Fachin homologa delação de fundador da Reag e mira R$ 20 bilhões de Vorcaro
João Carlos Mansur comprometeu-se a informar caminho para rastrear cerca de R$ 20 bilhões pertencentes a Daniel Vorcaro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, validou o acordo de colaboração premiada celebrado entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos. A delação insere-se no âmbito das apurações sobre esquemas de fraude associados ao Banco Master.
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Nos termos do acordo remetido à corte, Mansur comprometeu-se a fornecer aos investigadores o caminho para rastrear e localizar cerca de R$ 20 bilhões pertencentes a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master detido preventivamente desde março deste ano. Além do mapa dos ativos, o colaborador concordou em detalhar a mecânica pela qual fundos de investimento eram instrumentalizados para a prática de lavagem de dinheiro.
A proposta original entregue à PGR contou com cerca de 17 anexos descritivos de infrações financeiras atribuídas a Vorcaro, após uma tentativa frustrada de celebração de uma delação conjunta entre ambos. As tratativas previam ainda a aplicação de uma multa de R$ 40 milhões a Mansur, montante correspondente aos valores auferidos pelo empresário durante a sua atuação na instituição.
Mudança de relatoria e alerta sobre risco aos ativos
A homologação judicial pelo presidente do STF confere eficácia formal ao acordo, etapa na qual a Justiça atesta a voluntariedade do delator e a legalidade das cláusulas pactuadas.
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O processo do Banco Master encontrava-se sob a relatoria do ministro André Mendonça, mas foi redistribuído para o comando de Fachin em setembro em razão de divergências e suspeitas envolvendo membros do próprio tribunal.
A manifestação da PGR havia solicitado prioridade na análise da delação. O Ministério Público alertou para a urgência em conter o perecimento e a desvalorização de ativos financeiros que poderão ser destinados à reparação dos prejuízos provocados pelas fraudes investigadas.
Cerco policial e liquidação decretada pelo Banco Central
Mansur já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal em janeiro, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que mirou endereços ligados a Vorcaro e aos seus familiares. O histórico da Reag Investimentos inclui também buscas no âmbito da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para desarticular a infiltração de organizações criminosas na cadeia de combustíveis e no mercado financeiro.
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Ainda em janeiro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag (sob a razão social CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários). A autoridade monetária justificou a medida extrema com base em violações graves às normas do Sistema Financeiro Nacional, determinando o bloqueio e a indisponibilidade de bens dos seus administradores e controladores.
