Tarcísio e Haddad debatem sobre facções, privatização e transporte em SP
O combate ao crime organizado e o modelo de concessões no transporte público foram os grandes eixos de confronto no debate entre Tarcísio de Freitas

Renato Pizzutto/Band
O combate ao crime organizado e o modelo de concessões no transporte público foram os grandes eixos de confronto no debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. No encontro transmitido pela TV Globo, os dois postulantes ao Palácio dos Bandeirantes travaram embates diretos sobre a infiltração de facções criminosas no sistema de transporte e na saúde, a valorização das polícias e o ritmo de obras de mobilidade urbana.
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Enquanto Haddad cobrou respostas sobre a presença de facções, criticou a alta de 27% nas falhas dos trens privatizados e propôs o Bilhete Único Metropolitano e uma Agência Antifacção integrada à Polícia Federal, Tarcísio defendeu as concessões à iniciativa privada, exibiu a queda histórica nos índices de homicídios e roubos e destacou a entrega de obras como o Rodoanel Norte e a expansão do metrô.
Facções, efetivo policial e a Agência Antifacção
A segurança abriu o debate com um enfrentamento direto sobre a atuação do crime organizado no estado. Fernando Haddad (PT) questionou o adversário sobre relatórios que apontam a presença do Comando Vermelho no interior paulista e na Baixada Santista, além de denunciar a infiltração de facções em contratos do transporte público paulistano e de Organizações Sociais (OSs) da saúde.
Como solução, o petista propôs criar uma Agência Antifacção atuando em parceria direta com a Polícia Federal e a Receita Federal, além da elaboração de Boletins de Ocorrência por inteligência artificial.
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Em resposta, Tarcísio de Freitas (Republicanos) sustentou que São Paulo atingiu os menores indicadores históricos de homicídios, latrocínios, roubos de veículos e roubos de carga. O governador destacou operações de inteligência que sufocaram o PCC nos setores de combustíveis e transportes, a desarticulação do tráfico na cracolândia e a prisão de lideranças criminosas.
E hoje? A gente pode celebrar o recorde, o menor indicador da história de homicídio, de latrocínio, de roubo de carga, de roubo de veículo, desde o início da série histórica. --Tarcísio
No campo da valorização policial, Tarcísio citou o reajuste salarial de 35%, a regulamentação da Polícia Penal e o concurso para mais de 30 mil novas vagas nas forças de segurança.
Privatizações de trens e o Bilhete Único Metropolitano
O candidato do Republicanos destacou a entrega dos primeiros 24 quilômetros do Rodoanel Norte e avanços no transporte sobre trilhos, como a conclusão da Linha 17-Ouro e os avanços da Linha 6-Laranja, que ligará a Brasilândia ao centro, além das ampliações das Linhas 2, 4, 5 e a extensão da Linha 9 até Parelheiros. Tarcísio defendeu as Parcerias Público-Privadas (PPPs) como capazes de acelerar investimentos e modernizar as estações.
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Haddad rebateu criticando o que chamou de "privatização desenfreada", afirmando que a transferência das linhas da CPTM e do metrô para o setor privado gerou um aumento de 27% nas falhas operacionais e elevou o repasse de subsídios públicos às concessionárias.
Você privatizou tudo. Você entregou a CPTM para gente que não entende de trem, que está explodindo o trem. Porém, você está onerando os cofres públicos com indenizações para empresários amigos. --Haddad
Para aliviar o bolso do trabalhador das periferias, Haddad defendeu a criação do Bilhete Único Metropolitano em articulação com as prefeituras vizinhas e destacou que os repasses do PAC do governo federal garantiram o financiamento das grandes obras estaduais.
Gestão de filas do SUS e tabela SUS Paulista
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A área da saúde registrou divergence em relação ao tempo de espera por atendimento. Haddad apontou relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) indicando aumento na fila para cirurgias e criticou o funcionamento do sistema de regulação CROSS. O petista propôs a criação de uma rede de Hospitais-Dia --reunindo consultas, exames e cirurgias de pequeno porte no mesmo local--, a integração do SAMU à rede hospitalar e lembrou o aporte de R$ 100 bilhões pelo governo federal no orçamento da saúde.
Tarcísio defendeu a criação da Tabela SUS Paulista, mecanismo do Tesouro Estadual que multiplica o valor repassado a Santas Casas e hospitais municipais para procedimentos cirúrgicos e leitos de UTI. O governador argumentou que a medida reduziu a fila de espera de cirurgias eletivas de 570 mil para 156 mil pacientes e viabilizou a entrega dos hospitais de Peruíbe e Bertioga, além de novas obras no Guarujá e São Vicente.
Você descumpriu 9 de 10 metas da saúde, você entregou a cidade de São Paulo com mais de 700 mil pessoas na fila de exames, procedimentos, consultas, cirurgia. A sua gestão na saúde foi mal avaliada por 80% das pessoas. --Tarcísio
Economia, transparência fiscal e políticas sociais
Na discussão fiscal, Haddad classificou os incentivos tributários estaduais como uma "caixa preta" e cobrou a divulgação detalhada das renúncias fiscais empresa por empresa via CNPJ. Tarcísio rebateu afirmando que sua gestão revisou os benefícios fiscais, cortando 30% das concessões ineficientes e reduzindo o gasto tributário para reinvestir em serviços públicos.
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Nós temos que parar com essa coisa de ficar olhando para a Faria Lima, para ficar agradando o empresário rico, para tentar se viabilizar. Nós temos que atender o usuário, quem usa o serviço público. --Haddad
No campo social, Tarcísio apresentou propostas voltadas para as mães atípicas, incluindo a implantação das Casas da Mãe Atípica, Centros TEA em todas as regiões administrativas, salas sensoriais nas escolas estaduais e jornada de trabalho flexível para servidoras públicas com filhos com deficiência. Haddad criticou a falta de profissionais de apoio concursados na rede escolar e defendeu parcerias pedagógicas para garantir a inclusão efetiva.
Saneamento, meio ambiente e privatização da Sabesp
A desestatização da Sabesp pautou o debate ambiental. Tarcísio defendeu a privatização, ressaltando que a empresa privada aportará R$ 70 bilhões em investimentos até 2029 para universalizar o saneamento e citou a construção das barragens de Pedreira e Amparo para reforçar a segurança hídrica na região de Campinas.
Ninguém faz privatização por fazer (...) Nenhum Estado vai investir 70 bilhões de reais até 2029 e nós vamos investir. Nenhum Estado vai conseguir cumprir as metas da universalização do saneamento. São Paulo vai cumprir. --Tarcísio
Haddad criticou o leilão com ofertante único e apontou reclamações de moradores sobre falhas no abastecimento e qualidade da água na Baixada Santista e na capital. O candidato do PT argumentou que a Sabesp pública tinha saúde financeira para realizar as obras sem necessidade de transferir lucros para o setor privado.
