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Zema vê vacina obrigatória como antidemocrática e exalta El Salvador

Candidato à Presidência fala de propostas e apresenta Minas como vitrinecaso ganhe eleições

5 min

24/08/2026 23:31 • Atualizado há 61 dias

Zema vê vacina obrigatória como antidemocrática e exalta El Salvador

O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou nesta segunda-feira (24) que é a favor da vacinação infantil, mas destacou que vê a sua obrigatoriedade como uma ação não democrática. “O papel do governo é fazer campanha de conscientização, vacinar o maior número de pessoas possível, mas eu quero que o governo vá atrás de bandido, não de quem não tomou vacina”, afirmou.

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A declaração de Zema foi feita durante sabatina na TV Globo, onde ele também falou sobre suas propostas de governo. Entre elas, ele garantiu que o salário mínimo não terá perda inflacionária, defendeu a privatização de todas as estatais, prometeu maior formalização do trabalho, falou em aumentar em 10 vezes as escolas integrais e enalteceu a segurança pública de El Salvador como uma inspiração.

O ex-governdor de Minas aparecia, na última pesquisa presidencial, divulgada também nesta segunda-feira, com 3% das intenções de votos, empatado com Renan Santos (Missão) e atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT, 41%), Flávio Bolsonaro (PL, 37%) e Ronaldo Caiado (PSD, 5%). Ele também faltou no primeiro debate presidenial da temporada, promovido pela Band TV no último domingo (23).

As lições de El Salvador

Na entrevista desta segunda-feira, Zema apontou a segurança pública como um dos pilares de seu governo e afirmou que vai se baseiar diretamente na experiência que colheu ao observar a política de encarceramento em massa em El Salvador. Mesmo confrontado com denúncias de violação de direitos humanos no país da América Central, ele apontou como um exemplo a ser seguido.

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O que foi feito lá pode ser adaptado e servir ao Brasil. Eu vou levar segurança aos brasileiros. Eu fui assaltado três vezes, já passei por essa experiência e, para mim, bandido é atrás das grades.

Segundo Zema, o patamar atual do Brasil, de mais de 40 mil assassinatos anuais acontece porque há uma normalização do governo e da população em relação a esses crimes. Para ele, a importação de estratégias drásticas poderiam ajuda, inclusive a conter as facções criminosas, as quais acusa de exercer domínio territorial sobre cerca de 60 milhões de brasileiros.

Ainda na questão de segurança, Zema propôs medidas de tolerância zero, como a decretação de prisão preventiva automática para qualquer criminoso flagrado em sua terceira ocorrência policial, além do fim definitivo do benefício da saída temporária --a chamada "saidinha"-- para detentos condenados por crimes graves. O candidato também direcionou críticas severas à lentidão do Judiciário.

Nós temos no Brasil um sistema Judiciário robusto, mas caro e lerdo. No dia que tivermos uma Justiça ágil, poderemos colocar bandido atrás da grade. Quero que a Justiça seja feita para os brasileiros de bem. O que eu vi lá [El Salvador]… colocaram os bandidos atrás das grades e os homicídios caíram 99%. Não é isso que queremos?

Liberdade vacinal e julgamentos políticos

A mesma rigidez estatal que defende para a criminalidade, contudo, é rejeitada por Zema quando o assunto envolve a autonomia individual. Embora ressalte acreditar na ciência, ter tomado todas as doses do imunizante contra a Covid-19 e recomendado a vacinação de crianças em Minas Gerais, ele rejeita categoricamente que o Estado aplique qualquer tipo de sanção a famílias que optem pela não imunização.

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Esse mesmo conceito de excesso estatal reflete-se em sua visão sobre os episódios de janeiro de 2023 em Brasília. Zema rechaça a tese de uma tentativa de golpe de Estado, classificando a invasão das sedes dos Três Poderes como atos reprováveis de vandalismo e depredação patrimonial.

O ex-governador de Minas defende a concessão de anistia ou, alternativamente, a revisão das sentenças por um tribunal judicial totalmente técnico e desprovido de influência político-partidária. Ele chegou a contestar um dos casos de condenados pelo 8 de janeiro em que uma mulher foi condenada a 14 anos de prisão, segundo ele, por “sujar um monumento”.

Eu discodo [que tennha havido tentativa de golpe]. Não existe na história da humanidade uma tentativa de golpe que tenha sido um movimento de vandalismo e depredação como o de janeiro de 2023. Na minha opinião, comete crime quem leva o crime adiante. Quem pensou ou idealizou, mas não levou adiante, não cometeu o crime. Na minha opinião foi um julgamento totalmente político.

Vitrine mineira e o "juros de agiota"

Ao justificar sua competência para reorganizar a economia do Brasil, o ex-governador de Minas disse que recebeu o estado em 2018 com um passivo administrativo de R$ 11 bilhões e sem medicamentos básicos na rede pública de saúde, mas encerrou seu mandato entregando as contas com um superávit de R$ 5 bilhões, o que, segundo ele, viabilizou o pagamento pontual de servidores, aposentados e fornecedores.

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Questionado sobre as críticas ao endividamento mineiro, Zema apontou que o passivo é originário da década de 1990 e que se tornou impagável devido à condução da política monetária nacional. “A dívida de Minas foi toda feita no passado e cresceu muito por causa do juros de agiota do governo federal”, afirmou.

Para expandir esse modelo ao país, o candidato foca na austeridade e na desestatização de empresas públicas. Zema ressalta que vendeu 118 empresas e participações mineiras --incluindo a Light e a Copasa. Com o equilíbrio fiscal no plano federal, ele planeja derrubar a taxa de juros do país dos atuais cerca de 14% para 6% ao ano, economizando R$ 800 bilhões anuais em juros da dívida interna.

CLT flexível e o perfil empreendedor

No campo social e do desenvolvimento, o ex-governador de Minas prioriza a formalização dos cerca de 40 milhões de trabalhadores que operam na informalidade. Sua proposta para o mercado é a flexibilização das regras trabalhistas vigentes com a instituição da contratação por hora.

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Eu sei levar prosperidade, eu ralo desde criança... Nunca tivemos um presidente empreendedor que ralou tanto quanto eu. Eu venho do mundo real.

No campo educacional, Zema propõe a expansão nacional do ensino em tempo integral, um projeto que diz ter ampliado de 70 para 800 unidades escolares durante seu período à frente do Executivo mineiro. Questionado sobre seuss objetivos para o plano nacional, ele falou que vai ampliar em dez vezes o número de escolas de tempo integral.