Saiba como funciona a checagem de fatos em debates
Às vésperas do primeiro confronto direto do segundo turno das Eleições 2026 entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na Band, a

Às vésperas do primeiro confronto direto do segundo turno das Eleições 2026 entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na Band, a verificação de informações ganha papel central na cobertura jornalística.
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Em meio a uma disputa acirrada e à rápida circulação de conteúdos nas redes, a checagem de fatos em tempo real atua como um serviço essencial para ajudar o eleitor a separar dados oficiais de narrativas de campanha durante o debate ao vivo.
Em junho, o Grupo Bandeirantes de Comunicação firmou uma parceria inédita com a Agência Lupa para ampliar a circulação de conteúdo verificado durante a campanha eleitoral. A agência fará análises em tempo real durante o debate no próximo domingo (18), às 20h.
Como funciona a checagem de fatos?
O trabalho começa muito antes de os candidatos estarem no púlpito dos debates. Na realidade, os preparativos começam na virada do ano e se intensificam próximo ao período eleitoral --quando a equipe acompanha os políticos com mais proximidade.
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Há um amplo estudo da maneira como cada candidato se comunica a partir de diversos ângulos: como falam com o eleitorado nas redes sociais, o que dizem, as narrativas e informações que escolhem usar e as bandeiras de cada campanha.
É a partir daí que é possível traçar quais temas serão mais abordados por cada candidato. “Se falarem bastante de segurança pública, um dos temas que caminha para ser bastante usado nas eleições, identificamos quais dados já podemos buscar sobre segurança pública no Brasil e nos estados", diz Luciana Corrêa, gerente de conteúdo da Agência Lupa.
No caso de repetição de informações, a equipe busca a checagem que já foi realizada sobre aquele dado e a atualiza. Por exemplo: se um candidato expressou um dado que foi considerado “falso” na primeira vez e o corrige parcialmente, pode receber rótulos como “verdadeiro”, “exagerado” ou “impreciso”, por exemplo.
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A agilidade no momento do debate
Com todos os dados compilados, a equipe une forças e precisa funcionar de forma orquestrada para conseguir dar conta da rapidez do tempo real do debate.
Por mais que toda a equipe fique de olho no que está acontecendo, de cinco a seis repórteres ficam inteiramente focados para agilizar a checagem. É neste momento que o repórter identifica frases ao vivo que podem ser checadas. Então, a equipe apura para entender se é possível concluir a verificação imediatamente.
Inteligência artificial como aliada
Incorporar a Inteligência Artificial (IA) no processo de checagem de fatos é uma faca de dois gumes: as redações sabem que essa ferramenta pode errar, e tudo o que for apontado por ela deve ser encarado com atenção redobrada.
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Não à toa, há ocasiões em que a checagem tem como intuito, justamente, apontar quando um conteúdo foi gerado ou alterado com uso de IA. Contudo, Corrêa explica que o uso na Agência Lupa é feito com cuidado e objetivos definidos com precisão. A ferramenta é incorporada no processo em duas ocasiões:
1. Transcritores em tempo real com IA
Em um passado não tão distante, um repórter precisava ouvir o debate e transcrevê-lo em tempo real, digitando palavra por palavra do que cada candidato afirmava. “Além de ser um processo extremamente cansativo, perdíamos um editor ali que não conseguiria dar velocidade à transcrição”, explica Corrêa.
“Hoje, com um transcritor que funciona com IA, conseguimos fazer a transcrição automática do que está sendo dito", explica.
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2. Organizadores de acervos e dados oficiais
Para conseguir compilar dados e checagens prévias, a agência usa uma IA que organiza todo o acervo interno para facilitar a consulta. A mesma ferramenta também consegue acessar bases públicas de dados oficiais, o que facilita caso o candidato puxe um dado “de surpresa”.
Na prática, Corrêa diz que funciona assim: "Se ouvirmos determinado candidato dizer algo, pensamos: "Acho que já checamos isso". Então, conseguimos consultar por meio da busca. A ferramenta traz resultados para entendermos se já temos informações checadas sobre isso, o que acelera o processo de apuração”.
O que pode ou não ser checado?
Nem tudo o que os candidatos apontam em suas falas públicas pode ser checado. O foco da equipe está em buscar pelo que é factível e pode ser contestado (ou ratificado) com números e afirmações. O processo não é tão simples e é repleto de limites, muitas vezes sensíveis e rigorosamente avaliados caso a caso.
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Opiniões próprias
Opiniões próprias não entram no escopo da checagem --exceto quando se aponta uma contradição dentro da própria linha de raciocínio do candidato. Como exemplo, Corrêa cita uma figura controversa entre os candidatos: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
"Se uma pessoa diz: 'O ministro Alexandre de Moraes é um ditador, censor e não respeita a Constituição', é uma opinião. Agora, conseguimos fazer uma checagem se o que for dito é: 'O ministro Alexandre de Moraes é um ditador porque, no julgamento dos envolvidos no 8 de Janeiro, ele conduziu um tribunal injusto que não deu chance de defesa aos réus’”, explica.
Projeções dos planos de governo
O que também fica de fora são especulações ou projeções dos candidatos quanto aos impactos que seus programas podem trazer. Se um deles apresenta uma proposta de aumento do PIB, o que é possível fazer é apresentar os números existentes hoje. “Mas não podemos dizer se algo que ainda não aconteceu é falso ou verdadeiro.”
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Recorte temporal definido
Afirmações de amplos conceitos ou sem período definido também podem ser englobadas na checagem de fatos. Os candidatos podem mirar em dados do governo Lula, já que é o que está em vigor, para apontar um cenário positivo ou negativo por meio dos dados.
Contudo, a forma como os números se desenrolam é muito mutável --por isso é necessário saber trazer recortes temporais e muitos contextos para embasar o argumento ao eleitor.
“Se alguém fala de um dado estatístico que ficou negativo no atual governo, precisamos saber: de qual período do governo se está falando? De qual mandato Lula está se referindo? Não conseguimos fazer uma checagem do grau de veracidade se não entendermos exatamente de qual período a pessoa está tratando”, explica Corrêa.
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Checagem feita por mais de uma pessoa
A gerente de conteúdo da Agência Lupa explica ainda que a tarefa nunca é feita por uma pessoa só para eliminar os riscos de subjetividade ou vieses. "Já enfrentamos uma grande barreira com o discurso de que a checagem é uma censura ou o tribunal da verdade. Justamente por isso precisamos focar no que é factível e no que pode ser contestado com dados e documentos", diz.
Como assistir ao debate na Band entre Lula e Flávio
O debate do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula promovido pelo Grupo Bandeirantes acontece neste domingo (18), às 20h, nos estúdios da Band em São Paulo. O encontro abre a série de duelos finais antes da votação.
- Internet: Acompanhe a cobertura por Band.com.br e ao vivo pelo canal Band Jornalismo no YouTube a partir das 19h.
- TV aberta: Na tela Band haverá a transmissão começa a partir das 19h30.
- TV por assinatura: Na BandNews TV, acompanhe análises e entradas ao vivo a partir das 18h.
- Rádio: Rádio Bandeirantes e BandNews FM transmitem o debate na íntegra, com comentários e informações adicionais ao longo da programação.
- Streaming: Bandplay (Android e iOS).
