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Infrutífero e voltado à lacração: Lula explica decisão de não ir a debates

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o formato dos debates eleitorais no primeiro turno, classificando o modelo com múltiplos

3 min

01/10/2026 21:24 • Atualizado há 22 dias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o formato dos debates eleitorais no primeiro turno, classificando o modelo com múltiplos candidatos como "infrutífero" e voltado para a lacração.

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Em entrevista ao podcast Flow, o petista, que recusou todos os convites para debates das eleições 2026, justificou sua decisão argumentando que a dinâmica atual impede a sequência do raciocínio e transforma a discussão do país em um espetáculo superficial.

Segundo Lula, a estrutura tradicional em que um candidato fala por um ou dois minutos e precisa aguardar até dez minutos para se manifestar novamente quebra o ritmo do debate. Para ele, o modelo prioriza provocações em detrimento de propostas sérias para a nação.

Quando você está numa disputa para a Presidência da República, é uma coisa mais séria. Você está discutindo o país, está discutindo o povo brasileiro, a soberania brasileira. Você não está discutindo merreca (...) quem vai lacrar mais com aquela piadinha. Não é assim que faz. --Lula

Lula defendeu que os encontros na televisão deveriam adotar um processo seletivo ou um sistema de etapas comparável às divisões do futebol, permitindo que postulantes com desempenhos semelhantes nas pesquisas se enfrentem antes de um embate geral. Na avaliação do presidente, o verdadeiro confronto entre projetos políticos de peso ocorre de forma direta no segundo turno, quando o debate é feito "Tête-à-tête".

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Ataque a Flávio e lembrança do pleito de 2006

Ao avaliar o nível dos seus concorrentes, Lula afirmou que estaria disposto a debater com lideranças de trajetória política consolidada, citando nomes como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Paulo Maluf. No entanto, o petista fez duras críticas à presença do candidato Flávio Bolsonaro (PL) na disputa.

Uma coisa é disputar com o Fernando Henrique Cardoso, disputar com o Zé Serra, disputar com o Alckmin, disputar com o Maluf, como eu já disputei. Outra coisa é você imaginar disputar a Presidência da República com uma pessoa desqualificada como o Flávio Bolsonaro. Ele não tem passado, não tem presente e não tem futuro. --Lula

O presidente também resgatou sua decisão de não comparecer ao debate de primeiro turno nas eleições de 2006, ressaltando que, na época, preferiu não entrar em embate direto com ex-companheiros de partido e com o então adversário Geraldo Alckmin --hoje seu vice-presidente. Lula lembrou ainda que a ausência de FHC nos debates de 1994 e 1998 não gerou o mesmo tipo de cobrança por parte da imprensa.

Uso de pesquisas eleitorais e convicções políticas

Questionado sobre a influência dos levantamentos de intenção de voto nas decisões de campanha, Lula negou que pauta sua atuação apenas pelos números das pesquisas. O presidente afirmou que utiliza esses dados para analisar cenários e corrigir rumos estratégicos, mas ressaltou que princípios e convicções pessoais não devem mudar de acordo com a opinião pública momentânea. Ele citou como exemplo sua posição contrária à pena de morte, mantida de forma coerente independentemente de pesquisas de opinião.