Justiça italiana julga nesta terça-feira novo pedido de extradição de Carla Zambelli
A Justiça da Itália decide nesta terça-feira (27) se autoriza a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil para cumprir pena de 5 anos e 3

Foto: Marcos Corrêa/PR
A Justiça da Itália decide nesta terça-feira (27) se autoriza a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil para cumprir pena de 5 anos e 3 meses de prisão por perseguir um homem com uma arma por uma rua de São Paulo, em 2022. A nova deliberação ocorre após a Corte de Cassação italiana anular decisão anterior, que autorizava a extradição.
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Na época da anulação, o advogado de Zambelli no Brasil, Fábio Pagnozzi, afirmou que a mais alta instância do Judiciário italiano entendeu que houve “vícios” no julgamento que mandou extraditar a ex-deputada. Antes disso, a Corte havia negado outro pedido de extradição pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça, ocorrido em 2023.
Na análise desta terça-feira (27), os magistrados italianos verificarão o cumprimento dos requisitos legais no julgamento de Zambelli e de tratados internacionais, sem reavaliar o mérito da condenação ou a culpa da ex-deputada. Em julho, ao determinar que o processo voltasse à fase inicial, a Justiça italiana descartou a tese de perseguição política da defesa.
No entanto, o tribunal exigiu que o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF) dessem garantias formais sobre a assistência médica às condições de saúde relatadas pela ex-deputada —como quadros de fibromialgia e desmaios— e sobre as condições prisionais que ela enfrentaria na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
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A defesa de Zambelli sustenta que o pedido deve ser rejeitado alegando falta de garantias processuais e violação de direitos humanos, além de informar que prepara ações de revisão criminal no Brasil e pedidos de remoção de seu nome da lista da Interpol.
Condenações no STF, fuga e percurso na Itália
A trajetória judicial que culminou no pedido de extradição reúne duas condenações no STF e desdobramentos internacionais:
- Perseguição armada em São Paulo (2022): Na véspera do segundo turno das eleições de 2022, a então deputada perseguiu armada um apoiador político pelo bairro dos Jardins, na capital paulista. O STF a condenou por 9 votos a 2 à pena de 5 anos e 3 meses de reclusão. Esse é o caso que motivou o pedido de extradição que será julgado nesta terça-feira.
- Invasão aos sistemas do CNJ (2023): Zambelli foi apontada pelas investigações como autora intelectual da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça para a emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, ação executada pelo hacker Walter Delgatti. Por este crime, a ex-parlamentar foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão.
- Saída do Brasil e prisão em Roma: Detentora de dupla cidadania, Zambelli deixou o Brasil em meados de 2025 e foi presa em Roma em julho do mesmo ano, após a emissão de mandado de prisão internacional ordenado pelo STF. Em dezembro do mesmo ano, formalizou a renúncia ao seu mandato na Câmara dos Deputados após o STF confirmar a perda do cargo.
- Negativa no caso CNJ e soltura: Em maio de 2026, a Corte Suprema de Cassação da Itália negou a extradição referente à condenação de 10 anos pelo caso do CNJ, citando dúvidas sobre a imparcialidade do STF. Na ocasião, a ex-deputada deixou a prisão e passou a responder ao restante dos processos em liberdade no território italiano.
A sessão marcada para esta terça-feira definirá se os compromissos apresentados pelas autoridades brasileiras sobre o sistema prisional e o atendimento médico são suficientes para autorizar o envio da ex-deputada ao Brasil para o cumprimento da pena de 5 anos e 3 meses.
