Garotinho diz que ‘crime e corrupção’ venceram após TSE anular votos
Decisão desta quinta-feira (8) deve encerrar a disputa pelo governo do Rio de Janeiro no primeiro turno

O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) afirmou que “o crime e a corrupção venceram” após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anular os 274.411 votos recebidos por ele no primeiro turno das eleições. A decisão desta quinta-feira (8) deve encerrar a disputa pelo governo do Rio de Janeiro no primeiro turno, após a retirada dos votos de Garotinho da contagem dos votos válidos.
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Em uma manifestação publicada nas redes sociais, Garotinho criticou a situação das instituições do estado. “As instituições estaduais estão apodrecidas. Parte do executivo, legislativo, judiciário, órgãos de controle, parte das polícias, grande parte das prefeituras e câmaras municipais”, afirmou.
Segundo o ex-governador, o crime organizado e a corrupção teriam assumido o controle de áreas estratégicas do estado. “Somente alguém com conhecimento desse quadro e coragem para mudá-lo pode evitar o agravamento dessa situação vergonhosa. Eu me preparei para ser essa pessoa. Tive a coragem de denunciar tudo e mostrar para a população o caminho a seguir. Eu tentei. Mas o crime e a corrupção venceram”, declarou.
Garotinho também afirmou que pagou e ainda paga “um alto preço” por não ter cedido às pressões que atribui ao poder paralelo no estado. “Sei dos riscos que corri e ainda corro. Mas nunca me chamarão de covarde”, disse.
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Como fica a eleição do Rio de Janeiro
Antes da decisão do TSE, Douglas Ruas (PL) havia terminado o primeiro turno na liderança, com 4.271.199 votos, o equivalente a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes (PSD) ficou em segundo, com 3.706.984 votos, ou 42,76%. Garotinho recebeu 274.411 votos, correspondentes a 3,17%.
Com a anulação dos votos de Garotinho, o Tribunal determinou a retotalização dos votos válidos. Com a nova contagem, Ruas ultrapassa a marca de 50% e fica em condições de ser declarado eleito no primeiro turno. A proclamação do resultado depende da retotalização pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.
Entenda a controvérsia
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) havia negado o registro de candidatura de Garotinho em 11 de setembro, com o entendimento de que ele ainda estaria inelegível em razão de uma condenação por improbidade administrativa.
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A discussão envolve o início da contagem do período de oito anos de inelegibilidade previsto na Lei da Ficha Limpa. A condenação está relacionada ao período em que Rosinha Matheus, mulher de Garotinho, governava o estado e ele ocupava o cargo de secretário de Governo.
Garotinho recorreu da decisão e, na reta final da campanha, o processo teve decisões diferentes. Em 2 de outubro, o ministro Floriano de Azevedo Marques revogou uma liminar favorável ao ex-governador e manteve os votos sob condição de julgamento. No dia do primeiro turno, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que os votos continuassem sendo contabilizados até uma decisão definitiva do plenário.
Após o primeiro turno, Garotinho apresentou pedido para desistir do recurso. No documento, afirmou que abria mão do processo de forma “livre, expressa, consciente e irretratável”. O pedido foi submetido à análise da Corte.
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A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) havia se manifestado pela aceitação da desistência. Caso o pedido não fosse homologado, a PGE recomendou a rejeição do recurso e a manutenção do indeferimento da candidatura.
Nesta quinta-feira (8), o TSE não acolheu a desistência e decidiu, por 5 votos a 2, manter o indeferimento do registro de Garotinho e anular os votos recebidos por ele no primeiro turno. Com a retirada dos votos da base de cálculo, Douglas Ruas passa a superar 50% dos votos válidos após a retotalização.
