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Eleições

Oinegue: As contradições que perseguem Lula e Flávio Bolsonaro

'As contradições que perseguem Lula e Flávio Bolsonaro'; acompanhe comentário

3 min

07/10/2026 23:17 • Atualizado há 17 dias

Uma eleição envolve duas disputas paralelas, não é uma só. A gente costuma enxergar a disputa entre os candidatos, mas tem uma outra, que é a disputa do candidato contra ele mesmo. Porque ele diz uma coisa agora que precisa ser comparada ao que o adversário diz, mas que tem que ser comparada também ao que ele dizia ontem. Tem o que ele promete fazer se for eleito e tem que comparar com o que ele fez, com o que ele deixou de fazer quando ele teve a oportunidade, com o que ele dizia antes.

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Tem um comportamento de hoje que, na verdade, tem que ser comparado ao comportamento que ele já teve. Quantos casos estranhos alguns candidatos têm que explicar? Quantas denúncias eles têm que esclarecer? Todo candidato tem contradições, e examinar essas contradições é tão importante quanto comparar os projetos políticos de um e de outro. Daí porque uma eleição tem duas disputas: um candidato contra o outro e o candidato contra ele mesmo.

Nenhum candidato começa do zero, nem o que nunca governou. Claro que, para quem já governou, o desafio é maior, porque perde credibilidade para fazer novas promessas se não explicar por que deixou de cumprir as promessas que ele fez em campanhas anteriores. Sabendo, claro, que nenhum governante é capaz de cumprir tudo o que ele promete, porque na pressão da campanha ele acaba sempre prometendo demais —e acontece sempre.

Em todas as candidaturas, o político tem que falar de educação, tem que falar de saúde, segurança, previdência, economia, tem que falar de tudo. E aí surgem extravagâncias como prometer mais recursos para a área social, mais investimento para a saúde, mais dinheiro para a educação e, ao mesmo tempo, responsabilidade fiscal e juras de que não vai subir os impostos. Tudo junto, sem escolher prioridade, sem dizer de onde vem o dinheiro, mas eles prometem.

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Aí começa o governo, chega a hora de escolher e surgem as contradições. Aumentar a despesa pode exigir mais impostos ou então cortes em outras áreas. Preservar o equilíbrio fiscal pode exigir adiar investimentos, pode exigir conter gastos. Alguns governos fazem o ajuste no começo para gastar depois, outros gastam primeiro e tentam ajustar as contas depois. São escolhas, e cada uma tem um custo.

No palanque, essas promessas convivem direitinho; agora, no governo, elas entram em conflito. E a maneira como essas contradições são administradas na campanha constrói ou compromete a reputação.

Lula tem um desafio, Flávio Bolsonaro também, porque querendo ou não ele é herdeiro político do governo do pai. Algumas pessoas podem achar, então, que nesse sentido a eleição de 2026 é parecida demais com a de 2022, só com uma troca de personagens, mas não é simples assim. Se fosse, Lula teria saído na frente como saiu em 2022.

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Mas o que acontece é que, em 2022, a memória do governo Bolsonaro estava fresquinha na cabeça do eleitor, e Lula tinha deixado a presidência 12 anos antes. Agora é a memória do governo Lula que está fresquinha. Então, esse segundo turno promete ser bem interessante.