pleito alegando contestação quanto à prorrogação do horário de votação.

Ao contrário de declaração, votação ocorreu sem interrupções

A alegação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) de que "a vontade de votos foi interrompida por duas horas" é falsa. Não houve qualquer paralisação na coleta dos votos durante o segundo turno. O que ocorreu foi a prorrogação do horário de funcionamento das urnas por mais duas horas — estendendo a votação até as 19h (horário de Brasília) — de forma contínua em todas as seções eleitorais que permaneceram abertas. A divulgação dos resultados é que foi interrompida para após a conclusão da votação considerando o horário prorrogado.

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A votação foi considerada válida e dentro da legislação eleitoral pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. Outras autoridades, como os presidentes do Congresso Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, também reconheceram a lisura do processo eleitoral neste pleito.

Prorrogação de horário foi solicitada por ambas as campanhas

A extensão do prazo de votação não foi uma medida unilateral. As coligações de Flávio Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviaram requerimentos oficiais ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o horário fosse estendido. Enquanto a chapa do petista citou problemas de transporte público, a equipe do candidato do PL justificou o pedido com base em dificuldades de tráfego e alagamentos causados pelas chuvas em cidades de São Paulo e do Paraná.

Decisão do STF garantiu voto sem reabrir urnas já encerradas

Atendendo às petições das duas campanhas, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prorrogação em decisão ratificada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. O despacho determinou expressamente que as seções enceradas às 17h não fossem reabertas, aplicando o tempo adicional apenas para que os eleitores ainda presentes em locais abertos pudessem votar sem interrupções até as 19h.

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Histórico nos EUA e cassação

Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde o início de 2025. Em dezembro do mesmo ano, teve o mandato parlamentar declarado vago pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados após faltar a mais de um terço das sessões deliberativas da Casa sem justificativa legal.

Mesmo à distância, o ex-deputado seguiu atuando nas redes sociais para engajar a base aliada do bolsonarismo e criticar as instituições brasileiras, mantendo a postura de confronto direto com as decisões do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal.