Eleições

Veja a íntegra do 1º discurso de Lula após vitória sobre Flávio Bolsonaro

Ao lado da campanha petista, da sua esposa Janja e de apoiadores, Lula falou por cerca de 24 minutos e foi ovacionado

10 min

26/10/2026 02:00 • Atualizado há 4 horas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o seu primeiro discurso como reeleito para o seu quarto mandato minutos depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória na noite deste domingo (25) sobre Flávio Bolsonaro (PL). Ao lado da campanha petista, da sua esposa Janja e de apoiadores, Lula falou por cerca de 24 minutos e foi ovacionado.

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Antes de se dirigir à avenida Paulista, onde encontraria uma multidão de apoiadores, o presidente agradeceu ao seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e ao deputado André Janones (Rede), apontado por muitos como responsável pela virada nas redes sociais. Também agradeceu à mobilização da juventude e pelo votos de mulheres e de idosos.

Veja o 1º discurso de Lula na íntegra:

Feliz o presidente que tem um vice da qualidade, da lisura de comportamento e da lealdade que eu tenho no Alckmin.

A primeira coisa é que hoje a minha fala para a imprensa é agradecimento. Nós tivemos o menor número de abstenções da história deste país.

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Nós tivemos o menor número de votos nulos deste país. E eu tenho que fazer um agradecimento às pessoas que coordenaram a nossa campanha, aos partidos que participaram junto conosco.

Mas eu queria agradecer ao povo brasileiro, a generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E nesse segundo turno, agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para a rua para defender a democracia.

Quero agradecer as pessoas idosas, eu vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas pelos seus netos para ir votar, pessoas impossibilitadas de se locomover, pessoas com câncer e com outro tipo de doença.

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E as pessoas foram votar porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar a democracia no país. Quero agradecer a sociedade como um todo. Foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las.

Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grana, ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país.

É que essa eleição foi uma derrota do negacionismo, foi uma derrota da mentira e eu confesso a vocês que cada vez que eu ia em um debate eu ficava constrangido. Porque eu já debati com muita gente, já participei de muitas eleições, já me reúno todo ano com o G20, com os Brics, com o G7, me reúno todo ano discutindo os principais presidentes do mundo, discutindo os principais assuntos do mundo, mas eu nunca pensei em me deparar com o representante genuíno do milicianismo desse país.

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Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta disfarçatez, como se não tivesse dentro dele uma célula de humanismo. Parece tudo falso.

Eu estou dizendo isso porque vocês sabem que o que eu vi nesse segundo turno dessas eleições, o que eu vi em todos os estados brasileiros, mas sobretudo o que eu vi na Avenida Paulista ontem, é algo que eu não acredito, que o Alckmin que foi o governador que participou da campanha das diretas, a gente nunca conseguiu ver, não só pela quantidade de gente, mas pelo entusiasmo.

E eu fiquei muito emocionado porque me deu vontade de pedir na frente do Masp para cantar o hino da Independência. E eu fiquei boquiaberto de ver o entusiasmo das pessoas cantando o hino da Independência. Sobretudo quando falava 'brava a gente brasileira ou ficar a patria livre ou morrer pelo Brasil'. Numa demonstração de que esse país não aceita ser quintal de ninguém. Como disse uma vez o meu cantor preferido, Chico Buarque de Holanda, ele gostava do nosso governo porque o nosso governo não falava grosso com a Bolívia e não falava fino com os Estados Unidos.

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A gente falava igual com todo mundo. Eu quero agradecer esse companheiro aqui, o Janones. O nosso general teve um papel exponencial nessa campanha para levantar diariamente, de manhã, de tarde e de noite, a moral da nossa tropa. E quero dizer que uma coisa eu aprendi.

Não vou falar aqui para vocês, mas essas eleições me ensinou muitas lições, muitas lições. Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país.

Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões. E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo.

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Eu, inclusive, já ganhei o celular do meu comandante Rafael, governador do Piauí. Já estou aprendendo a conversar com o meu general. E pode ficar certo que daqui para frente eu vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia, diretamente.

Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalista com má fé. Não vou. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço. Nessas eleições, eu quero que vocês saibam que uma das coisas que mais me motivou é a gente não permitir que essa gente ganhasse para privatizar o nosso SUS.

Quero dizer para vocês que na medida que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões. Tenho que governar para todas as cidades, mas no próximo mandato eu vou levar muito a sério a política de cuidado com os nossos velhinhos que estão responsáveis pela nossa existência.

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Quero dizer para vocês que as mulheres serão tratadas com muito mais respeito pelas políticas públicas brasileiras. Quero dizer para vocês que as religiões serão todas respeitadas em igualdade de condição.

Eu não tenho preferência por nenhuma religião. Eu tenho preferência pelo respeito à fé do povo brasileiro. E se eles exerçam a sua fé e a sua espiritualidade do jeito que eles quiserem. Ao Estado laico cabe garantir a liberdade religiosa plena para que as pessoas possam exercitar a sua fé no pleno mundo.

Quero dizer para vocês que eu vou continuar fazendo a revolução na educação brasileira. Nós iremos universalizar escolas de tempo integral neste país até o ensino médio.

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Nós vamos universalizar o Pé-de-Meia para o ensino médio e vamos criar um Pé-de-Meia universitário para que nem um jovem nem uma menina desistam de estudar porque tem que trabalhar. Olha, iremos ensinar mais matemática, mais engenharia, porque eu não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana, eu quero criar uma brasileira.

Temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tem a maior capacidade de energia renovável para trazer para cá os data centers necessários para acumular também os nossos dados para o Brasil.

E essa gente vai ter que deixar uma parte do data center para informações brasileiras. Nós queremos fazer desse país um país que pare de ser um país em via de desenvolvimento, como diria o Rafael, muito investimento na economia digital, na economia verde e na economia criativa.

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Esse país vai ter construído, não por mim, porque muitas das coisas que eu estou falando aqui eu nem sei, é por vocês. Porque nós vamos exercitar o potencial criativo desse povo a deixar de ser um país periférico.

Nós queremos ser um país central nas decisões políticas, econômicas e na decisão pela paz. Nós vamos ensinar ao mundo como é que se trata a política climática neste país.

E esse ano é a primeira vez que a gente consegue reduzir o desmatamento quatro anos consecutivos neste país. Por isso eu quero agradecer a nossa companheira Marina, o nosso companheiro Capobianco. É um trabalho extraordinário.

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Mas, sobretudo, gente, nós vamos continuar acompanhando o Padilha fazendo a revolução no SUS. Eu estou convencido que logo, logo, o Brasil será o país do mundo com maior percentual de tratamento de câncer no mundo, em todos os países do mundo.

Nós temos a nossa querida companheira Ludmila cuidando do nosso hospital inteligente financiado pela companheira Dilma Rousseff, presidente dos Brics, e vamos ter 15 UTIs inteligentes nesse país para a gente não permitir que as pessoas morram por falta de tratamento ou por tempo. Este país está pronto para ser construído.

Eu não vou falar a palavra unidade nacional, porque essa palavra nem sempre cabe nesse país. Mas eu quero que vocês saibam, se depender de mim, esse país só tem que ser civilizado.

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Esse país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos. E ele foi eleito para governar com base no respeito à Constituição, na relação com o Congresso.

Porque já tem gente falando que o Lula vai ter muita dificuldade para governar, porque o Congresso está mais conservador. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas. Eu quero dizer para vocês que eu tenho um orgulho muito grande.

Primeiro porque eu sou o único presidente da República, um metalúrgico, sem diploma universitário, eleito quatro vezes democraticamente neste país. No mundo, nós tivemos o Roosevelt, que foi eleito quatro anos, mas ele não conseguiu terminar o seu mandato, porque ele tinha uma doença muito grave.

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Agora, o Lulinha não vai querer outro mandato, mas vou terminar esse mandato inteiraço, correndo mais do que qualquer um de vocês. Porque o respeito, o respeito que eu adquiri pelo povo e o carinho que esse povo tem dedicado a mim, as manifestações de carinho que eu tenho recebido, sobretudo das mulheres brasileiras, é uma coisa que eu jamais imaginei, que eu jamais imaginei que o público poderia receber a quantidade de carinho, de homenagem e de palavras carinhosas. Eu devo isso a vocês. Eu devo isso a vocês.

Eu sempre acho que Deus foi muito generoso comigo porque tem tanta gente mais preparada que eu, tanta gente com mais diploma que eu, tanta gente que já leu mais livros do que eu, tanta gente que já estudou mais do que eu e porque eu fui escolhido por Deus. Eu fui escolhido por Deus porque eu sempre acho que tenho o dedo de Deus na minha cabeça, eu sempre acho. Então eu quero agradecer a Deus e agradecer a vocês, homens e mulheres desse país, pela força que vocês demonstraram. Não fui eu e o Alckmin que ganhamos essas eleições, essas eleições foi a honratez, o nacionalismo, a democracia e o futuro que vocês querem pro filho de vocês que fez a gente virar disso, foi a primeira vez que a gente virou. É importante saber. É importante saber que é a primeira vez que virou, porque eu nunca ganhei eleição no primeiro turno, mas nunca perdi nenhuma no segundo turno.

Eu tenho dois meses pela frente para discutir o governo. Quero me reunir com os empresários, quero me reunir com os educadores, quero me reunir com os cientistas, quero me reunir com as mulheres. Vou me reunir com o Corinthians também, porque o Corinthians perdeu outra, cara. A gente está parecendo o Bolsonaro, só perde.

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Então, gente, é o seguinte: pode ficar certo, que eu quero que vocês anotem o que eu vou dizer aqui. Eu estou com 81 anos de idade, vou completar depois de amanhã, depois de amanhã, dia 27, eu completo 81 anos de idade. E eu quero assumir um compromisso na frente da imprensa e na frente de vocês: vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país.

Pode ficar certo. Vou dedicar, vou dedicar 24 horas por dia para fazer desse país o país que todo mundo sonha. Um país em que as pessoas saibam que vão dormir e vão acordar com muita tranquilidade.

O governo federal nunca teve responsabilidade com segurança pública porque a Constituição de 88 transferiu toda a responsabilidade para os estados. Agora está provado que os estados não dão conta.

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Nós vamos entrar agora. Vamos entrar para devolver às mulheres, aos homens e aos trabalhadores a tranquilidade e a paz que eles precisam. Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão.

É isso. Um abraço, gente. Eu vou pra Paulista, só pra agradecer. E eu quero aproveitar o meu general Janones aqui e dizer o seguinte: eu duvido que a Rússia, que a China e que os Estados Unidos tenham um exército vitorioso como o exército da democracia desse país.

Um abraço ao soldados e às soldadas do nosso exército.