Por que as pesquisas não previram a onda vermelha pró-Lula?
Levantamentos de intenção de voto não captaram o avanço do petista no segundo turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu a reeleição ao Palácio do Planalto em uma votação acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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O resultado das urnas, porém, expôs uma divergência em relação aos levantamentos de intenção de voto, que não captaram o movimento de virada e a formação da chamada onda vermelha na reta final da disputa.
A apuração oficial mostrou alternância na liderança por duas vezes até que, com quase metade das urnas apuradas, o petista assumiu a dianteira e ampliou a vantagem. Às 21h10, com a apuração quase concluída, o TSE confirmou a vitória de Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença entre os concorrentes foi de 4,4 milhões de votos.
A confirmação matemática do resultado foi detalhada no Jornal da Band. Ao longo de todo o segundo turno, nenhum dos principais institutos havia apontado Lula numericamente à frente do adversário, repetindo a divergência observada no primeiro turno, quando o avanço de Flávio Bolsonaro também não havia sido detectado com precisão pelas sondagens de véspera.
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Decisão de última hora e comportamento do eleitor
Em reportagem apresentada por Olivia Freitas, especialistas e dirigentes de institutos de pesquisa analisaram os fatores técnicos e comportamentais que distanciaram os números divulgados das urnas.
Segundo o presidente do Instituto Ideia, Maurício Moura, cerca de 10% dos eleitores deixaram para definir a escolha no próprio domingo de votação. Na avaliação dele, esse grupo de indecisos e de perfis improváveis tomou a decisão nas 48 horas derradeiras, entre o sábado e o domingo, o que inviabilizou a captura do fluxo de votos pelos questionários tradicionais.
O presidente do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, afirmou que o setor precisa avaliar onde errou na tentativa de captar a migração do eleitorado para Lula e aprimorar os modelos estatísticos. Hidalgo defendeu ainda uma mudança no cronograma de divulgação: segundo ele, a publicação de levantamentos de véspera deveria ocorrer no próprio domingo por volta das 14h, e não na noite de sábado, para registrar o eleitor que já compareceu à cabine de votação.
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Além da oscilação de votos de última hora, o segundo turno registrou a menor taxa de abstenção em 20 anos, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Com 97% das urnas apuradas no encerramento da apuração, a Justiça Eleitoral consolidou a vitória de Lula, que chega ao quarto mandato à frente da Presidência da República.
