O poder do celular: como as redes sociais mudaram as eleições
Candidatos batem recordes de votos, enquanto investimentos em plataformas de internet disparam no primeiro turno

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O celular consolidou-se como a principal ferramenta de articulação política nas campanhas eleitorais, dividindo espaço entre falas ideológicas, tendências, memes e entrevistas em podcasts. O modelo tradicional, baseado em bandeiras, camisetas e panfletos, tem cedido cada vez mais espaço ao ambiente digital, que permitiu a candidatos baterem recordes históricos de votação.
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Recordistas de votos e nova comunicação
Pelo PL, Nikolas Ferreira (em Minas Gerais) e Lucas Pavanato (em São Paulo) elegeram-se como os deputados federais mais votados da história do país, superando a marca anterior alcançada por Eduardo Bolsonaro em 2018. Ambos registraram mais de três milhões de votos cada.
Do lado progressista, Erika Hilton (PSOL) destacou-se com expressiva votação nacional, enquanto em São Paulo Eduarda Campopiano (PL) conquistou o posto de deputada estadual mais votada do país, aproximando-se de dois milhões de votos. O denominador comum entre esses nomes é a mudança na forma de interagir com o eleitorado por meio de conteúdos virais e alta presença nas redes.
Milhões investidos em impulsionamento digital
Além do alcance orgânico gerado pelos algoritmos, as campanhas apostaram pesado no impulsionamento pago de publicações. Dados de mercado mostram que apenas no primeiro turno as plataformas da Meta (Facebook e Instagram) arrecadaram ao menos R$ 236 milhões com a veiculação de propaganda eleitoral. O montante representa um crescimento de 82% em comparação com todo o ciclo eleitoral de 2022, quando a receita total da big tech com anúncios políticos foi de R$ 129 milhões.
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Especialistas apontam que a centralidade das plataformas digitais e a alta personalização do conteúdo acabam afastando os candidatos dos debates profundos de ideias e propostas, tornando a disputa mais focada em vitrines virtuais e discursos polarizados.
