Justiça prorroga prisão de Milton Leite por 30 dias em investigação sobre PCC
Decisão do juiz Nélson Augusto Bernardes de Souza atendeu a pedidos da Polícia Civil e a manifestação favorável do Ministério Público

A Justiça de São Paulo prorrogou por 30 dias, nesta quinta-feira (15), a prisão temporária do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Ele é o principal alvo da Operação Vectura Corrupta, que investiga a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista. Leite nega ligação com a facção e afirma ser inocente.
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A decisão do juiz Nélson Augusto Bernardes de Souza atendeu a pedidos da Polícia Civil e a manifestação favorável do Ministério Público. A medida também abrange outros 12 investigados. Leite está preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, após se entregar dois dias depois da deflagração da operação, em 17 de setembro.
Perícia em aparelhos motivou prorrogação
A Polícia Civil pediu mais tempo para analisar celulares e computadores apreendidos durante a operação. Segundo os investigadores, há aparelhos bloqueados por senhas e criptografia, e a conclusão das perícias é necessária para identificar a participação de cada suspeito e realizar os interrogatórios.
Ao justificar a decisão, o juiz apontou o risco de exclusão ou alteração de provas digitais antes do fim das análises. Também afirmou que os relatórios técnicos são necessários para confrontar os depoimentos com mensagens, planilhas e comprovantes recuperados.
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Defesas contestam manutenção das prisões
As defesas dos investigados alegaram falta de fatos novos, demora na análise dos equipamentos e ausência de diligências que justifiquem a manutenção das prisões. A defesa de Milton Leite também sustentou que o material apreendido nas buscas seria suficiente e mencionou as condições pessoais e a idade do ex-vereador.
Quem são os outros alvos da operação
Entre os investigados estão Paulo Korek, presidente do Esporte Clube Água Santa; Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato a deputado estadual pelo PL e candidato à Prefeitura de Praia Grande em 2024; Carla de Paula Muller, mulher de Antônio José Muller Junior, conhecido como Granada; e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans).
Segundo a investigação, Morgado teria vínculos com integrantes do PCC e sua campanha municipal poderia ter recebido recursos ligados à facção. Carla é suspeita de transmitir mensagens entre o grupo e o marido, apontado como liderança criminosa. Já Levi teria se reunido com um suposto intermediário do PCC para tratar de interesses relacionados a empresas de transporte.
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A Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 para investigar um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico atribuído ao PCC. Milton Leite é apontado na apuração como responsável pela operação de empresas supostamente controladas pela facção. Ele nega ligação com o grupo.
