Pautas sociais deixaram de determinar eleições: 'são vistas como obrigação'
O programa Canal Livre da noite deste domingo (4) debateu o resultado do primeiro turno das Eleições 2026, no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O programa Canal Livre da noite deste domingo (4) debateu o resultado do primeiro turno das Eleições 2026, no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL). Durante a análise, os participantes destacaram a perda de impacto eleitoral das pautas sociais, que tradicionalmente representavam uma das principais bandeiras da candidatura petista.
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O diretor de jornalismo da Band, Fernando Mitre, avaliou que o eleitorado passou a enxergar as políticas assistenciais sob uma nova perspectiva em comparação com disputas anteriores.
As medidas sociais tradicionalmente produziam resultados eleitorais claros. Ultimamente, não tem acontecido isso. A impressão que eu tenho é que a medida social já é vista como uma obrigação do governo. Eu não tenho que agradecer o governo porque ele me deu isso ou aquilo. --Fernando Mitre
Reajuste do Bolsa Família e prazos de pagamento Globo
Complementando a análise, o diretor do instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, ressaltou que a recente decisão do Governo Federal de anunciar um reajuste de 15% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691, não provocou efeito imediato na decisão de voto das famílias beneficiadas.
“Ele [Lula] cresceu quando entrou o imposto de renda principalmente no Sudeste. Daí a população absorve, mas continua devendo. Aí ele aumentou o Bolsa Família, mas entre quem recebe o Bolsa Família, ele já fazia 70, 75% dos votos e o aumento do Bolsa Família ainda não entrou. Vai entrar no final do mês agora, dia 14. Vamos ver o reflexo disso? As pessoas já acham isso um direito adquirido”, comentou Hidalgo.
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Segurança pública no centro das atenções
Além da questão social, Hidalgo apontou que o eleitor brasileiro esteve mais atento às pautas voltadas à proteção e à estabilidade financeira familiar, tema que teve pouco espaço no discurso da campanha governista.
“O grande problema hoje que o brasileiro espera, que eu acho que o presidente tem que dar essa explicação, é quanto à segurança e à economia financeira das pessoas. E a segurança, que é a principal preocupação do Brasil, ficou praticamente fora dessa campanha”, concluiu o diretor do Paraná Pesquisas.
