"Guerra dos Sigilos" é truque de marketing e desvia foco, diz Schüler
Cientista político aponta que embate entre Lula e Flávio Bolsonaro tira atenção de temas centrais no 2º turno

A dois dias da votação do segundo turno das Eleições 2026, a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro segue marcada por estratégias de comunicação focadas na chamada "Guerra dos Sigilos". O tema ganhou tração nas campanhas após provocações mútuas sobre a abertura voluntária de dados bancários, fiscais e telefônicos.
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Em análise no Jornal Gente, o cientista político e colunista Fernando Schüler criticou a centralidade do assunto na reta final. "Isso é um truque de marketing conhecido há muito tempo", afirmou o especialista, destacando que a tática serve prioritariamente para a produção de conteúdos e cortes em redes sociais em vez de discutir medidas estruturais para o Brasil.
Schüler destacou a decisão do ministro André Mendonça, da Justiça Eleitoral, que negou interferência do tribunal no episódio ao reforçar que a divulgação de dados pessoais e fiscais não depende de arbitragem da Corte, mas sim da iniciativa de cada candidato. O analista ressaltou que acionar a Justiça Eleitoral para balizar o movimento acabou servindo como um desvio na discussão pública, lembrando ainda que eventuais irregularidades e ocultações patrimoniais dificilmente transitam por contas diretas dos investigados, mas sim por meio de interpostas pessoas, os chamados "laranjas".
Segundo o cientista político, o empenho nessa disputa de narrativas impede que o eleitorado analise pontos cruciais antes de ir às urnas. "É impressionante como o país ficou uma semana discutindo essa guerra de sigilos, capas de jornal, e não discutiu as coisas importantes", concluiu Schüler, citando o rombo fiscal de R$ 405 bilhões previsto para o próximo ano, a relação com o Supremo Tribunal Federal e o andamento das investigações no país.
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