Flávio fez concessões e perdeu identidade na campanha, avalia Schüler
O cientista político Fernando Schüler analisa a disputa do segundo turno presidencial e afirma que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu força e

Flávio Bolsonaro discursa em Brasília após o 2º turno
Agustin Marcarian/Reuters
O cientista político Fernando Schüler analisa a disputa do segundo turno presidencial e afirma que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu força e identidade política ao fazer concessões excessivas ao longo da corrida eleitoral. A declaração foi feita durante a cobertura especial das eleições no Canal Livre.
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Segundo a análise de Schüler, a campanha do parlamentar optou por recuar em pontos históricos da pauta liberal para disputar votos no mesmo terreno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia acabou neutralizando as diferenças fundamentais entre os dois concorrentes.
Para o cientista político, o recuo em temas econômicos retirou a personalidade que poderia ter distinguido o projeto oposicionista diante do eleitorado nacional.
Concessões e recuo em reformas econômicas
Schüler ressalta que o concorrente do Partido Liberal começou a pré-campanha defendendo medidas de corte de gastos, mas mudou a linha de discurso na reta final da disputa. Ao longo do segundo turno, a candidatura aderiu a propostas populares de ampliação de benefícios e intervenção estatal.
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Entre os recuos apontados no programa eleitoral, destacam-se a defesa do fim da escala de trabalho 6x1, o apoio ao transporte gratuito e o perdão de dívidas para microempreendedores individuais (MEI). O candidato também passou a defender reajustes reais para o Bolsa Família e para o salário mínimo. A mudança de rumo afastou as discussões sobre equilíbrio das contas públicas, dívida e reforma administrativa.
Em sua manifestação, Schüler compara a campanha brasileira com a eleição argentina de Javier Milei, que sustentou um programa radical de corte de despesas públicas até o fim e venceu em um país de forte tradição peronista. No caso brasileiro, o analista avalia que a oposição abandonou a coerência programática.
Relação com o Supremo e governabilidade
Além da dinâmica de campanha, Schüler pontua que a eleição consolidou uma vitória institucional do Supremo Tribunal Federal (STF). O analista destaca que o ministro Alexandre de Moraes e a corte saíram fortalecidos do processo eleitoral, após ficarem fora do centro dos confrontos no segundo turno.
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A avaliação aponta que o governo federal pode aproveitar o alinhamento com a atual liderança do Senado para indicar Jorge Messias a uma vaga no Supremo ainda neste ano legislativo. A medida evitaria que a indicação ficasse submetida à nova composição parlamentar.
Fernando Mitre e Adriana Araujo ponderam, durante o debate, que a pacificação política e a conciliação nacional enfrentam barreiras concretas. Entre os principais entraves, estão a discussão sobre anistia e a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro.
